» A Rede Social

(Nota: 9,5)
Título Original: The Social Network
Gênero: Drama
Diretor(es): David Fincher
Roteiristas: Aaron Sorkin, baseado em livro de Ben Mezrich.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Jesse Eisenberg, Rooney Mara, Bryan Barter, Dustin Fitzsimons, Joseph Mazzello, Patrick Mapel, Andrew Garfield, Toby Meuli, Alecia Svensen.
Duração: 121 minutos.

O mundo é feito de ideias, certo? Assim, aquela ideia que alguém decidiu colocar em prática pode, naturalmente, ser alegada por outrem que a mesma foi originalmente sua e que foi roubada por quem a colocou em prática. Então fica o questionamento de até aonde vai o limite da criação de idéias e de colocá-las em prática. Quem tem razão nesse meio? Quem deve ter que ‘arcar’ com as conseqüências quando há um litígio onde o valor da causa atinge a esfera dos milhões de dólares e o objeto é uma empresa que custa bilhões? É aí que observamos que a coisa complica mais do que se acredita.

Jovens estudantes da Universidade de Havard, sedentos por tornar tudo mais ‘sociável’ e não serem excluídos socialmente, numa noite fria eles resolveram criar um sistema que envolvia fotos de estudantes garotas e quem acessava deveria escolher quem, de duas, seria a mais bonita (ou mais gostosa). Depois de enxergarem essa ótima possibilidade, passaram a desenvolver uma nova ideia que iria modificar as estruturas de suas vidas. Em seis anos, o Facebook se tornou um negócio bilionário. Mas, naturalmente, como nem tudo são flores, muita dificuldade foi encontrada nesse meio e inimigos também.

No princípio, quando li sobre a possibilidade de se fazer um filme acerca do Facebook, achei totalmente absurdo por acreditar que deveria ser em torno das possíveis histórias que essa rede poderia ocasionar e já previa as maluquices que apareceriam. Depois soube que se trataria da sua criação e sobre as nuances, previstos e imprevistos que estão abarcadas no princípio. Porém conferi o trailer achei que não daria nada pelo filme, já que achei sua ‘publicidade’ um tanto falha. Se fosse pelo trailer eu não conferiria, sinceramente. Impressões à parte pude notar que a história é de uma riqueza impressionante e assim não poderia ser entregue a qualquer um para que pudesse ficar perfeitamente adaptável à linguagem cinematográfica, que deve ser sempre tão dinâmica e versátil.

Uma história que envolve gênios, suas criações e as conseqüências que tais desenvolvimentos podem causar, deve ser regida de uma maneira madura e que possa, espontaneamente, despertar o interesse de seus expectadores sem que se torne algo demasiadamente apelativo. A história, em si, do filme não tem nada assaz apelativo, e assim uma direção espetacular deve agir de forma saudável juntamente com o roteiro, que foi guiado de maneira excelente, para que se possa permitir a “sociabilização” de tal situação e é justamente aí que entram David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button) e Aaron Sorkin. Quando achamos que as maiores histórias sobre golpes, sobre roubo de idéias e sobre amigos ‘filhos-da-puta’ já foram contadas inúmeras vezes na indústria cinematográfica, topamos com esse longa que tem fatos inteiramente reais e que existiram há tão pouco tempo.

O ritmo do filme é bem acelerado e isso nos é imputado sem que procurem saber se nosso ritmo está de acordo com o determinado pela fita. Dessa forma, passamos a acompanhar a mente dos superdotados que habitam os corredores de Havard e depois de um tempo o ritmo parece diminuir, porém somos nós que conseguimos compreender com mais facilidade aquele universo. As atuações são excelentes e é um sustentáculo que faz conferir ao filme o nível de realidade e dramaticidade que é necessário. Aliado a isso temos uma trilha sonora feita sob medida, feita pela parceria de Trent Reznos e Atticus Ross, que determina à fita o clima musical que se faz necessário. A harmonia é bastante perceptível nesse longa e notamos isso ao sair da sessão. Sem dúvidas, um filme COMPLETAMENTE indicável. Não só pra se ver, mas para as premiações também.

10 Respostas

  1. De maneira alguma consigo me contentar com a pobreza dramaturgica de A Rede Social. Fincher é demasiado frenético (veja a trilha sonora, se é que podemos chamar trilha essa coleção deplorável de batidas hightech, e a montagem) na tentativa clara de fisgar o espectador por meio de banalidades/artificialismos, deixando de lado qualquer apreço visceral por seus personagens.

  2. Pois eu curti o filme. Lembrou-me “Piratas do Vale do Silício”!🙂

  3. Pedro,

    Ainda que respeite completamente seu ponto de vista, não consigo ver este filme com maus olhos assim, infelizmente não partilhamos da mesma opinião.

    André,

    Somos dois. hehe

    Abraços!

  4. Concordo com o Pedro no comentário acima. Mas, com uma diferença, eu gostei do filme. Só não achei essa cocada toda. E mais uma diferença: gostei da trilha.

    Mas Fincher ficou em cima do muro na hora de criticar um produto bem-sucedido como o Facebook, e seus usuários, que se comunicam à imagem e semelhança de Mark Zuckerberg. É muito mais uma aula de capitalismo e empreendedorismo bem-sucedidos do que uma crítica ou mesmo uma adoração às redes sociais e seus usuários ou até mesmo seus criadores. Quando digo que Fincher ficou em cima do muro, digo que ele não fez isso quando ainda não era cobrado pela indústria, na época de “Clube da Luta”, muito mais ousado. Em “Clube”, não teve medo de criticar o capitalismo e a sociedade caminhando para o “nada”. Em “A Rede Social”, ele se rendeu ao esquema. Apenas observou. Não quis se comprometer. Portanto, Oscar na certa!

    Abs!

  5. Em ritmo acelerado, o filme é rapido, pratico e muito eficiente. Eduardo é fantástico, o roteiro e a direção de Fincher é ótima ;D

  6. Na verdade, acho que este filme fala sobre uma mente criativa e empreendedora numa sociedade capitalizada por estes valores. Zuckerberg é um produto de uma motivação e o que Fincher faz, junto com o roteiro de Aaron Sorkin, é investigar o que move alguém que tem características especiais como ele, e que começa a se levar a sério demais. A grandeza deste filme está justamente nisso.

  7. Otavio,

    Entendo o que diz mas a pergunta é: será que a crítica forte de Clube da Luta não já existia no livro? Fico me perguntando…

    Cleber,

    Exato!

    Kamila,

    Digamos que enxerguei outras coisas, mas a parte litigiosa do filme… hehehe mas concordo com você!

    Abraços!

  8. É um bom filme, mas não acho perfeito como todos insistem. Talvez, o roteiro mereça mesmo o Oscar, mas é um filme que por ser muito verborrágico concebe momentos cansativos. Minha opinião é próxima do Pedro, inclusive.

    abraço

  9. Olá Robson, ótimas observações!
    Na época que o filme foi anunciado, também havia ficado com o pé atrás, mas mordi a lingua. Taí um dos melhores e mais astutos filmes do ano. É isso que dá desconfiar do talento de David Fincher… rs

    abraço!

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