» The Fall – Dublê de Anjo

(Nota: 9,5)
Título Original: The Fall
Gênero: Drama
Diretor(es): Tarsem Singh
Roteiristas: Dan Gilroy, Nico Soultanakis, Tarsem Singh, Valery Petrov.
Ano de Lançamento: 2006.
Elenco: Catinca Untaru, Justine Waddell, Lee Pace, Kim Uylenbroek, Aiden Lithgow, Sean Gilder, Ronald France, Andrew Roussouw, Michael Huff.
Duração: 117 minutos.

Desde que comecei a me dedicar a ver mais filmes, a discuti-los, a chegar a uma conclusão precisa sobre suas funções, seus propósitos e seus resultados é que parei para notar que existem alguns filmes, em especial, que merecem ser vistos obrigatoriamente por quem tem uma atração enorme pelo cinema. Aqueles que curtem passar um final de semana fazendo uma maratona de filmes, sentado num sofá ou deitado na cama comendo pipoca e analisando cada passo da história. Entrementes, isso não basta. A distribuição dos filmes nem sempre se dá de acordo com a sua importância para o cinema, e muitos deles acabam passando batido. No entanto, um filme como The Fall, que sofreu desse mal, quando visto por qualquer cinéfilo que se preze, tem seu valor reconhecido, pelo menos em sua maioria.

Alexandria (Catinca Untaru) é uma jovem menininha de cinco anos de idade que vive, atualmente, em um hospital em uma antiga Los Angeles enquanto se recupera de uma queda em que teve que engessar seu braço. Ela conhece a todos e adora brincar pelo hospital, fazendo as artes que qualquer criança é capaz. Certa vez, conhece Roy (Lee Pace – A Vida Num só Dia), um homem que está internado após sofrer um acidente e suas pernas estão paralisadas. Ele começa a encantar a pequena garota contando uma história sobre cinco heróis e, quando menos se percebe, não há mais limites entre realidade e ficção.

Muito me impressionou o trabalho do diretor Tarsem Singh, já que geralmente só se consegue uma proeza como essa quando já se tem muitos filmes no currículo e muita disposição financeira para isso. Todavia o que me chamou mais atenção foi o fato desse ser o seu segundo filme e ele mostrar tanta sensibilidade. Não pude conferir A Cela, porém depois do que presenciei neste longa pretendo conferir o quanto antes, ainda que não acredite ser tão bom quanto. A primeira vista nós já somos cativados pela personagem principal: ela tem carisma somente ao sorrir e ainda se mostra uma garota de extrema esperteza e inteligência, além de observadora.

A fotografia do filme gira em torno do olhar infantil e isso nos deixa ainda mais familiarizados com a personagem e suas emoções. Em seguida vêm as histórias que demonstram uma sensibilidade arrebatadora, seja boa ou má, para quem assiste ao filme. Por vezes eu me lembrei de alguns filmes ao conferir as narrativas. Quando há o enlace entre realidade e fantasia, colocando pessoas do dia-a-dia da menina nas histórias, me lembrei de O Mágico de Oz, já que as pessoas da vida de Dorothy estão no mundo mágico que ela visita. Lembrei também de Peixe Grande, por tratar de histórias magníficas e do fato de haver um ‘quê’ de realidade nas histórias contadas.

Além disso, duas coisas me impressionaram de uma maneira instigante. A Trilha Sonora é colocada de uma maneira não muito invasiva, porém que contem as notas necessárias para compor boas cenas seja de que estilo for. A apelação visual é outra coisa fora do normal, vista em simples DVD tem uma ótima qualidade de cores e imagens, creio que em alta definição deve ser de um deleite visual absolutamente irrefutável, além do que as locações são outro fator preponderante para a propriedade das imagens.

O roteiro é bem esquematizado e faz com que o espectador acompanhe os anseios dos dois personagens. Ela, que sempre está feliz e procura ajudar e ele, que está triste e amargurado por causa de um amor que não deu certo. Vê-se que há certa manipulação de uma inocente para interesses adultos, somente através de histórias bem contada. E ela, ainda que inocente, questiona a funcionalidade dos pedidos de Roy. As histórias são regidas de acordo com o temperamento de seu narrador e isso passa certa angústia para nós, que assim como a menina, esperamos um final feliz para histórias contadas. É indiscutível a sua profundidade, o fato é que esse não é um filme para conferir somente uma vez.

P.s.: (Spoiler) O que me encantou foi saber que Alexandria, mesmo se tratando de uma inocente e inexperiente criança, ajudou Roy de maneira clara e direta a sair da depressão, mostrando o melhor caminho para isso.

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15 Respostas

  1. Desde agosto do ano passado que bato na mesma tecla … The Fall é o melhor filme do ano passado e com certeza vai chegar a ser um dos melhores da decada. Quando termina, não parece que estamos vendo um filme simples, mas o ode de fazer CINEMA repito CINEMA com dedicação, imaginação e principalmente de amor pleno a setima arte. Ainda é um sonho meu ver esse filme em um blu-ray e de uma tela de 42 …

    Pena que não veio aos cinemas nacionais … UMA LASTIMA … BRASIL EPIC FAIL

  2. Gostei do filme. Mas não tanto quanto todo mundo gosta. Em compensação, a cena que abre o filme é belíssima.

  3. Como você sabe, baixei esse filme esses dias. Coincidência enorme. Verei nesse fim de semana e volto aqui pra comentar decentemente. =)

  4. João Paulo,

    Acho que peguei dados errados, ele foi lançado ano passado? Estranho, acessei que tinha sido lançado em 2006. Mas enfim, o filme é excelente e tem uma sensibilidade tocante. Vale a pena ver e rever…

    Diego,

    Talvez se puder rever o filme mude um pouco sua concepção, as entrelinhas explicam muita coisa.

    Samantha,

    Muita coincidência que chega até a ser assustadora… hahaha mas veja, quero muitíssimo ver sua opinião a cerca desse longa!

    Abraços!

  5. O filme foi filmado em 2006 sendo que pronto praticamente no inicio de 2008 … e o resto … you know …

  6. É mesmo um filmaço. Já vi três vezes e ainda estou babando pelas imagens!

  7. Também adorei este filme. Não é só o poder visual extraordinário, mas a narrativa especial e o sentimento maravilhoso. Nos cinemas, teria sido uma experiência das mais inesquecíveis.

    Nota 8,5 [****]

  8. Que história bacana! Parece ser cativante a história da pequena menina… EU vi A Cela e gostei muito… Agora quero ver esse trabalho de Tarsem Singh.

  9. Apesar de não ter gostado de “A Cela”, tenho curiosidade de conferir este filme!

  10. Robson, o filme foi lançado em 2008 mesmo, só que passou por alguns festivais antes (2006 foi o ano em que foi produzido). Por mim seria indicado em várias categorias no último Oscar, incluindo melhor filme.

  11. Pedro,

    É fantástico mesmo. Certeza que não é pra se ver somente uma vez…

    Wally,

    Queria muito ver no cinema…

    Fernando,

    Eu fiquei super curioso para conferir A Cela, depois desse filme…

    Kamila,

    Curti bastante esse filme, você precisa conferir…

    Vinicius,

    Curioso isso, vou ajeitar!

    Abraços!

  12. Apesar da má impressão deixada por Singh em A CELA, estou com água na boca para ver esse filme. Há mesmo de ser belíssimo e encantador.

    Cumps.

  13. Realmente, é um belissimo filme, tanto na história quanto na técnica. No cinema seria uma linda experiência. 😉

  14. Olha: apoio total a vocês, cinéfilos queridos. Nunca tinha ouvido falar de Dublê de Anjo antes de dezembro de 2009. Acabei de vê-lo e estou procurando outros brasileiros que admiraram essa obra de arte. Como disse João Paulo, é uma homenagem de um cineasta à própria indústria do cinema e aos stunts e atores.
    Eu tô embasbacado com a beleza visual do filme. A cena do velório do bandido azul me arrepia. A cena do místico saindo do deserto e chegando num campo verde onde entra em transe me confunde. A cena da queda de Alexandria na farmácia é surreal. Enfim, o filme é muito onírico. As imagens e as sequências muitas vezes distorcidas são típicas da cronologia de um sonho, sem sentido algumas vezes. Acho que vale a pena comparar esse aspecto com o filme Sonhos de Akira Kurosawa.
    A animação dos irmãos Lauenstein da cirurgia de Alexandria me lembra a animação do filme Frida, quando Frida Kahlo também é operada após um acidente (plágio? intertextualidade?).
    A Cela eu assisti antes e confesso que tinha preconceito pela participação de Jeniffer Lopez, mas a maestria de Tarsem compensa tudo. Quando ele entra na cabeça do psicopata ele ganha liberdade pra voar na imaginação.
    Enfim, falei demais pq estou doido por The Fall. Assisti 3 vezes e ainda sinto como se algo me passou despercebido.
    Divulguem esse filme desconhecido, a platéia brasileira o merece.
    E parabéns, Robson. Aguardo contato.
    Força!

  15. Críticas como esta e os comentários aqui postados me levaram a comprar este filme. Não assisti ainda, ainda não o recebi, mas estou ansioso!!!!

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