» O Palhaço

(Nota: 10,0)
Título Original: O Palhaço
Gênero: Drama, Comédia
Diretor(es): Selton Mello
Roteiristas: Selton Mello, Marcelo Vindicato
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Paulo José, Selton Mello, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Álamo Facó, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Hossen Minussi, Maira Chasseroux, Thogun, Bruna Chiaradia.
Duração: 90 minutos.

Umas das coisas mais curiosas do ser humano é o seu senso de humor. Achar que alguém que é humorista, palhaço ou comediante é sempre bem humorado e faz todo mundo rir é algo que parece mais natural impossível. Contudo, quem somos nós para medirmos o quão um palhaço é realmente feliz? Porque, mesmo fora do palco, nós achamos que ele deve fazer graça e piada das coisas? O segundo filme de Selton Mello nos mostra uma vida de palhaço, contudo não somente a sua energia como aquele que leva risos e felicidade aos demais, é também entregue um personagem cheio de dúvidas sobre tudo a sua volta.

O roteiro tem uma simplicidade e, ao mesmo tempo, uma complexidade que poucos conseguem manifestar de forma tão admirável em uma tela de cinema. Os dilemas que Benjamin (Selton Mello) carrega em sua vida o fazem questionar se verdadeiramente é aquele seu ambiente, se realmente é daquele jeito que ele quer que todos os indivíduos olhem para ele. A fotografia consegue captar uma magia que só o circo consegue traduzir principalmente nos momentos do palco, além da captura apaixonada da felicidade dos personagens de circo que ficam maravilhados a cada espetáculo. É possível também ver os momentos do olhar triste de um palhaço que não precisam de palavras pra expressar seu sentimento.

A trilha sonora é outro diferencial que sabe se colocar em quadros preciosos do longa, assim como sua ausência é imprescindível para a captação do sentimento real do personagem em outros momentos. O seu final é muito bonito, emocionante e procura nos passar uma mensagem deveras simples, todavia fundamental para nossas vidas. Selton nos entrega uma película cheia de sorriso e também reflexão. Obra sublime que figurará entre os meus prediletos do ano.

Obs.: O Palhaço estreia hoje nos cinemas de todo o Brasil.

» Feliz Natal (e Feliz Natal de verdade!) =)

(Nota: 8,0)
Título Original: Feliz Natal
Gênero: Drama
Diretor(es): Selton Melo
Roteiristas: Selton Mello e Marcelo Vindicatto
Ano de Lançamento: 2008.
Elenco: Leonardo Medeiros, Darlene Glória, Paulo Guarnieri, Graziella Moretto, Lúcio Mauro, Emiliano Queiroz, Bita Catão.
Duração: 100 minutos.
Trailer: Clique Aqui!

Acho que Selton Melo é uma das maiores revelações que o cinema brasileiro pôde ter nos últimos anos. Um ator com um poder de interpretação impressionante e que vemos que se entrega aos personagens como uma mãe se entrega aos seus filhos e isso é importante pra o trabalho seja bem feito. Sendo assim, ele se encantou também pelo outro lado do cinema, ao invés de está na frente viu que poderia ficar a trás e dar ordens ao invés de recebê-las. Fui conferir no cinema aquele que é o primeiro filme de Selton Melo como diretor, já que admiro seu trabalho que se mostra sempre competente.

Caio (Leonardo MedeirosO Cheiro do Ralo) tem 40 anos e trabalha em um ferro-velho no interior. Ele, no passado, levou uma viva bastante conturbada e perigosa e saiu vivo por muito pouco desse passado. Fazendo um recapitulo da sua vida, vê que é hora de ir a capital e reencontrar sua família no período natalino. Chegando lá encontra seu irmão Theo (Paulo Guarnieri – Amor de Perversão) que está com o casamento em crise, seu pai que vive com uma garota com idade pra ser sua neta, sua mãe (Darlene Glória) que vive a base de remédios e bebidas e sua cunhada (Graziella Moretto) que vive cada vez mais frustrada com o casamento. Sua presença altera a vida dessas pessoas e ele está ali procurando qual é sua identidade.

O que encontramos num filme de um diretor de primeira viagem que infelizmente não tem tantos recursos em um país no qual o cinema não é bem tratado? Algo que surpreende. Em diversos aspectos dou-lhe os pontos positivos a Feliz Natal. É possível que nós tenhamos boas atuações, haja vista que a intensidade do filme se dá pelo fato da filmagem tratar do detalhe, tratar de filmar a expressão de perto sem medo de que o ator/atriz não atinja tal sentimento que de requer para a cena. É necessário que se faça uma boa interpretação num filme em que a carga emocional é forte, num filme em que a infelicidade impera numa família e que te faz refletir se você é realmente feliz ou mesmo lhe mostra com todas as letras que você é feliz e que, de fato, aquilo existe. Um termo interessante no filme é o fato de palavras não serem necessárias em alguns aspectos o que nem sempre soa como bom mas que em alguns momentos olhares e gestos bastam.

A necessidade de se fazer uma reflexão, de analisar o social e de mostrar que o dinheiro ou até mesmo a falta dele não vai dizer ou definir se você é ou não feliz. Esse propósito é interessante. Agora algumas coisas me irritaram no filme, como por exemplo, a Trilha Sonora. Por favor, quem viu não me venha dizer que é boa. Ela é irritante, eu já não mais agüentava aquela música. A montagem não é das melhores e a fotografia pra mim é um enigma, já que não creio que a falta de luz seja o melhor remédio pra demonstrar a melancolia e a infelicidade. O título é um tanto provocativo, porque sai do cinema com uma certeza, de que se fosse pra ser verdadeiro, era melhor ser chamado de Infeliz Natal.

Nota: Quero desejar a todos aqueles visitam o Portal Cine, um Excelente Natal. Que todos vocês possam aproveitar essa festa que comemora o nascimento de Cristo e que muitas vezes é deturpada pela imagem do Papai Noel que, infelizmente, é algo somente comercial. Que Deus abençoe a todos e que Ele possa iluminá-los nesse fim de ano e que realize todos os desejos de vocês.