» O Rei Leão 3D

Ainda que eu tenha idade pra poder ter visto O Rei Leão no cinema, não sei exatamente o porquê mas não pude conferir na grande tela e isso sempre foi algo que me frustrou extremamente, isso porque sou um grande fã do filme que marcou minha infância pelas incansáveis vezes que botei a fita VHS (sim, FITA) pra passar esta animação. Assim, quando soube da possibilidade de rever este clássico, sendo que agora no cinema, foi algo que realmente me animou. Ainda que não seja grande fã do cinema 3D, acho que essa conversão não fez tanto mal assim a animação mesmo que ela seja melhor em 2D. Portanto, vou REPOSTAR um texto que fiz um tempo atrás analisando ponto-a-ponto esta animação. Se você ainda não assistiu ao filme, não leia pois contém spoilers:

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Há algumas semanas eu coloquei aqui, através da sessão “Belas Cenas”, uma tomada que muito me comoveu quando criança e que ainda hoje mexe comigo de maneira infantil e ao mesmo tempo ‘agradável’. De qualquer maneira não foi Cinderela, nem Branca de Neve ou mesmo A Bela e a Fera que marcaram minha infância. Não. A animação da indústria Disney que mais me cativou foi sem dúvida a história de Simba, filhote de leão que se mostrava tão inocente quanto qualquer criança e que mais cedo do que imaginava precisou tornar-se adulto e achou por bem fugir de suas responsabilidades ou de suas culpas. O filme aborda pontos interessantes que, sendo visto com um pouco mais de cautela, torna-se base para uma excelente contenda filosófica e sociológica das coisas, o que o torna mais atraente tendo em vista o seu público-alvo e a forma como que será absorvido pelas crianças. Acho que não é necessário contar a história do filme, não é?

Esse clássico originalmente feito pela Disney, não se baseia em fábulas ou clássicos da literatura e trata de pontos de fundamental importância, como falei. Nos diálogos dos personagens, por serem animais, é possível enxergar a real importância do ciclo da vida, da cadeia alimentar e da ‘suposta’ hierarquia dentro da vida selvagem. Concernente ao meio produtivo, da cinematografia, temos aquela coisa clássica que remonta às cores do filme e que é bem típico dos filmes das Disney. O mundo bom e feliz está sempre muito colorido e vivo, ao contrário do mundo underground que se mostra cinza e morto, fato que no já comentado longa A Noiva Cadáver, é o contrário que faz a cena, mostrando que o colorido nem sempre é a vida. Outro método interessante é colocar algumas características do dublador original no personagem da animação, fato que começou a se popularizar e hoje é bem comum, como no caso de Whoopi Goldberg que tem na hiena a sua caracterização facial.

A comparação é outro ponto legal a ser suscitado quando se fala de Rei Leão. Temos o velho maniqueísmo que é representado por Simba/Mufasa (o bem) e Iscar/Hienas (o mal). E pelo que pude notar, fazendo uma alusão do símbolo de Iscar ao de Hitler é que se faz uma cena musical em que aquele discursa e as hienas marcham de maneira correta, feito um exército, como a cena clássica e histórica do Füher. Por outro lado, após todo o acontecido e com o advento da morte de Mufasa, Simba sente-se culpado e por isso foge. Assim encontramos dois personagens que serão fundamentais para que o clima dramático seja quebrado de forma fascinante na história. Timão e Pumba vêm para dissolver o estereótipo de que tudo está acabado e que não vale à pena chorar . Eles têm toda a solução para os problemas: Hakuna Matata. Um lema que é adotado pelos dois e pelo pobre e frágil Simba. Tudo é bem trabalhado e todos os pontos do filme têm um condimento que faz cada cena ser emocionante e instigante como é a do encontro entre Simba e Nala, além da marcante canção de amor dos dois.

Daí em diante surge a luta interior do protagonista sobre o seu regresso ao reino, sobre o fato de achar que não é digno disso e que assim deveria continuar. Grandes diálogos surgem desse conflito. O babuíno, tido como sacerdote do reino, confronta-o através das altercações que pergunta “quem é você?” e Simba diz que sabe quem é, mas o macaco afirma que Simba não se conhece e posteriormente mostra que Mufasa vive dentro dele, fato que o faz enxergar o pai dizer: “lembre-se de quem você é!” e o filho diz: “eu não sou mais quem eu fui”. Sendo usado num mesmo diálogo três tempos que mostram a confusão que pode existir em alguém e dando a lição de que há duas opções: tentar fugir para sempre do passado ou aprender com ele para lutar. Já de volta ao defasado reino é envolvente a espécie de tribunal travado entre Iscar e Simba, sendo outro ponto alto no qual aquele acusa este da morte do pai, um de modo extremamente ousado e o outro coberto pela fraqueza emocional.

Diante de tanta luta e de tanta briga ainda é possível rir e se divertir com, os sempre cômicos, Timão e Pumba que roubam a cena de maneira extremamente cômica e descontraída nas suas lutas contra as hienas. Em suma, o meu maior propósito em escrever esse texto foi dar uma visão do que acredito ter enxergado deste filme que, a primeira vista parece frágil e fútil, mas que mostra ser de grande valia e com uma moral pouco explorada e fortemente necessária para qualquer ser humano. Pode-se dizer que O Rei Leão é daquele filmes que vemos diversas vezes e jamais cansaremos de ver, gratificante é a palavra e a forma que me sinto ao revê-lo, sempre!

9 Respostas

  1. A história de “O Rei Leão” é legal e dá para compreender porque a história marcou tanto uma geração, mas, no meu caso, que assisti ao filme tendo toda essa expectativa, a obra chegou a ser “decepcionante” de tão comum que é…. Para ser bem sincera, prefiro muito mais “A Bela e a Fera”, que me marcou MUITO mais do que esse filme!

  2. o rei leão é quase uma unanimidade, e traz sim um sabor de infância… quase tão nostálgico quanto super 8. tô protelando a ida ao cinema pra ver este. não por vergonha, mas por falta de tempo.

  3. É sempre bom assistir O Rei Leão. Se bobear pego mais uma matinê.
    Abraço.

  4. Fundamentais os pontos que você levanta, e especialmente aquela sequência entre Simba e Rafiki, em que o leão então decide por voltar à sua responsabilidade, entende o seu lugar no ciclo e, finalmente, alcança o pleno amadurecimento. Só essa sequência, que traz os diálogos mais inspirados e inspiradores de qualquer animação já feita, já seria o suficiente para chamar O REI LEÃO de clássico. Mas ele é mais. Ele é soberano.

  5. O 3D não adiciona nada ao filme, mas assisti-lo na tela grande foi inesquecível.

    http://cinelupinha.blogspot.com/

  6. Grande filme! Eu também vi “em fita”, mas já estava na adolescência. Mesmo não revendo tantas vezes, fiquei impressionado com o filme. As imagens são belíssimas e o enredo “Hamlet para crianças” é otimo! Obra-prima da Disney em uma de suas melhores fases.

    Ah, e bem-vindo de volta, Robson! Esperamos mais posts!

  7. Não me conformo de não tê-lo visto em 3D. Desculpe meus exageros, mas, pô, era a única chance que eu tinha e eu não aproveitei. Não sei quanto tempo de vida eu ainda tenho, mas é algo negativo que nunca irei esquecer.

  8. Tive que ler várias vezes a parte do uso dos tempos, mas entendi. rsrsrs

    O Rei Leão é um clássico da Disney, da animação e do cinema. Achei bacana ter citado aí muitos pontos a serem observados que, como você mesmo disse, são impossíveis de perceber numa primeira visita. Mas duas cenas que mais me emocionam nesse filme é a do babuíno dizendo que Simba é Mufasa e, acima de todas, a cena inicial com a canção que fala que o ciclo sem fim que nos guiará (e eu gosto muito mais da versão brasileira). Timão e Pumba, ah, devem ter sido a inspiração para todos esses “coadjuvantes” da Pixar serem tão carismáticos. Não canso de ver esse filme e cantar junto e sair parafraseando loucamente após a sessão.

  9. Concordo com a Kamila e não acho “O Rei Leão” essa obra-prima que todos dizem ser… É um filme que tem uma mensagem bonita e que, certamente, tem um grande poder emocional. No entanto, está longe de ser uma das minhas animações favoritas…

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