» Ensaio Sobre a Cegueira


Título Original: Blidness
Gênero: Drama
Diretor(es): Fernando Meirelles
Roteiristas: Don McKellar, baseado em livro de José Saramago.
Ano de Lançamento: 2008.
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Don McKellar, Maury Chaykin, Mitchell Nye, Danny Glover, Gael García Bernal.
Duração: 120 minutos.
Trailer: Clique Aqui!

Penso que não cegamos. Penso que estamos cegos! Cegos quem vêem! Cegos que, vendo, não vêem!” essa foi umas das últimas frases que li em um livro que por acaso e também por sorte encontrei no meu armário. Um livro que minha mãe achou interessante a história e comprou-o, porém sem nunca ter lido. Ao saber que ele estava sendo adaptado para o cinema pelo fabuloso diretor Fernando Meirelles, resolvi ler para assim, poder medir o que é ser bom diretor: se é somente saber conduzir bem uma história qualquer com bons atores ou se é saber extrair a essência de uma história e passá-la para a película. Por isso, tamanho interesse meu em ver o filme e revolta por ele somente estrear depois de um mês.

Um homem está no meio do trânsito, em seu carro, e é surpreendido por uma cegueira branca, cor de leite, que invade seus olhos e o impede de enxergar. Ele é levado até sua casa por um homem que acaba roubando seu carro, mas que posteriormente acaba tornando-se cego. Levados a um hospício abandonado, o primeiro cego, o médico que o atendeu, sua esposa, o ladrão, e todos os que foram tendo contatos posteriores. É daí que começa a saga da sobrevivência humana mesmo que degradante.

O filme, assim como o livro, tem uma especial característica: o fato de não haver nome para as pessoas e para o lugar onde vivem. Isso tem como propósito a universalização da história. Porém, o filme e o livro vão muito além do que uma história de um mundo de cegos. Ele vem pra questionar se em terra de cego quem tem olho é rei, se realmente vale a pena enxergar no meio de tantos cegos. Vou dizer, na lata, o que mais me agradou na obra que Meirelles fez: foi simplesmente o fato de ter sido uma adaptação que me atingiu minhas expectativas, diante de tantas decepções que tive nos últimos anos.

A essência de Saramago encontra-se no filme. Além disso, temos uma atuação maravilhosa de Juliane Moore e os demais também não deixam a desejar. A Trilha Sonora é boa quando deve ser e a montagem foi bastante satisfatória apesar de que acho que alguns não concordarão comigo. Outro ponto positivo são as locações que se encaixam perfeitamente no propósito. A questão agora é: será que esse filme tem competência pra concorrer ou quem sabe até levar algum Oscar? Eu, sinceramente, sou bem suspeito pra falar, mas creio que sim!

Abaixo uma análise de quando terminei de ler o livro e minha expectativa acerca do filme:

Hoje eu terminei de ler o que em breve será lançado como filme nos cinemas de todo o mundo. Ensaio Sobre a Cegueira é um livro escrito pelo vencedor do Nobel de Literatura José Saramago. A história se trata de um cara que cega no meio do transito e com o passar do tempo mal sabe ele que está “infectando” outros que chegam perto com o mal de cegueira branca, ao contrário da habitual, escura. A princípio colocados em quarentena pelo governo, começa a deplorável imagem humana, já que muitos são “presos” em um manicômio abandonado e também ficam abandonados a própria sorte.

O livro de Saramago tem algumas peculiaridades que diferenciam completamente dos livros convencionais. Primeiro, ele foge à regra quanto o quesito é o diálogo. Em sua obra, o travessão e a interrogação não existem, além do que os parágrafos são bem mais inconstantes do que no método tradicional, fazendo com que não seja um livro comum e que quem lê não se habitua logo de cara. Outro fator que é intrigante no livro do português é justamente o fato das pessoas não serem denominadas, e sim caracterizadas. Ele trata os personagens como: A mulher do médico, o primeiro cego, a rapariga dos óculos escuros e por aí vai. A meu ver isso dá uma característica universal à obra, fazendo com que qualquer um possa colocar-se no lugar dos personagens.

O mesmo ainda consegue ser feito com os locais em que eles vivem, não há nome de país e não há nome de cidade. E não é porque os personagens não os tivessem, e sim porque eles acreditam que a cegueira não faz necessária a identidade, que o papel já não faz tanto sentido. É uma obra que veremos a degradação do ser humano, e o quão importante é um par de olhos pra quem necessita, e que mais importante ainda é enxergar e não somente, ver!

O que espero do filme é uma boa adaptação. Acredito na grande capacidade do nosso querido diretor tupiniquim Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel). Acho que com a boa narrativa que o livro nos oferece, com o filme não será diferente. Há pontos em que merecem ser suscitados até para a meta do filme e há pontos que podem ser esquecidos. Depois do livro a minha ansiedade é maior ainda, mas guardarei as devidas proporções, nenhuma adaptação que li me agradou, ainda! Abaixo segue dois vídeos: O trailer de Ensaio Sobre a Cegueira e o vídeo de José Saramago expressando o que achou ao ver o filme.

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16 Respostas

  1. Parabéns pelo texto, me deu até mais vontade de ler o livro. Bem, o filme adorei. Quase tanto quanto você. Belo cinema, sem dúvida.

    4 estrelas.

    Ciao!

  2. Wally,

    Obrigado pelo elogio e asism que passar a agonia do vestibular leia o livro, é uma excelenete obra. O filme é fantástico!

    Abraços!

  3. Bem … matou sua vontade …
    Eu também e faz tempos.
    Filmão mesmo, ainda bem que conseguisse captar todo o envolvimento da obra do cinema por que se visse em casa … o impacto iria para a casa do chapéu …

    Abraços

  4. Eu já disse por aí o que me desagradou no filme, mas mesmo assim ele continuou admirável para mim.

    Abraço!

  5. Robson, “Ensaio Sobre a Cegueira” fica entre os meus cinco filmes favoritos do ano. Cinema muito competente e cheio de aspectos positivos, sem falar que é uma ótima adaptação!

  6. JP,

    Finalmente matei a vontade de conferir o filme. Talvez a obra tenha me ajudado a captar a mensagem com amis clareza, mas acho que isso é pefeitamente visível no filme.

    Pedro,

    Com certeza deve desagradar, mas acho que mesmo assim merece créditos de uma ótima obra.

    Matheus,

    Exato, comigo não fica atrás também. É um filme competente, mas como você mesmo citou, o que mais me impressionou nele foi o poder de adaptação. Quem sabe até um concorrência ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, nunca se sabe né?

    Abraços!

  7. Eu também gostei muito do filme, assim como do livro. Mas eu, quando acabei de ler pensei: “é inadaptável!”.
    Mas errei feio. Meirelles conseguiu deixar tudo lá, eu sai do cinema sentindo a mesma coisa de quando li o livro e isso foi muito bom.
    Além disso fiquei maravilhada com a fotografia e com a trilha sonora.
    Mas quanto ao Oscar, acho que não tem muitas chances não, pois o filme não foi bem recebido lá, os críticos não gostaram. Então sei lá…

    Beijocas

  8. Ainda não vi “Ensaio Sobre a Cegueira”, mas fiquei surpreso com a recepção positiva da grande maioria dos blogueiros, mesmo com a crítica tendo massacrado o filme.

  9. O roteiro, assinado por Don McKellar (“O Violino Vermelho”), tem um início vagaroso, mas aos poucos ganha dinamismo e qualidade. A história foi adaptada com base na obra de José Saramago, único escritor da língua portuguesa a receber o prêmio Nobel de literatura.

    Outro ponto relevante em “Ensaio Sobre a Cegueira” são as fortes cenas, sempre alfinetando o espectador. Com analogias e críticas severas ao atual sistema econômico e principalmente ao caráter das pessoas, a trama faz-nos repensar seriamente sobre o real significado de nossas vidas e o papel que exercemos na atual sociedade. Será que realmente somos capazes de tudo? Até onde vai a nossa honra e a nossa fé? Estes e outros pontos e paradigmas são colocados em xeque nesta bela produção de Meirelles.

    As atuações de Mark Ruffalo (“Zodíaco”), Danny Glover (“Máquina Mortífera”) e Gael García Bernal (“Amores Brutos”) são estupendas e dispensam comentários. Mas quem roubou a cena foi a protagonista Julianne Moore (“Filhos da Esperança”), numa interpretação maravilhosa e desumana na pele de uma mulher imune à cegueira branca e esposa de um oftalmologista, que também foi afetado pela epidemia.

    A trilha sonora também marca presença e casa-se bem com as imagens. A produção é de primeira e contou com nomes como Andrea Barata Ribeiro (“O Banheiro do Papa”), Niv Fichman (“A Última Noite”) e Sonoko Sakai (“Paixão Proibida”).

    “Ensaio Sobre a Cegueira” foi exibido na noite de abertura do Festival de Cannes deste ano. Um filme cru, cruel e que serve, ao menos, como um empurrãozinho para reavaliarmos nossas reais pretensões em frente ao mundo e a sociedade.

    NOTA (0 a 5): 4
    ****

  10. Lendo suas expectativas sobre a adaptação e o comentário sobre o filme em si, percebe-se que Meirelles fez um trabalho satisfatório, embora tantos outros tenham torcido o nariz. Gostaria muito de ter visto esse filme no cinema, mas agora só em DVD, infelizmente.

    Cumps.

  11. Pelas cinco estrelas que você marcou no post, já disse tudo: Filmaço! Mais uma vez o Meirelles tirou onda e nos presenteou com uma obra-prima. A fotografia do Charlone é escandalosamente eficaz. Já estou no aguardo do próximo projeto dessas feras.

    Mídia? Cultura? Acesse:
    http://robertoqueiroz.wordpress.com

  12. O filme tem lá seus erros, mas os acertos foram mais relevantes e o saldo final pra mim foi positivo. Pra mim o que rouba a cena ali é a atuação do Gael, perfeito para o papel! E o personagem que ele criou é mais moleque do que aparente ser no livro mas ficou perfeito!

  13. Ah, tem meme pra vc la no blog.

  14. Também li o livro e esperava um pouco mais, mas o resultado foi positivo como comentei no meu blog… é um bom filme sem dúvidas…

  15. Robson, acho que a adaptação do Meirelles reflete aquilo que de melhor existe no livro do Saramago. “Ensaio Sobre a Cegueira” é um filme de ótima qualidade e que nos oferece uma reflexão sobre nós mesmos.

  16. Robson, eu fiquei pasmo diante do filme. Achei fantástico, cotação justa! Já falei, tempos atrás, que se o filme for reconhecido pela academia (que eu não acho difícil) sería nas categorias técnicas. Fotografia e talvez roteiro original e roteiro adaptado. É um filme que não é só para assistirmos, diante da obra nós enxergamos o mundo de outra forma, como sugere o slogan viral.

    Abraço!

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