» Última Parada 174

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Título Original: Última Parada – 174
Gênero: Drama
Diretor(es): Bruno Barreto
Roteiristas: Bráulio Mantovani
Ano de Lançamento: 2008
Elenco: Michel Gomes, Cris Vianna, Marcello Melo Jr., Gabriela Luiz, Anna Cotrim, Tay Lopez, Vitor Carvalho, Jana Guinoud, Rodrigo Dos Santos, Ramom Francisco.
Duração: 110 minutos.
Trailer: Clique Aqui!

Quem me conhece um pouco sabe que sempre fui defensor de qualquer coisa que seja do meu país. Seja um ator ou atriz que esteja fazendo sucesso fora, ou até mesmo um cantor, por mais que eu não goste. Torço sempre para que nossa cultura seja mostrada em outros países. Naturalmente, com o cinema não é diferente e acho que é muito bom que o nosso cinema tenha grandes nomes como Fernando Meirelles, Walter Sales, Bruno Barreto. Prestigiar o cinema nacional é, pra mim, um dever como um bom cinéfilo e o filme em questão me vi na obrigação de assistir dada a devida importância a ele por ser representante do Brasil a um possível Oscar.

Marisa (Cris Vianna) é uma jovem drogada que tem um filho pequeno chamado Alessandro. Após consumir a droga e não pagar ela é expulsa da favela e seu filho fica com o traficante que a expulsou. Dez anos depois, um garoto de São Gonçalo – RJ, chamado Sandro (Michel GomesCidade de Deus), vê sua mãe sendo morta por bandidos no assalto ao bar onde ela trabalhava. Ele passa a ficar sob os cuidados da tia, porém foge para a cidade do Rio e passa a se juntar com os garotos que viviam pela igreja da Candelária e que consumiam drogas. Sandro testemunha a morte de oito crianças no que ficou conhecido como Chacina da Candelária e depois disso conhece Alessandro e ambos passam a ter um forte convívio.

Como vocês podem enxergar, a história do filme gira em torno de duas histórias que não são tão diferentes. Ambas dramáticas e tristes. O roteiro, portanto, mostra todo o trajeto dos dois garotos e os caminhos que cada um deles tomou, porém não distantes do mundo da violência, do roubo e do tráfico. O filme tinha tudo para ter um propósito interessante, mas acho que pecou em alguns aspectos que o fizeram enfraquecer. O roteiro deixar a desejar. Começa com um ritmo interessante e rápido, tem um meio que não faz o tempo passar e que por mais que tenha ação alonga em demasiado a noção de tempo e termina de forma alucinante e chocante.

Não estou defendendo que o filme deve ter somente um ritmo, acho que a mudança é boa porque acorda o espectador para os propósitos centrais, porém isso não foi bem trabalhado nessa obra e deixou uma sensação de incômodo. Além disso, acho que favela movie já deu o que tinha que dá, outras realidades no Brasil precisam ser mostradas como as dos índios na Amazônia, como a dos nordestinos que passam fome ou das brigas de terras existentes na região do pantanal. Falando como cidadão e menos como cinéfilo, acho que a sociedade tem uma imensa culpa na marginalização de muitos que vievem na periferia.

Mas, da mesma forma que há gente que segue para o tráfico e a vida de badido há que passe fome e more na rua e depois suba na vida e sabe administra-la enriquecendo ou tendo uma vida digna sem precisar pôr uma arma na mão. Portanto, o fato de vitimizar um cara que sequestra um ônibus e ameaça a vida da população é um pouco demais, até porque isso não justifica o ato dele como também não justifica o ato irresponsável da polícia que matou quem não tinha a ver. Agora falando mais do cinema e menos das minhas revoltas, acredito que é uma boa produção com uma fotografia muito boa e uma trilha sonora no mínimo interessante. Em alguns aspectos vale a pena assistir, em outros nem tanto.

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9 Respostas

  1. Acho que a intenção de Barreto não foi vitimizar o seqüestrador, mas concordo que o ritmo do filme é muito fraco e a postura diante de algumas situações é muito fraca.
    A fotografia é boa, mas não me impressionou tanto.
    O roteiro é muito bom e eu gostei de algumas atuações.

    Quanto às suas revoltas, acho que o cinema brasileiro podia ser menos “desgracento”, não precisa mostrar só mazelas da sociedade para ter um bom cinema. Nosso filmes têm sempre batido na tecla da desgraça, da pobreza.
    Poucos cineastas fogem desse lugar comum.

    Mas como você disse no começo, é brasileiro e ponto!

    Beijocas

  2. Robson, eu escrevi sobre este filme no blog em que postava antes. Não uso esta forma de cotação por estrelas, mas sim uso notas. Para o filme de Barreto, dei um 7,5.

    Bom, primeiro quero dizer que acho o roteiro excelente. Ao contrário do que pensei, Braulio não quis fazer de Sandro um herói. Somente nos apresenta o porquê de o garoto ter feito o que fez. Contudo, a direção falhou ao transpor o texto de Mantovani. Falhou no ritmo do filme, o qual está totalmente longe de ser correto; falha ao inserir cenas absurdas e que não cabiam no filme; falha no comendo do elenco, pois este não é inteiramente excelente. Assim, fica claro que temos um roteiro ótimo, mas falta uma direção à altura. Vale lembrar que achei a atuação de Cris Vianna bem discutível…

    Abraços.

  3. Cecilia,

    Acho que minha revolta falou mais alto e também já fui ver o filme com a idéia da vitimização. Porém, como você mesma falou, eu também concordo que o Brasil tem tantas outras coisas pra mostrar, o ‘favela movie’ já deu o que tinha que dar. Dar uma renovada é sempre bom. Brasileiro é brasileiro e eu gosto acima de tudo.

    Kau,

    A nossa nota, então não foi diferente, já que três estrelas e meia é uma nota mediana. O roteiro é bom, mas eu enxerguei a vitimização. Como falei a Cecilia, talvez porque eu já fui ver o filme com essa idéia. O elenco não é dos melhores mas tem seus destaques, como o Marcelo Melo Jr. que foi muito bom. Cris Vianna é discutível sim, acredito que existissem outras atrizes que pudessem fazer um pouco melhor. Porém não estragou.

    Abraços!

  4. Tem muita gente escrevendo que o documentário era melhor, apesar do tema ser uma tragédia.
    Ainda não assisti o filme.

    Abraço

  5. A gente já discutiu sobre este filme e você sabe que eu acho que o Sandro não foi vitimizado neste filme. Na minha opinião, ele foi mostrado como alguém que teve chances de mudar a trajetória da sua vida, mas decidiu seguir outro caminho. Ou seja, no final, ele foi o verdadeiro culpado por tudo que aconteceu.

    Bom final de semana!

  6. Tem razão, o Brasil tem outras facetas, outros problemas contemporâneos que não se resumem às favelas, ao Rio de Janeiro. Inclusive, sua história é rica em temas que são pouco abordados pelos nossos cineastas.

  7. Parece que “Última Parada 174” foi mais uma das decepções de nosso cinema em 2008, que aliás apresentou poucos filmes memoráveis – talvez apenas “Linha de Passe”.

  8. Um filme que cansa. Cansa pela mesma história de sempre. Brasil = drogas, violência e sexo. Chega disso!

    NOTA (0 a 5): 2
    **

  9. Robson, será que precisava fazer uma grande, cansativa e escandalizante introdução a história do sequestro? Só um curta com o sequestro não sairia melhor?
    É vergonhoso tentarmos colocar nosso país lá no alton e um filme que se passa na nossa cidade mais famosa mostra a uma triste realidade que não precisa ser transposta para o cinema.
    É vergonhoso!

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