» Zé Saldanha – A Sessão

“Fiz versos bonitos e com estilo

Olhando as belezas do vergel;

Na promissão da terra leite e mel

Vi de perto a estátua de Berilo,

Medi as águas que tem no rio Nilo

Estudei muito tempo o hemisfério,

Dei certinho as lições do isotérmico

Estudei tudo do livro herogramático,

Trabalhei muito tempo de astronáutico

Conhecendo o segredo planisférico”.

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Zé Saldanha, aos 91 anos de idade.

Fico feliz todos os dias que entro no meu blog e vejo que o acesso dele não se registra somente em quem é do meu estado ou região, mas que são muitos os acessos de todo o Brasil, assim como uns de outros países, Portugal principalmente. Talvez vocês nem consigam entender essa minha atitude, mas acho que seria o mínimo que poderia fazer por quem tanto lutou pela educação dos filhos, pelo não esquecimento da cultura e da literatura de Cordel, o meu avô Zé Saldanha. Digo isso, não por ele ser meu avô, mas pela sua grandeza como homem da literatura.

Literatura de Cordel, tipicamente em cordões

Literatura de Cordel, tipicamente em cordões

Tudo bem, nada tem a ver com cinema. Mas sua vida é uma história de cinema, e suas histórias são das mais engraçadas às mais trágicas. Calma! Ele escreve romances, escreve críticas, desafios e outras coisas mais, mas de uma maneira diferente da convencional e que é um tanto comum aqui no Nordeste, pelo menos já foi um dia. A chamada Literatura de Cordel, na qual Zé Saldanha é “exper”, é um pequeno livreto em que, antigamente, era vendido em cordões, por isso o nome. Nesses livretos existiam as poesias que, na falta de um jornal diário ou até semanal, fazia o ofício de noticiários do que acontecia em todo o mundo.

Com o advento da tecnologia, do rádio, da televisão, o hábito de ler cordéis ficou mais para os mais velhos e a juventude foi perdendo tal hábito. Não venho, por intermédio do Portal Cine, obrigar ninguém a ler estes livretos nem tampouco gostarem do trabalho do meu avô. Só acredito que eternizar um pouco mais do trabalho dele, mesmo que pouco, é melhor do que nada. Zé Saldanha, hoje é um senhor no auge dos seus 91 anos de idade e que, PASMEM, está na mais pura lucidez e com produção total e independente saindo cordéis sempre que a fertilidade lhe vem a cabeça.

Os temas são dos mais variados e também atuais. Atualmente encontra-se produzindo poemas no tocante ao Aquecimento Global e como o homem é responsável direito e indireto desse processo. Também histórias de tragédias acontecidas no interior do Rio Grande do Norte, histórias de matutos que curtiram o carnaval, que foram para a capital do país ou até mesmo de uma terra misteriosa na qual o que se plantava dava mais do que o necessário, com melancias gigantes e rios de leite.

Eu, como neto desse grande escritor, não posso deixar que essa obra fique parada no tempo. E, mesmo com uma pequena contribuição, eu quero fazer com que vocês e outras pessoas possam desfrutar da grande obra que esse mestre das letras deixa. Espero que vocês curtam essa sessão e que divulguem para quem acreditarem curtir esse tipo de cultura que, se não cuidarmos, estará morrendo a cada dia.

7 Respostas

  1. QUE LEGAL…. MINHA AVÓ É POETISA, REALMENTE TEMOS QUE CUIDAR DESSA CULTURA MARAVILHOSA, TENHO CERTEZA QUE AO LONGO DA SUA VIDA, VC OUVIU MUITAS HISTÓRIAS DO RN E ATÉ MESMO DO BRASIL CONTADAS PELO SEU ZÉ SALDANHA, NÃO É?
    ADORO OUVIR AS HISTÓRIAS DA MINHA VÓ.
    TENHO CERTEZA QUE O SEU ZÉ SALDANHA SE ORGULHA MUITO DE VC.

    ABRAÇOS

  2. Que homenagem linda, Robson! Você deve estar muito orgulhoso do seu avô – e com toda razão! Parabéns!!!

  3. Nojeeeeento! Eu ainda to ajeitando o blog, organizando tudo. Eu ia te falar. =P

  4. Mas como você ficou sabendo?

  5. Puxa, foi mesmo uma atitude muito louvável a sua! É claro que eu já ouvi falar de literatura de cordel (inclusive fiz um longo trabalho a respeito quando cursava o segundo grau). Eu não tenho nenhum parente famoso, então, aproveite mesmo para homenagear seu avô, que com certeza teve grande influência na sua vida (já que você o elogiou muito).
    Então viva Zé Saldanha! 🙂
    E um abraço!

  6. Robson, bela homenagem! Parabéns pelo texto e pelo avô! Que orgulho seu, hein?? 😉

  7. Viva seu avô! Viva a cultura nordestina!

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