» Medo da Verdade

(Nota: 9,0)
Título Original: Gone Baby Gone
Gênero: Drama
Diretor(es): Ben Affleck
Roteiristas: Aaron Stockard e Ben Affleck, baseado em livro de Dennis Lehane
Ano de Lançamento: 2007.
Elenco: Casey Affleck, Michelle Monaghan, Morgan Freeman, Ed Harris, John Ashton, Amy Ryan, Amy Madigan, Titus Welliver, Michael K. William.
Duração: 114 minutos.

É natural que exista certo preconceito com diretores iniciantes. Ainda mais quando esse diretor é, na verdade, ator e não é dos mais louváveis, dos mais talentosos por assim dizer. Dessa maneira, nunca teria vontade de conferir um filme dirigido por Ben Affleck se não fossem todos os comentários feitos em torno dele no ano de seu lançamento mas que só pude conferir agora. A premissa é interessante, porém a primeira vista é somente mais uma história de seqüestro que não deu certo. Contudo é notório que o filme tem um quê a mais que fez tantas pessoas o admirarem, tanto no lançamento como ainda hoje. É lógico que tem quem não goste tanto assim, mas isso não é maioria, assim creio.

Patrick Kenzie (Casey Affleck – O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) e Angela “Angie” Gennaro (Michelle MonaghanO Melhor Amigo da Noiva) são namorados e também trabalham juntos. Eles são detetives particulares e acabam sendo contratados para investigar um caso que tem toda repercussão em cima de uma garotinha chamada Amanda McCready que foi seqüestrada quando estava em casa, supostamente com sua mãe. Porém, ao adentrarem nas histórias acabam descobrindo que nada é de fato o que aparenta ser e isso vai deixando-os cada vez mais envolvidos com esse caso estranhamente misterioso. Privando-se de suas vidas, eles começam a entrar mais fundo do que naturalmente fariam, por acreditarem que é mais uma questão pessoal do que profissional.

É inevitável que quem veja a primeira vista não lembre do caso Madeleine, a pequena garotinha que desapareceu quando estava de férias com os pais em Portugal, isso porque a própria garotinha do filme lembra a menina. O contexto produtivo do filme ajuda e adjudica que o estreante diretor tem uma ‘pegada’ interessante para a direção que está competente. A montagem do filme é simples, contudo bem precisa. Já seu roteiro tem sempre um ar de surpresa, o que nos faz ficar vidrados tendo sempre a impressão que algo surpreendente vai acontecer e mudar completamente o rumo da história, fator de tensão em vários momentos.

E, de fato, é exatamente isso que acontece mudando a temática do filme e nós terminamos por ser levados para outro foco e não mais aquele inicial. A fita nos proporciona um turbilhão de emoções e fazendo-nos ter raiva de certas atitudes e fatos que são fundamentais para compreendermos, ou não, o fim da história. Questionamentos vêm a nossa cabeça como: “Os fins justificam os meios?” diante das atitudes tomadas por alguns personagens. Assim como: “Tal atitude deve ser tomada segundo suas convicções ou somente para seu bem-estar?” E o mais interessante é que essas perguntas não são propriamente respondidas com o término do longa, elas deixam no ar nossos questionamentos, com perguntas sobre se foi correta a atitude do protagonista. A película é fantástica e emocionante, surpreendendo a cada instante e com um desfecho que é bastante questionável, mas é justamente nesse ponto que está o brilhantismo do roteiro.

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13 Respostas

  1. Um bom argumento com os actores indicados para o interpretar. Mais uma vez Casey Affleck marca pontos, mas o mano na realização não fica nada atrás.

    8/10.

    Abraço.

  2. Também achei fantástico, provavelmente um dos filmes mais subestimados desses últimos anos. É aquele tipo de história que realmente nos faz pensar e isso permanece após o fim da sessão. Só por isso já merecia algum crédito, mas todos os demais elementos do longa também são dignos de nota.

  3. Red,

    É todo um contexto… vale a pena em vários sentidos.

    Vinícius,

    É subestimado, mal anunciado. Fato.

    Abraços!

  4. Subestimadíssimo! O nome do Ben Afleck aí só engana, pois em nada seu trabalho na direção se aproxima do de ator. O roteiro é o maior ponto de Medo da Verdade mesmo e pelo menos isso deveria ter recebido maior atenção.

    Abração!

  5. Por mim, Amy Ryan levava o Oscar.

  6. Alexsandro,

    Realmente, como falei, ele surpreende e demonstra grande talento para isso.

    Brenno,

    Não me lembro com que concorreu, mas ela estava muito bem, de fato.

    Abraços!

  7. O roteiro deste filme é brilhante mesmo. A discussão ética, o conflito interno é uma característica dos livros do Dennis Lehane e aqui temos uma discussão profunda, muito bem direcionada pelo Affleck, que se revela um melhor diretor que é ator.

  8. Também gosto bastante de Medo da Verdade e daria a mesma nota. E admiro o Casey Affleck, sempre muito bem.

    Abraços!

  9. Perdoe-me!
    OBRA-PRIMA!
    10 10 10!

  10. Kamila,

    As entrelinhas dele é que fazem com que seja um filme grandioso, ele não é superficial, está na medida certa.

    Alyson,

    Os outros trabalhos de Casey que vi não me lembro e, portanto, não posso opinar. Mas ele realmente está muito bem aqui.

    Jack,

    É um grande filme, porém não o considero uma obra-prima. rsrsrs

    Abraços!

  11. Bela estreia de Ben Affleck como diretor, que acabou ficando muito melhor do que atuando, rsrsrs.

    Beijos! 😉

  12. Eu até gosto do filme, ms vejos sérios tropeços no roteiro – especialmente quando o filme começa a montar seu desfecho.

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