» Milk – A Voz da Igualdade

(Nota: 7,0)
Título Original: Milk
Gênero: Drama
Diretor(es): Gus Van Sant
Roteiristas: Dustin Lance Black
Ano de Lançamento: 2008.
Elenco: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna, James Franco, Alison Pill, Victor Garber, Denis O’Hare, Joseph Cross, Stephen Spinella.
Duração: 128 minutos.
Trailer: Clique Aqui!

Esse não é o primeiro filme que pude conferir de Gus Van Sant (Paranoid Park) e com isso percebo que ele tem algumas particularidades. Seus filmes não são feitos por qualquer mero motivo nem por qualquer coisa, eles trazem algo mais, uma mensagem que permite ao espectador processá-la mesmo após o término do filme. Também não é o primeiro longa que vejo em que Sean Penn (O Assassinato de Richard Nixon) é o protagonista e isso foi um grande fator para eu quere ver o filme, além também, do simples fato de ter sido indicado a Melhor Filme, porém, Milk – A Voz da Igualdade foi minha maior decepção entre os indicados.

Na década de 70, os gays dos Estados Unidos ainda sofriam muito preconceito pelo fato da opção sexual deles ser diferentes dos ditos ‘normais’. Harvey Milk (Sean Penn) é um nova-iorquino que se muda para São Francisco na esperança de mudar de vida junto com seu namorado Scott (James FrancoNoites de Tormenta) onde abrem uma pequena loja de fotografia. Ele começa a revolucionar o bairro em que mora onde a presença de gays é constante em vários lugares e ambientes, e com a ajuda de amigos e voluntários Milk começa uma grande luta para entrar no quadro de Supervisor de São Francisco e assim ajudar a combater o forte preconceito que seus semelhantes também sofriam, tornando-se, portanto, o primeiro gay assumido a assumir um cargo público nos Estados Unidos.

Não é que o filme seja no todo ruim, não. Mas ele peca em alguns aspectos, que faz com que a simpatia não seja maior do que poderia ser. Falta um pouco mais aos personagens do filme, falta mais interação na história deles. Afinal como você pode se simpatizar com uma determinada causa sem antes saber quais foram os reais motivos daquela ‘revolta’? O que mais senti falta ao assistir Milk é o fato de que o personagem principal não aparece como um todo, não é relatado a sua vida e como, de fato, ele encarou a sua opção com unhas e dentes como mostra no ‘andar da carruagem’. Faltou mais interação espectador-personagem, e isso me decepcionou um pouco.

Outro fator que é deixado de lado e que tenho quase certeza não ter sido bem assim é o simples fato de Milk só viva pelos interesses de sua minoria, a dos gays. E que as outras minorias de negros, asiáticos, latinos e etc. não foram defendidas. Ele também parece não mostrar qualquer interesse na população em geral, o que talvez seja incoerente com a vida real do político, caso contrário não teria conquistado tantas pessoas, já que acredito que ele não foi eleito somente por gays. A clara demonstração, ao ganhar o de Melhor Roteiro Original, do jovem Dustin Lane Black de que era gay e que era importante essa vitória, nos mostra a forma tendenciosa no qual o roteiro segue durante o longa. Não desmereço o seu trabalho, mas acho que ficaria mais completo se esses fatores supracitados fossem mais levado em consideração, talvez o filme tivesse até mais aceitação por parte do mais preconceituosos.

17 Respostas

  1. Oi, Robson!

    Eu estou escrevendo justamente sobre Milk agora.

    Eu gostei muito mais do que você e, para mim, fica bem claro que Milk lutou por todas as minorias. Tanto que o tempo todo no filme ele fala sobre os idosos, os negros e outros grupos discriminados.

    Claro que um filme escrito e dirigido por homossexuais não consegue ser completamente imparcial, mas traz a história muito bem e mostra para o mundo o que sofrem os homossexuais até hoje, mesmo depois de muita coisa ter melhorado com as manifestações de pessoas corajosas como Harvey Milk.

    Beijão

  2. Cecilia,

    Talvez eu possa, realmente, está enganado e não descarto essa possibilidade, até porque só vi o filme uma vez. Mas ele só fala das minorias no fim do filme, e só os cita como exemplo de que eles devem fazer isso e não ele. Como disse, posso está enganado, mas pelo menos isso que o filme passa. Não me agradou tanto.

    Beijo!

  3. Robson, eu já tinha ciência da sua nota tímida para “Milk”, mas discordo de você em alguns pontos.
    Primeiro, acho que muitos encararam o filme como uma biografia propriamente dita, que teria por obrigação mostrar o porque de Harvey Milk ser gay e etcétera. Acho que não é bem por aí. O longa quer mostrar muito mais o poder do manifesto conjunto entre homossexuais (e as coisas boas e ruins que isto trazia) do que mostrar vida e desejos íntimos de Milk. Dustin Lance Black o transformou num profeta, que arrebanhava seguidores que lutavam por uma causa única. E só.
    Outra coisa que discordo é o seguinte: não vejo necessidade de Milk ficar puxando coro para outras minorias, já que cada grupo excluído possui seus próprios líderes. É claro que, se, um grupo de negros, asiáticos, etc, pedisse apoio a ele, certamente ele faria. Não sei se lembra, mas em certa altura do filme ele diz: “precisamos levar um de nós ao poder, como os negros fizeram”. Ou seja, cada grupo preocupa com seus interesses básicos primeiro – para depois ajudar o conjunto, é o que eu penso, pelo menos. Mas é óbvio que, se a batata assar, todos vão estender as mãos uns aos outros.
    Não desmereço nenhum dos 2 Oscars que “Milk” recebeu, acho o filme brilhante mesmo.

    Meu msn é: weinergomes@hotmail.com / Orkut eu não tenho. Me add lá.

    Grande abraço!

  4. Weiner,

    Eu sabia que ia causar “polêmica” o fato de não ter gostado tanto de Milk e também sobre meus pensamentos a respeito. Quando digo que ele deveria ser mais pessoal, digo que a idéia que o filme vende é de que é uma biografia, propriamente dita, o que faz com que acreditemos nisso. No entanto, enxergamos que Milk, na verdade, é somente o porta-voz de uma causa, nada mais. O presente é o que importa. Imagine como seria interessante se soubéssemos como tudo isso nasceu, como foi que ele encarou isso desde que se descobriu? Seria mais interessante e até mais CONVIDATIVO ao espectador de colaborar e acreditar nos ideais do protagonista. Quanto as minorias, só comentei isso porque no próprio filme ele acredita que lutará por outra minorias e isso não acontece quando chega aonde almeja. Já vi que a discussão vai rolar por aqui! hehehehe ah, Vou add.

    Abraços!

  5. Milk é legal, bacaninha. O mais fraco dos 5 indicados a melhor filme no Oscar!

  6. Fala Robson,

    Pelo que eu conheço de Gus Van Samt, não acho que seja a proposta dele tornar seus filmes mais “dinâmicos”. Tem que se levar em consideração que é um filme Hollywoodiano, mas com questões pessoas – já que o próprio Van Sant e seu Roteirista afirmam ter assumido suas homossexualidades por influência do papel de Milk – e não da para negar também sua influência em todo o ocidente.
    Como disse na crítica, não sou fã de Gus, mas acredito que o filme cumpra seu papel de contar a história de Harvey. É um filme político, que conta a história de um ativista, não se poderia esperar outra coisa.

    Além do mais, em nenhum momento me pareceu que Milk “não queria saber de outras minorias”. Ele mesmo afirma “temos que criar uma força como a dos negros”. Logo em seguida ele passa a buscar apoios de muitas outras minorias, mas lógico, sempre defendendo a sua causa. É o papel de qualquer político – fora isso estaríamos falando de um político inocente e desconhecedor de todos os “jogos” necessários para conquistar espaço dentro de câmaras e assembléias.

    Estou surpreso por estar argumentando pró-Van Sant. : )

    Eu indicaria também, caso você ainda não tenha visto, a crítica do João Moreira Salles na revista Piauí desse mês. Ele levanta pontos muito interessantes, que não se prende somente na narrativa do filme.

    Grande Abraço, e fico extremamente feliz por comentar em meu blog.

  7. Agora em relação ao comentário no seu blog.

    “Afinal como você pode se simpatizar com uma determinada causa sem antes saber quais foram os reais motivos daquela ‘revolta’?”

    Estamos falando do país mais preso em questões morais, tanto dentro dos costumes cristãos, quanto de uma falsa moralidade onde prevalecem os jogos de interesse. Sem contar a fantástica construção de uma personagem (uma personagem que somente é apresentada com cenas reais) que é o maior exemplo de um fanatismo que representam nada mais que uma espécie de inquisição.

    Estamos falando de um movimento que pretende demitir todos os profissionais da rede de ensino que sejam homossexuais. Fico intrigado como seu comentário.

    “Outro fator que é deixado de lado e que tenho quase certeza não ter sido bem assim é o simples fato de Milk só viva pelos interesses de sua minoria, a dos gays. E que as outras minorias de negros, asiáticos, latinos e etc. não foram defendidas. Ele também parece não mostrar qualquer interesse na população em geral, o que talvez seja incoerente com a vida real do político, caso contrário não teria conquistado tantas pessoas, já que acredito que ele não foi eleito somente por gays.”

    Já comentei isso anteriormente.

    Parabéns pelo comentário, e acho que esse tipo de exercícios que praticamos é fantástico, mesmo quando a discordância entre as opiniões.

    Grande Abraço

    Caetano (embora adore o nome Gaetano, como me chamou anteriormente.)

  8. Robson, ainda não assisti ao filme, mas vou discordar de um ponto seu: o importante aqui não é falar sobre quem foi Harvey Milk, e sim sobre o que ele lutou. E isto tem tudo a ver com o que foi falado pelo Dustin Lance Black no seu belíssimo discurso no Oscar, ao receber o prêmio pelo roteiro deste filme.

  9. Caetano,

    Desculpe, me confundi com seu nome. Acho interessantíssimo seu ponto de vista e foi o que a maioria argumentou. A questão das minorias ainda é aceitável que ele não fale e nem disucta por elas, até porque tem seus representantes. E em momento algum meu propósito foi ser contra o dieal, até porque não tenho qualquer razão para isso. Mas acho que foi o que me fez sentir a primeiro vista sobre o que acontece no fim, e foi algo que me incomodou. enfim. Sempre vou aparecer por lá. E as discordâncias são extremamente necessárias!

    Kamila,

    Veja bem. Quando se defende uma causa, é importante enterder-se o porquê daquilo. Na vida real, é claro, isso não é possível. Mas acho que tornaria o filme mais atraente a causa se isso fosse mostrado. Se não é pra saber quem foi Harvey Milk e o que ele lutou, então que colocasse somente o título de A Voz da Igualdade, concorda? Se tratando de uma biografia, nada mais interessante nos mostrar como ele enfrentou aquilo desde sempre. Mas enfim, o filme tem sua beleza e não discordar disso, no entanto, não me agradou tanto quanto os outros quatro indicados.

    Abraços!

  10. Eu sou fãzóide do Gus. Mas Milk é minha decepção da temporada. Falta sensiblidade e humanidade no roteiro. Gus deixa a vida dos personagens de lado e só aborda o viés político, o que me irritou! Sean é excepcional, mas meu preferido era Mickey.

    Abs!

  11. Gostei bastante de Milk e achei justamente o contrário de vc na seguinte questão: eu considero que o filme aborda de forma bem precisa e abrangente o intímo dos personagens e em poucos momentos se tornando entediante, diferente do chato Frost/Nixon.

    Abraços!

  12. Óbvio que um filme sobre Harvey Milk teria que falar sobre aqueles que defendem, ou seja, os gays, mas vejo isso muito mais como uma forma de favorecer todas as minorias do que esse grupo em particular. É uma luta válida e não vi uma maior necessidade de entrar em detalhes sobre a lutas de “negros, asiáticos, latinos” – só citando seus exemplos.

  13. Kau,

    Acho que a vitória de Sean foi válida, mas tambeém gostei muito de Rourke!

    Sérgio,

    Não vi isso com a intimidade que delcaro no texto, agora é um absurdo você dizer que Frost/Nixon é chato rapáá!

    Vinicius,

    Cansei de expor minhas idéias… hehehehe no fim das contas não gostei mesmo!!

    Abraços!

  14. Robson, até agora não me conformo com esse filme ganhando Oscar de roteiro e indicado nas categorias principais. Acho que só Sean Penn merecia ser louvado por seu trabalho em “Milk”.

  15. o que é a interpretação do sean nesse filme hein?! confesso q tinha um certo preconceito dele, mas achei barbaro! o filme é mto bonito, bem construido. tinha receio tb que fosse politico e chato demais, mas é sensivel, gera empatia.

  16. […] O RAMA Ramon Scheidemantel CINEMA EM CASA Ricardo Nespoli O CARA DA LOCADORA Robson Saldanha PORTAL CINE Tommy Beresford CINEMA É MAGIA Vinicius Silva SOB A MINHA LENTE Wally Soares CINE VITA […]

  17. LOL Achei que o texto de A Origem era sua obra prima, mas esse daqui é o melhor (pior?) de todos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: