≈ Argo ≈

de Ben Affleck (2012)

Sempre que assisto aos filmes hollywoodianos sobre conspirações internacionais e revoltas de terroristas, não consigo achar tanta realidade em tanta conspiração, às vezes parece mais uma história no melhor estilo Dan Brown. Ben Affleck foi além e preferiu pegar uma história que parecia realmente de cinema e a transformou em cinema juntamente com os roteiristas Chris TerrioJoshuah Bearman. Argo trabalha com o que acreditamos ser impossível.

A tentativa de resgate de seis americanos foragidos da Embaixada (que foi tomada por iranianos revoltosos) em um país completamente tomado pela raiva e revolta contra os americanos se mostra completamente impossível, todo cidadão iraniano parecia era um potencial delator. Enxergamos assim que o roteiro do filme nos leva pelo caminho de jamais tornar vilões os iranianos visto que há completa exposição do que o povo do Irã sofreu nas mãos do Xá que os americanos acolheram em suas terras.

A direção tem um preciosismo que deixa o espectador confortável, além disso Affleck contou com uma fotografia ousada, uma montagem excelente e uma equipe de atores que torna o filme ainda mais interessante. Alan Arkin está sublime e não é à toa que vem sendo indicado nas premiações. Sem dúvida um dos melhores filmes lançados no ano passado, digno de ser revisto.

Elenco: Ben Affleck, Alan Arkin Bryan Cranston .

Roteiro: Chris Terrio Joshuan Bearman

(Nota: 9,5)

» Atração Perigosa

(Nota: 8,0)
Título Original:The Town
Gênero: Drama
Diretor(es): Ben Affleck
Roteiristas: Peter Craig, Ben Affleck e Aaron Stockard, baseados no livro de Chuck Hogan.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Blake Lively, Ben Affleck, Jeremy Renner, Jon Hamm, Rebecca Hall, Pete Postlethwaite, Chris Cooper, Titus Welliver.
Duração: 125 minutos.

Certa vez estava conversando sobre filmes com alguém e comentamos que todo filme tem que ter algum envolvimento amoroso dos personagens, como se fosse um item obrigatório pra torná-lo bom, ainda que tal relação seja apresentada em segundo plano. É lógico que as exceções existem, mas são bem poucas e não necessariamente estão entre os filmes mais vistos ou ‘aceitos’ sabe-se lá por que. Comento isso por entender que a diferença entre este filme e todos os demais que tratam sobre tema semelhante é justamente essa: o envolvimento emocional de um dos personagens sendo que, de certa forma, primeiro plano.

Doug MacRay (Ben AffleckPearl Harbor) vive em um bairro onde já se tornou tradição o roubo de carro, assalto à mão armada e também roubo de bancos. Seu pai já vivia nessa vida e, naturalmente, ele entrou para o mesmo ramo de assalto a bancos. Seus planos procuram ser extremamente bem arquitetados e tudo deve ser cumprido nos mínimos detalhes. Na cola do grupo, tem o FBI que investiga há tempos os assaltos, entretanto não consegue provas conclusivas. Em um assalto eles levam como refém Claire Keesey (Rebecca Hall – Vicky Cristina Barcelona) que é solta logo em seguida. Seu parceiro Jem (Jeremy RennerGuerra ao Terror) descobre que a moça mora há quatro quarteirões do bando e Doug fica encarregado de vigiá-la, porém após uma conversa eles começam a se conhecer melhor.

O tema de roubo a bancos já é tratado há muito tempo no universo Hollywoodiano, muitos deles são completamente fracassados, assim como também tem os que são exaltados pela sua ousadia ou pela surpresa de como saiu tudo no final. Curiosamente neste tipo de filme, nós não desejamos que os bandidos acabem mal, geralmente somos levados pelo roteiro a torcer para que o ‘bad guy’ se dê bem no final, de alguma forma. No longa em questão não é nem um pouco diferente, porém soma-se isso ao fato do ‘bandidão’ ter se apaixonado justamente pela ‘mocinha’ e ter se tornado algo recíproco sem que ela soubesse da verdadeira identidade de seu amante.

Temos uma grata surpresa na direção do filme que nos mostra de uma forma agradável sobre a história, sem que essencialmente seja um filme completo de ação, mas creio que isso em momento algum prejudica um pouco a fita. Em termos gerais, é um bom filme e tem ótimos momentos com base em uma direção nada preguiçosa. Tem uma atuação de destaque de Jeremy Renner. No entanto, é menos do que todos andavam alarmando, tem sua função, mas nada que realmente nos deixe ficar boquiabertos. O destaque também se encontra na pessoa de Ben Affleck (Medo da Verdade) por trás das câmeras que só vem se confirmando como um novo Clint Eastwood ou Woody Allen, que é nos bastidores que tem seu maior talento.

» Medo da Verdade

(Nota: 9,0)
Título Original: Gone Baby Gone
Gênero: Drama
Diretor(es): Ben Affleck
Roteiristas: Aaron Stockard e Ben Affleck, baseado em livro de Dennis Lehane
Ano de Lançamento: 2007.
Elenco: Casey Affleck, Michelle Monaghan, Morgan Freeman, Ed Harris, John Ashton, Amy Ryan, Amy Madigan, Titus Welliver, Michael K. William.
Duração: 114 minutos.

É natural que exista certo preconceito com diretores iniciantes. Ainda mais quando esse diretor é, na verdade, ator e não é dos mais louváveis, dos mais talentosos por assim dizer. Dessa maneira, nunca teria vontade de conferir um filme dirigido por Ben Affleck se não fossem todos os comentários feitos em torno dele no ano de seu lançamento mas que só pude conferir agora. A premissa é interessante, porém a primeira vista é somente mais uma história de seqüestro que não deu certo. Contudo é notório que o filme tem um quê a mais que fez tantas pessoas o admirarem, tanto no lançamento como ainda hoje. É lógico que tem quem não goste tanto assim, mas isso não é maioria, assim creio.

Patrick Kenzie (Casey Affleck – O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) e Angela “Angie” Gennaro (Michelle MonaghanO Melhor Amigo da Noiva) são namorados e também trabalham juntos. Eles são detetives particulares e acabam sendo contratados para investigar um caso que tem toda repercussão em cima de uma garotinha chamada Amanda McCready que foi seqüestrada quando estava em casa, supostamente com sua mãe. Porém, ao adentrarem nas histórias acabam descobrindo que nada é de fato o que aparenta ser e isso vai deixando-os cada vez mais envolvidos com esse caso estranhamente misterioso. Privando-se de suas vidas, eles começam a entrar mais fundo do que naturalmente fariam, por acreditarem que é mais uma questão pessoal do que profissional.

É inevitável que quem veja a primeira vista não lembre do caso Madeleine, a pequena garotinha que desapareceu quando estava de férias com os pais em Portugal, isso porque a própria garotinha do filme lembra a menina. O contexto produtivo do filme ajuda e adjudica que o estreante diretor tem uma ‘pegada’ interessante para a direção que está competente. A montagem do filme é simples, contudo bem precisa. Já seu roteiro tem sempre um ar de surpresa, o que nos faz ficar vidrados tendo sempre a impressão que algo surpreendente vai acontecer e mudar completamente o rumo da história, fator de tensão em vários momentos.

E, de fato, é exatamente isso que acontece mudando a temática do filme e nós terminamos por ser levados para outro foco e não mais aquele inicial. A fita nos proporciona um turbilhão de emoções e fazendo-nos ter raiva de certas atitudes e fatos que são fundamentais para compreendermos, ou não, o fim da história. Questionamentos vêm a nossa cabeça como: “Os fins justificam os meios?” diante das atitudes tomadas por alguns personagens. Assim como: “Tal atitude deve ser tomada segundo suas convicções ou somente para seu bem-estar?” E o mais interessante é que essas perguntas não são propriamente respondidas com o término do longa, elas deixam no ar nossos questionamentos, com perguntas sobre se foi correta a atitude do protagonista. A película é fantástica e emocionante, surpreendendo a cada instante e com um desfecho que é bastante questionável, mas é justamente nesse ponto que está o brilhantismo do roteiro.