» O Nevoeiro

(Nota: 9,0)
Título Original: The Mist
Gênero: Terror
Diretor(es): Frank Darabont
Roteiristas: Frank Darabont, baseado em livro de Stephen King
Ano de Lançamento: 2007.
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden, Andre Braugher, Toby Jones.
Duração: 126 minutos.
Trailer: Clique Aqui!

 

Eu adiei o máximo que pude. Não sei o que foi, não sei se era receio de gostar muito ou repudia-lo. Não sei se era medo, ou se era um cargo grande de pensamentos e filosofias que o filme tava carregado. O fato é que o adiei o quanto pude até resolvi parar de bancar ao ‘frouxo’ e fui assisti-lo. Só de saber que era um filme baseado numa história do tão vendido autor Stephen King, já deveria de se esperar que fosse algo que com ajuda do cinema pudesse ser aterrador, chocante, perturbador, desnorteador. O pior é que esses adjetivos cabem ao filme e não como um todo, cabem a cada momento em seu íntimo, nos momentos de raiva, de angústia, de receio.

Após uma forte e longa tempestade a noite numa pequena cidade do estado do Maine, as pessoas resolvem ir ao supermercado a fim de que pudessem estocar comida em suas casas no receio de mais uma ou outras tempestades. David Drayton (Thomas Jane – The Punisher – O Justiceiro) e Billy (Nathan Gamble – Babel) também estão no supermercado quando um forte nevoeiro começa a tomar conta da cidade e junto com ele algo estranho que mata pessoas no calar do nevoeiro. Dentro desse mercado estão várias pessoas, várias mentes, vários comportamentos. Inclusive o da Sra. Carmody (Marcia Gay Harden – Na Natureza Selvagem) que é uma protestante fanática que define aqueles momentos como o Apocalipse.

O que dizer de um filme que me pegou tão desprevenido? Acho que o interessante de O Nevoeiro é que ele vai mais além do que um simples filme de terror que tem como principal propósito assustar que assiste. A questão social está bem presente no filme e isso faz com que analisemos também o meio psicológico das pessoas. Até que ponto o ser humano consegue separar o vale entre a loucura e a sanidade? Isso me fez lembrar do filme de Meirelles, Ensaio Sobre a Cegueira, que nos faz refletir sobre até que ponto o ser humano é capaz de saber discernir bem as coisas e se os olhos realmente são necessários.

Em O Nevoeiro os momentos são vários em que as emoções mudam. Tem a angústia de saber se a um palmo de sua frente tem algo aterrador, tem a raiva de saber que alguém manipula os outros como fantoches, tem a indignação dos que são tão céticos a ponto de não enxergarem o fato e tem o receio de que seu personagem ‘predileto’ chegue vivo ao final. As interpretações são um negócio a parte, parece que a intensidade da história faz com que todos se mostrem de forma fantástica nos papéis. Mas o destaque, sem medo de errar, fica por conta de Marcia Gay Harden que nos entrega uma personagem fanaticamente religiosa e que tem o poder de persuasão irritantemente forte.

O fato é que Frank Darabont que já dirigiu filmes de muito sucesso como À Espera de Um Milagre e Um Sonho de Liberdade nos entrega uma direção que tem muitos aspectos favoráveis e outros que poderiam ser deixados de lado, porém sem prejudicar forma drástica a trama. Acredito que a direção de arte talvez não seja das melhores e em alguns aspectos os efeitos não foi tão bons quanto poderiam ser. A trilha sonora ou sua ausência também na forma sombria que persegue todo o filme. No mais, é um filme interessante e que quando termina deixa-me chocado e perturbado, não só pela cena final que é angustiante, mas também pelo todo que é de se fazer pensar o quão somos voláteis ao nosso próprio medo.

 

Anúncios

13 Respostas

  1. Este filme, para mim, foi sinônimo de agonia. “O Nevoeiro” foi uma das melhores obras lançadas em 2008 e aquele final me deixou desconcertada por vários dias.

  2. Pois é… nosso gosto é bem distinto.
    Odiei este filme! Hehe…
    Abraço.

  3. eu concordo um pouco com a kamila qdo ela diz q the mist foi um dos melhores filmes do ano passado. tecnicamente o filme é simples, mas seu trunfo está no roteiro. a narrativa é a total descontrução da figura do herói, no filme representado como egoista e precipitado logo nas cenas finais. a trama é bem filosófica tambem e mrs. carmody resume bem isso. gosto mto da ideia de construir uma atmosfera baseada no suspense psicologico ja q os monstros não sao externos, mas estao espalhados dentro daquele supermercado em forma de medo, odio, preconceito e manipulacao.

  4. Kamila,

    Engraçado, eu tive o mesmo sentimento e fiquei completamente desconcertado mesmo. É um filme muito bem guiado.

    Anderson,

    Achei tão bom… hehehe

    Lucas,

    Exatamente, o interessante é a guerra psicológica e que os monstros humanos são muito piores que os que têm lá fora!

    Abraços!

  5. Robson, já conversei sobre esse filme contigo né?
    Mas enfim, achei “O Nevoeiro” muito bom. Além de ser tenso, é um bom drama sobre os limites das crenças humanas e sobre até onde vamos para escapar do sofrimento.
    Aquele final não acho necessariamente surpreendente, mas sim perturbador. Na boa, eu entraria completamente em desespero e me matava hahaha

  6. primeira vez que eu comento aqui robinho, mas queria ver o que vc tinha escrito sobre esse filme que me surpreendeu bastante, mas o fim de certa forma nao me agradou. Nao digo isso pensando “ahh queria um final mais feliz”, mas achou que faltou um pouco de sentido. Vou explicar o porquê: os que estao no carro sao os unicos que durante todo o filme se guiam pela razao e sao motivados pela vontade de ficar vivos, e acontecer como aconteceu me decepcionou. Se fossem mesmo pra morrer, preferia que todos morressem pelos “monstros” e nao da forma como foi depois de lutar tanto pela sobrivivencia. Nao sei se fui claro, mas resumindo, nao gostei da desistencia deles.
    Mas fora isso o filme eh muito bom nos aspectos que quer mostrar como a reação do ser humano diante do panico e da proximidade da morte.
    abraço ae robinho

  7. acabei ate falando umas coisas cruciais do filme, mas se quiser pode apagar meu comentario robinho
    abraço

  8. Há muito tempo que o gênero me decepcionava e “O Nevoeiro” foi uma luz no fim do túnel. Acho que é um dos melhores trabalhos (se não o melhor) baseado em obras do Stephen King, algo no qual o Darabont é mestre.

  9. Que filme, hein Robson? Deixa agente balançado por dias a fio, principalmente pela atuação espetacular de Marcia Gay Harden. É um dos poucos filmes de terrrr que gostei na minha mida, acho que por ser de Frank Darabont…

    Abraço!

  10. É um filmaço. Tenebroso, chocante e essêncial. King dos melhores.

    Nota 9.0 tambem [5 estrelas]

    Ciao!

  11. Um exemplo de como dirigir e escrever um filme do gênero.

  12. Acho um filme absolutamente ótimo, entre os 5 melhores do ano de 2008. Destaque total para Marcia Gay Harden (como a louca Mrs. Carmody) e Thomas Jane (que de vez em quando acerta na escolha dos papéis e acaba surpreendendo). Ótima direção de Darabont (a melhor de sua carreira após “Um Sonho de Liberdade”).
    Nota: 9,5
    Um abraço!

  13. Cadê o Thomas Jane no pôster? Ehehehehe…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: