» Valsa com Bashir

(Nota: 8,5)
Título Original: Vals Im Bashir
Gênero: Animação
Diretor(es): Ari Folman
Roteiristas: Ari Folman.
Ano de Lançamento: 2008.
Elenco: Ron Ben-Yishai, Ronny Dayag, Ari Folman, Dror Harazi, Yehezkel Lazarov, Mickey Leon¹, Ori Sivan, Zahava Solomon.
Duração: 90 minutos.

Foi logo no início que esse filme me chamou atenção pelo simples fato de estar entre os possíveis ganhadores do Oscar 2009. Mesmo não levando a estatueta, ele não saiu da minha cabeça e eu estava somente esperando a oportunidade de conferi-lo e assim poder dizer se realmente vale a pena e entender o porquê de seu sucesso, dada a idéia de que o cinema israelense não tem tanta tradição. Mas apesar dos pesares eu não tinha muita noção quanto a dois fatores: o primeiro que era todo em animação, pensei que fosse só o pôster (pura desatenção) e outra que o filme tinha faixa etária de 18 anos, fato que só compreendi quando vi as muitas de suas cenas impróprias.

Após um sonho um tanto intrigante com cachorros brutais que latiam em frente a sua casa, um homem resolve contar esse sonho ao seu amigo cineasta Ari Folman (o próprio diretor do filme) e o porquê que acha que o sonho aconteceu, ligando o fato ao envolvimento deles com a guerra do Líbano que ocorreu vinte anos antes. Dessa maneira, Ari acaba se dando conta de que nada se lembrava da guerra e que somente uma única cena era visível para ele. Daí em diante, ele passa a procurar os velhos companheiros de guerra para escutar seus relatos e daí em diante traçar o perfil do que foi sua vida como soldado do exército israelense e por quantas agruras ele e os colegas passaram.

A ligação direta com uma guerra que há tanto tempo se sucedeu é inevitável na vida dos personagens que compõem a animação. Isso é tão verdade que os sonhos os angustiam desde o início ao fim da película e eles não conseguem se desvencilhar dessa realidade que mudou suas vidas. Do primeiro ao último diálogo é possível compreender qual foi o lado ‘judeu’ da guerra e o quanto eles suportaram, mesmo sendo os detentores do lado mais forte da corda, o poder bélico mais ostensivo. Contudo não é a cena da guerra propriamente dita que é o relato do filme. Ele procurar tratar do remorso dos atos praticados compulsoriamente, do medo do passado que atormenta seus ex-combatentes, medo que os remete a forte dificuldade de reviver as memórias que tanto os chocaram.

Mas o longa chama atenção pelo seu forte apelo social, pela sua necessidade de exposição de uma situação que muitos sabem que existe, mas que não tem idéia da real importância e influência que uma guerra tem na vida de um, digamos, sobrevivente. Não é pra qualquer um, ver e gostar das fortes cenas que o desenho nos proporciona. Detentor de um gráfico próprio que nos remete as histórias em quadrinhos, Valsa com Bashir não vem para deixar as pessoas emocionadas ou felizes. Suas cenas fortes e diálogos filosóficos são características que o tornam único e original. Percebi, nesse contexto, que essa animação é o outro lado da história que tinha como protagonista a jovem Marjori Satrapi do excelente Persépolis.

A trilha sonora vem de uma maneira extremamente bem medida e encaixada nos momentos certos com entonações e músicas para as ocasiões necessárias, ela funciona também para momentos em que, na realidade, não deveria ser aquela a música como em uma cena de guerra ser tocada uma valsa tranqüila e serena. Apesar de o roteiro mostrar-se forte e convincente, chega certo momento em que a monotonia toma conta e o passar de uns vinte minutos, na verdade, tornar-se uma eternidade. A cena final é uma das mais chocantes que pude ver nos últimos anos, por se tratar de um fato real e que muitas vezes, foi negligenciado pela mídia internacional, todavia que atingiu a milhões de pessoas, a crítica é extremamente real e forte, só não enxerga quem não quer.

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10 Respostas

  1. Eu gostei de “Valsa com Bashir”, da mistura entre documentário e animação. Acho um longa muito bom, especialmente porque mostra um lado diferente. A gente sempre vê filmes sobre as dificuldades das memórias da guerra. Aqui, a gente vê um cara que quer se lembrar do que viveu, pois sabe que foi isso que o transformou no homem em que ele é.

  2. Estou aguardando uma brexa pra mim poder alugar este.

  3. Incrível como o gênero está dando oportunidade para transmitir histórias importantes como essa de “Valsa com Bashir”. Assim como “Persépolis”, também me emocionou bastante.

  4. Kamila,

    Esqueci de citar esse detalhe quanto a mistura do fator animação com documentário que foi algo que ficou bem claro no decorrer do longa.

    Cleber,

    Veja assim que puder.

    Vinicius,

    Ele me lembrou e muito Presépolis, assim como falei no texto. ele seria o outro lado da moeda da guerra.

    Abraços!

  5. Tá aí um bom filme em que a trilha é fundamental. O roteiro e animação tb são incríveis!!! Uma pena ter perdido na categoria ‘Melhor Filme Estrangeiro’ do oscar. Para mim foi a maior injustiça deste ano.

  6. Grande filme, não? Que pena vê-lo derrotado na última edição do Oscar. A animação de 2008 responde pelo nome de “Valsa com Bashir”….
    Abraço!

  7. Fernando,

    A trilha é muito fundamental e foi uma das coisas que mais me chamou atenção. Só não estou encontrando-a para baixar.

    Weiner,

    Excelente. Não vi os demais estrangeiros para comparar, nem tampouco o que ganhou mas ele tinha cacife pra ganhar, fácil. Até agora estão Coraline e Valsa com Bashir entre as melhores animações do ano para mim.

    Abraços!

  8. Robson, esta animação é complicada. Muito forte e densa para os padrões, mas o ar fresco que o Cinema precisava, eu acho. Tecnicamente muito bem feito e a trilha sonora é maravilhosa!

    Abs!

  9. A premissa e o modo como o filme foi feito me desperta muito interesse. parece ótimo mesmo! 😉

  10. […] POR NATUREZA Matheus Pannebecker CINEMA E ARGUMENTO Pedro Tavares CINEMA O RAMA Robson Saldanha PORTAL CINE Rogerio Nascimento CINEMA EM CASA Tommy Beresford CINEMA É MAGIA Wanderley Teixeira RAINING […]

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