» Lixo Extraordinário

(Nota: 10,0)
Título Original: Waste Land
Gênero: Documentário
Diretor(es): Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Vik Muniz, Fabio Ghivelder, Isis Rodrigues Garros, José Carlos da Silva Baia Lopes, Sebastião Carlos dos Santos, Valter dos Santos, Leide Laurentina da Silva, Magna de França Santos, Suelem Pereira Dias.
Duração: 99 minutos.

Em nosso cotidiano jamais paramos para observar qual o fim que deve levar todo aquele material que durante todo o tempo consumimos, todo aquele ‘lixo’ que produzimos sem nem notar. Pra falar a verdade, nós estamos pouco nos lixando em saber qual é o fim dado aquele material que se entende como completamente descartável. Todavia, mal imaginamos o impacto que isso tem na vida de milhares de pessoas e esse documentário vem justamente pra mostrar que aquelas que estão no lixão, são tão humanas quanto as que produzem o lixo e que às vezes a falta de oportunidade não permite que tenham algo socialmente ‘melhor’ para se fazer.

Vik Muniz é o mais importante artista plástico brasileiro que tem uma maior proporção de seu trabalho no âmbito internacional. Dessa maneira, o impacto que um trabalho seu pode ter é capaz de mudar vidas. Ciente de sua importância e a fim de proporcionar uma verdadeira mudança, ele vem ao Brasil (pois mora nos Estados Unidos) passar dois anos morando próximo ao Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário do mundo e que recebe todo o lixo da região metropolitana do Rio de Janeiro. Lá ele pretende trabalhar a parte plástica de seus feitos com o lixo gerado e quer que seja da população o mérito, colocando catadores para ajudá-lo no trabalho.

Como é possível notar, um artista plástico brasileiro erradicado no exterior conseguiu ver ‘além-vida’ num lugar onde só é alvo de despejo. Conseguiu enxergar que os catadores são capazes de conseguir feitos extraordinários quando são bem guiados. O documentário procura relatar a vida daqueles que vivem ali diariamente, catando lixo para poder sobreviver. Procurando naquele monte, que pra muitos é completamente descartável, o material que é possível reciclar, reaproveitar e que acaba voltando para a mesa do brasileiro. Mais do que isso, somos apresentados à vida do catador, apresentados as suas dificuldades, aos seus anseios e também às suas conquistas.

Porém o que diferencia esse filme de outro qualquer que tenha caráter sensacionalista é justamente o fato de que ele não procura ser dramático, mas somente mostrar a realidade dos fatos sem que seja preciso vitimizar os seus protagonistas, tão reais quanto qualquer outra pessoa que você pode encontrar no meio da rua. A arte da transformação passa a ser o companheiro fiel ao longo do documentário, isso porque Vik Muniz procura ajudar a comunidade mostrando a eles como fazer o trabalho. Assim, a obra vem da comunidade e reverte para a mesma, deixando um legado que se eternizará nas paredes das casas ou nas galerias do mundo. A arte de conseguir pegar uma foto com um caráter puramente artístico e permitir transformá-la em uma imagem palpável onde a sua principal obra-prima é o lixo, é permitir que o título do documentário seja do mais apropriado, algo extremamente EXTRAORDINÁRIO, em letras garrafais.

Inevitável seria apresentar esse novo mundo aos catadores que colaboraram e não permitir que eles passem a sonhar com uma vida diferente da que levam. É curioso também que uma visão do próprio Vik no início do longa é completamente mudada com o passar do tempo, ele acreditava que as pessoas eram felizes e satisfeitas com o que faziam no Gramacho, mas posteriormente, enxergando a possibilidade de mudança, ele nota o quão errônea era sua interpretação daquilo tudo, porém sem em momento algum tentar diminuir a importância que aquele trabalho tem mais para o mundo do que própria e unicamente para a sociedade. Envolvido com uma trilha sonora original de sensibilidade aflorada composta pelo músico Moby, Lixo Extraordinário consegue fazê-lo rir e chorar sem mostrar de maneira apelativa essa realidade paralela a nossa sociedade. Este é um filme para se ter na coleção e mais do que isso, para ser visto várias e várias vezes.

9 Respostas

  1. Ahh, que legal Rosbon! Conseguiu o filme onde?
    Vik Muniz tem um trabalho impressionante mesmo, veio no Museu aqui, as exposições são surpreendentes! E toda a ajuda que ele acaba proporcionando às pessoas é digna de todo o reconhecimento! Tomara que esse filme consiga trazer o foco pra esse problema e inspirar outros artistas a essas alternativas.

    Abs!

    • Victor, eu conferi este documentário brilhante em São Paulo. Uma pena sua distribuição ser tão falha, por que ele é brilhante, como o texto define.

  2. Tô bem curiosa para assistir a este filme!

  3. Veio pra cá, mas só pra uma sala e em pouquíssimo tempo de exibição. Acabei não vendo, mas estou super-curioso pra ver, mas sei que só verei depois do Oscar:\

  4. Alguém sabe informar qual a música que toca ao final do filme, já nos créditos?
    Obrigado, abraços.

    • Música: Shot in the back of the head
      Album: Wait for me
      Artista: Moby
      Ano: 2009

      Está disponível pra download gratuito no site do próprio artista.

  5. Agradeço a dica para fazer o download. Fiz um trabalho extenso na escola a partir deste documentário e das imagens.

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