» Meia-Noite em Paris

(Nota: 9,5)
Título Original: Midnight in Paris
Gênero: Comédia
Diretor(es): Woody Allen
Roteiristas: Woody Allen
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Tom Hiddleston, Rachel McAdams, Michael Sheen, Marion Cotillard, Alison Pill, Owen Wilson, Adrien Brody, Kathy Bates, Léa Seydoux, Carla Bruni, Corey Stoll.
Duração: 100 minutos.

Há tempos venho admirando cada vez mais o trabalho do mestre Woody Allen (A Rosa Púrpura do Cairo) e certamente se eu fosse um cineasta, meus filmes muito teriam das características “Allenianas”, seus diálogos sempre bem elaborados, seus questionamentos que fogem a regra dos demais personagens. Porém, o que sempre me chamou mais atenção em seus trabalhos é quando ele consegue misturar a imaginação do protagonista com a realidade, fantasia que permite a nós, uma vez espectadores, acompanharmos os passos da mente alheia como se fosse a nossa, nos introduzindo de maneira tal nos longas que o tempo passa sem nem sentirmos.

Gil (Owen Wilson) é um famoso roteirista de Hollywood que se sente frustrado por nunca ter conseguido escrever um livro que realmente o satisfizesse. Agora em Paris, com sua noiva Inez (Rachel McAdamsSherlock Holmes), ele quer sentir a vibração que a cidade o proporciona e assim poder completar seu trabalho. Certo dia, pontualmente a meia-noite, sem a companhia da noiva, Gil é convidado a entrar em um carro e, ao sair, nota que ainda está em Paris, mas aquela dos anos 20, época que mais admira por ter os escritores, diretores e pintores que mais o inspira como Ernest Hemingway (Corey Stoll), Scott Fitzgerald (Tom Hiddleston – Thor), Pablo Picasso, Salvador Dalí (Adrien BrodyPredadores), entre outros. Assim, Gil passa a viver entre seu presente, aparentemente chato e sem conteúdo, e o passado que ele considera como a Era do Ouro.

Ao conferir muitos de seus últimos filmes notei, porém, que Woody vinha perdendo essa magia que beirava entre o imaginário e a realidade, na verdade, era o que mais eu sentia falta. Contudo, reencontrou essa peculiaridade de maneira sutil e bastante agradável quando decidiu fazer o belíssimo Meia-Noite em Paris. Uma história muito bem distribuída e que é capaz de nos fazer viajar na imaginação (se é que se podemos chamar assim) do protagonista que, por sinal e para minha total surpresa, foi belamente interpretado por Owen Wilson.

As participações da lindíssima e talentosa Marion Cotillard (A Origem) e de Adrien Brody deram o tom que o enredo, cheio de grandes figuras, precisava. Sem contar com a curta, mas gratificante atuação de Carla Bruni. Roteiro excelente que nos guia de maneira interessante, fotografia característica de um Allen despretensioso, porém preocupado com o resultado sobre o espectador e uma trilha sonora deliciosa que só faz envolver cada momento do filme de uma maneira tal que somente com Paris de fundo é que dá para compreender. Esse longa é pura poesia e uma belíssima homenagem aos grandes artistas que viveram na década de 20 do século passado, sem contar na clara declaração de amor a cidade de Paris. Assim, é possível, no meu caso, conseguir o feito de sentir saudade (e mais vontade ainda de conhecer) de um lugar que ainda não conheço: Paris.

» A Origem

(Nota: 10,0)
Título Original: Inception
Gênero: Ficção Científica
Diretor(es): Christopher Nolan
Roteiristas: Christopher Nolan.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Cillian Murphy, Tom Berenger, Michael Caine , Lukas Haas, Tohoru Masamune, Talulah Riley, Dileep Rao.
Duração: 148 minutos.

Quando eu era menor e que sabia que alguém aqui de cada ia jogar na mega-sena, projetava minha vida de como seria depois de ganhar na loteria. Pensava e passava a acreditar em tudo que aquilo podia me proporcionar, e então transformava o que era um sonho em vida real e era essa projeção que eu encarava minha vida dali para frente, com casa grande, ter tudo o que desejava, parar de estudar – lógico – e tudo o mais, era como se fosse realidade, porém quando não ganhávamos aquilo caia por terra e eu tinha que conviver com a minha realidade, que não era a que eu realmente desejava depois de achar que podia ser milionário. Logo me lembrei desse pequeno detalhe de minha inocente infância, quando conferi este filme e mais tarde vocês entenderão o porquê.

O mundo não é igual ao que muitos acreditam ser. Nele, é possível invadir os sonhos das pessoas e de dentro deles roubar os segredos mais profundos, guardados no subconsciente delas. Cobb (Leonardo DiCaprio – Foi Apenas Um Sonho) e seu colega Arthur (Joseph Gordon-Levitt – 500 Dias Com Ela), são mestres em roubar essas informações e numa frustrada tentativa de roubo nos sonhos de Saito (Ken WatanabeMemórias de uma Gueixa), estes acabam recebendo a proposta de agirem de forma inversa, fazendo uma inserção ao invés da extração. Assim, terão que fazer o bilionário Richard Fischer (Cillian Murphy) se convencer a dividir o império que seu pai criou com se fosse uma ideia propria e para isso contarão com a ajuda de Ariadne (Ellen Page), Eames (Tom Hardy) e Yusef (Dileep Rao – Avatar). Porém, do subconsciente de Cobb ainda há uma lembrança que o persegue, a de sua mulher Mal (Marion Cotillard –  Inimigos Públicos) que faz o inverso de todos os seus planos e isso nem sempre pode acabar bem.

É complexo falar de um filme em que várias emoções se fundem numa só, mas que ao mesmo tempo consegue invadir as nossas expressões faciais de acordo com cada segundo de pura ação – ou suspense – que passa na nossa frente. É complexo também falar de uma película que sabe manipular perfeitamente bem os pensamentos das pessoas e que não necessita ter que mastigar sua história – não tão simples – para o espectador a todo momento  e que tem total segurança de que, ainda assim, é possível que todos compreendam. Acredito que, antes de tudo, formar uma história que trabalhe com argumentos sólidos e, ao mesmo tempo, surreais não se pode ser feita do dia para noite.

Como se não bastasse ainda ter que repassá-la para um roteiro que não se é permitido falhar para que haja total compreensão de quem confere, juntamente com o fato de reparti-la com uma equipe de diretores de arte, montagem, efeitos, para que assim seja possível sair nos conformes e tal sintonia fazer do filme um sucesso, o sucesso que de fato está acontecendo e que não é em vão, devido sua enorme capacidade de conquistar o espectador sem pedir muito em troca, somente o essencial – para qualquer filme – que é a atenção. Por exemplo, como no caso dos espelhos que Ariadne projeta em sua primeira ‘aventura’ nos sonhos, no qual mostra que posteriormente enfrentaremos uma ‘realidade’ dentro da outra.

Como a total competência na hora de montar um longa que tem um roteiro primoroso, entretanto que deve contar com uma montagem digna, caso contrário descontruiria toda a imponência do roteiro. Quando comentei sobre eu, quando criança, ter criado uma realidade para algo que todos sonham, disse por que pude ver que isso é totalmente possível no mundo de Inception e que muitos dos personagens não conseguiam mais encarar a realidade como, de fato, a realidade. Contudo, ao mesmo tempo fica o questionamento se aquilo que se vive é mesmo a realidade, se não seria algo paralelo, em que se acredita ser verdade. Aí vem a questão do totem que mostra que aquilo é realidade – ou não – e também vem uma dúvida sobre a possibilidade real daquele totem ser detentor de uma possível realidade.

Resumindo, gostaria de dizer que para a dúvida que surgir, alguém pode tentar argumentar de outra forma, no entanto é possível desestruturar o argumento do outro com outra possível dúvida. O que se pergunta, então, é se Christopher Nolan pretende somente deixar a dúvida plantada na nossa cabeça, porém entendo que ele quer que essas discussões existam e que haja pertinência nos questionamentos a serem feitos. Assim, é que cada momento do filme há uma resposta no cantinho, onde somente na segunda, terceira, quarta vez é que enxergaremos, ou em alguns casos logo na primeira. Portanto esse, definitivamente, não é um longa para se ver uma só vez, a cada revisão tenha a certeza de que é possível enxergar mais. Seu ingresso jamais será em vão, seja a primeira, segunda ou terceira sessão.

» Inimigos Públicos

(Nota: 6,0)
Título Original: Public Enemies
Gênero: Drama
Diretor(es): Michael Mann
Roteiristas: Ronan Bennett, Michael Mann, Ann Biderman, Bryan Burrough.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Christian Bale, Johnny Depp, Channing Tatum, Emilie de Ravin, Leelee Sobieski, Marion Cotillard, Billy Crudup, Giovanni Ribisi, David Wenham, Stephen Dorff.
Duração: 143 minutos.

Acho que quem estréia um filme é um fator muito importante também para quem vai assistir. Às vezes, a história nem é tão atraente, mas o simples fato de ter aquele ator ou atriz interessante (pra uns basta ser bonito [a] e pra outros tem que ser talentoso [a]). Eu gosto muito do trabalho de Johnny Depp (A Noiva Cadáver) e já bastaria isso pra conferir, mas ao descobrir que ainda tinha no elenco Christian Bale (Os Indomáveis) e a linda, formosa e talentosa Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor) aí não tive o que questionar e então passou a ser obrigação conferir esse filme ainda no cinema.

John Dillinger (Depp) é um temeroso e inteligente ladrão de bancos que faz ataques em uma grande parte dos Estados unidos da América. Para isso, ele conta com o apoio de boa equipe de ladrões também populares como Baby Face Nelson (Stephen Graham) e Pretty Boy Floyd entre outros. Galante e sempre com muitas mulheres, ele acaba se apaixonando pela entregadora de casacos Billie Frechette (Marion) e resolve viver esse amor. No entanto, na sua condição de bandido e também com o encalço inflexível do agente Melvin Purvis (Bale), ele acaba preso, mas mostra que é possível fugir sem muitos problemas. Porém quando seu relacionamento começa a sofrer as repercussões de sua vida marginal, o clima começa a ficar mais quente e ele tem que tolerar as conseqüências.

Como podem ver é bem possível dizer que é uma história um tanto clichê por se tratar da incansável (ou seria cansável?) história de fuga de gato e rato no velho método Tom & Jerry de ser. O envolvimento de uma mulher na questão não muda muito o fato de que Dillinger é bandido e que é perseguido de maneira incessante pela polícia. Aliado a isso temos um roteiro que permanece num vai-e-vem infatigável e que não determina qual o foco central da história, sempre variando entre as fugas mortais do bandido e seu relacionamento com Billie. Acho que o fato de o roteiro ser bem variável e não ter um propósito maior, compromete toda a estrutura de um filme que poderia ter sido mais bem trabalhado.

As atuações, com destaque para Depp e Marion, são bem louváveis e desempenham seus papéis sem muitos percalços. Depp sempre com sua peculiaridade que dá um tom a mais no personagem e Marion despida da figura de Piaf e envolta num personagem humilde, mas intenso, mostrando que não existe a maldição da ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, assim como Hilary Swank já havia corroborado antes em Meninos não choram e depois em Menina de Ouro. Acho que o maior ‘arrojo’ de Inimigos Públicos está no simples fato de persistir na idéia de fuga sem dar um propósito maior à questão, caindo na mesmice de um filme de grandes ladrões e policiais insistentes.