» O Segredo dos Seus Olhos

(Nota: 9,0)
Título Original: El Secreto de sus Ojos
Gênero: Drama
Diretor(es): Juan José Campanella
Roteiristas: Juan José Campanella, Eduardo Sacheri.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella, José Luis Gioia, Carla Quevedo, Bárbara Palladino, Rudy Romano.
Duração: 127 minutos.

O nome de um filme pode dizer muita coisa sobre ele, mas também pode não dizer. Pode fazer com que você ache que é uma coisa sendo outra completamente diferente, concorda? Acho que isso meio que acontece com esse longa argentino que se tornou premiado na maior cerimônia do cinema, o Oscar como Melhor Filme Estrangeiro. O nome nos leva a crer que se trata de uma história de amor inegável e atraente, em que um segredo pode mudar tudo. De fato o segredo está presente na fita, contudo a história vai bem além disso, é mais profunda e porque não dizer, filosófica, questionadora.

Benjamin Esposito (Ricardo Darín) aposentou-se recentemente de cargo de assistente do tribunal penal argentino. Já que goza de bastante tempo livre, resolveu escrever um livro que retrata uma história que muito mexeu com sua vida no tempo em que ocorreu, um fato trágico ocorrido em 1974. Seu departamento foi designado para investigar um caso de estupro seguido de morte de uma jovem mulher, esposa de Ricardo Morales (Pablo Rago), o qual Esposito jura que prenderá o culpado. Para obter êxito ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe, por quem nutre uma paixão secreta mas intensa.

Inúmeros são os filmes que tratam sobre tal temática, contudo acho que o argentino Juan José Campanella (do também premiável O Filho da Noiva) tratou com bastante propriedade do tema em razão de que ele é, e também não é, o foco central do filme, as histórias auxiliares são bastante interessantes para que possam formar o contexto geral. Eu, como aluno de Direito, me atrai ainda mais pela questão jurídica que o longa trata de maneira ímpar, ainda que não seja dos mais simpáticos com o Direito Criminal. A fotografia é extremamente cautelosa e trata com qualidade os ‘problemas’ que o personagem encontram ao longo de sua investigação. Sem contar no fato de que a fita não poupa a manipulação afetiva em momentos propícios para tal.

O filme traça uma linha temporal que nos faz compreender sem qualquer confusão a história como um todo, cenas interpostas de maneira tal que você vive o passado de 1974 e o presente do funcionário público aposentado e chega um momento em que isso se encontra e podemos ver, no melhor estilo Cold Case, no presente o que aconteceu no passado. Como seus agentes sobreviveram ao tempo. O final é muito original e bastante questionador. Ele nos permite perguntar até onde vai o limite do poder judiciário e do poder paralelo, se é possível realmente fazer justiça com as próprias mãos. Permite compreender o que é a dor de alguém que perdeu uma pessoa amada e o que é a ironia de alguém que pouco se importa de ter tirado a vida de outrem. É, sem dúvidas, um filme para ver, rever, ver mais uma vez e em todas as vezes você vai notar mais alguma importante noção questionadora. É. Dessa vez, os hermanos argentinos acertaram em cheio e só nos resta baixar a cabeça em reverência a essa belíssima obra.

9 Respostas

  1. Curioso você falar de “Cold Case” já que o filme recebeu algumas comparações com séries policiais mesmo, quando na verdade acho que é bem mais complexo. Sem dúvida um belo representante do cinema latino.

  2. Tô doida para conferir este filme, especialmente porque todos têm o elogiado bastante!

  3. Também adorei esse filme. Não era minha torcida no Oscar (eu acho O Profeta um dos melhores filmes franceses dos últimos anos), mas fiquei feliz quando ganhou. Acho que Campanella deve ter muito mérito, mas o roteiro ajudou muito a desenvolver toda a trama.

  4. Vinicius,

    É mesmo? Não sabia dessas comparações mas tive um insight já pertinho do fim do filme e me lembrou muito esse seriado, ainda que como você mesmo afirmou seja bem mais complexo.

    Kamila,

    Acho que esse é bem o estilo de filme que você curte, você vai adorar.

    Luis,

    Olha, eu gostei muito d’O Profeta, achei um filme fantástico, mas ele não me envolveu tanto quanto esse. Acho que o argentino tem um ar muito aconcehgante e investigativo ao mesmo tempo. Campanella é o cara, estou louco pra ver O Filho da Noiva.

    Abraços!

  5. Ter visto no cinema, bem antes do que poderia ser o sucesso do filme e principalmente junto com o publico argentino, a sensação de ter visto esse filme é de algo inexplicavel. Belissimo. Ainda considero um dos melhores filmes do ano passado e vibrei pra caralho no Oscar …

  6. Olá!
    Gostei bastante do seu blog! Muito criativo.

    Se puder, entra no meu. Abração!

  7. Gostei muito do filme, mas ainda achei que A Fita Branca deveria ter sido o vencedor do Oscar, porém realmente temos que tirar o chapéu para esta produção Argentina, um excelente drama policial que conseguiu misturar dilemas de um crime com os da vida pessoal do Esposito.

    Abraços,
    André

  8. É mesmo ótimo. Merecedor dos prêmios que recebeu. O plano-sequência no estádio é brilhante – não menos que isso.

  9. Estou doidinha para assistir, a premissa é bem interessante. 😉

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