≈ Argo ≈

de Ben Affleck (2012)

Sempre que assisto aos filmes hollywoodianos sobre conspirações internacionais e revoltas de terroristas, não consigo achar tanta realidade em tanta conspiração, às vezes parece mais uma história no melhor estilo Dan Brown. Ben Affleck foi além e preferiu pegar uma história que parecia realmente de cinema e a transformou em cinema juntamente com os roteiristas Chris TerrioJoshuah Bearman. Argo trabalha com o que acreditamos ser impossível.

A tentativa de resgate de seis americanos foragidos da Embaixada (que foi tomada por iranianos revoltosos) em um país completamente tomado pela raiva e revolta contra os americanos se mostra completamente impossível, todo cidadão iraniano parecia era um potencial delator. Enxergamos assim que o roteiro do filme nos leva pelo caminho de jamais tornar vilões os iranianos visto que há completa exposição do que o povo do Irã sofreu nas mãos do Xá que os americanos acolheram em suas terras.

A direção tem um preciosismo que deixa o espectador confortável, além disso Affleck contou com uma fotografia ousada, uma montagem excelente e uma equipe de atores que torna o filme ainda mais interessante. Alan Arkin está sublime e não é à toa que vem sendo indicado nas premiações. Sem dúvida um dos melhores filmes lançados no ano passado, digno de ser revisto.

Elenco: Ben Affleck, Alan Arkin Bryan Cranston .

Roteiro: Chris Terrio Joshuan Bearman

(Nota: 9,5)

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» O Rei Leão 3D

Ainda que eu tenha idade pra poder ter visto O Rei Leão no cinema, não sei exatamente o porquê mas não pude conferir na grande tela e isso sempre foi algo que me frustrou extremamente, isso porque sou um grande fã do filme que marcou minha infância pelas incansáveis vezes que botei a fita VHS (sim, FITA) pra passar esta animação. Assim, quando soube da possibilidade de rever este clássico, sendo que agora no cinema, foi algo que realmente me animou. Ainda que não seja grande fã do cinema 3D, acho que essa conversão não fez tanto mal assim a animação mesmo que ela seja melhor em 2D. Portanto, vou REPOSTAR um texto que fiz um tempo atrás analisando ponto-a-ponto esta animação. Se você ainda não assistiu ao filme, não leia pois contém spoilers:

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Há algumas semanas eu coloquei aqui, através da sessão “Belas Cenas”, uma tomada que muito me comoveu quando criança e que ainda hoje mexe comigo de maneira infantil e ao mesmo tempo ‘agradável’. De qualquer maneira não foi Cinderela, nem Branca de Neve ou mesmo A Bela e a Fera que marcaram minha infância. Não. A animação da indústria Disney que mais me cativou foi sem dúvida a história de Simba, filhote de leão que se mostrava tão inocente quanto qualquer criança e que mais cedo do que imaginava precisou tornar-se adulto e achou por bem fugir de suas responsabilidades ou de suas culpas. O filme aborda pontos interessantes que, sendo visto com um pouco mais de cautela, torna-se base para uma excelente contenda filosófica e sociológica das coisas, o que o torna mais atraente tendo em vista o seu público-alvo e a forma como que será absorvido pelas crianças. Acho que não é necessário contar a história do filme, não é?

Esse clássico originalmente feito pela Disney, não se baseia em fábulas ou clássicos da literatura e trata de pontos de fundamental importância, como falei. Nos diálogos dos personagens, por serem animais, é possível enxergar a real importância do ciclo da vida, da cadeia alimentar e da ‘suposta’ hierarquia dentro da vida selvagem. Concernente ao meio produtivo, da cinematografia, temos aquela coisa clássica que remonta às cores do filme e que é bem típico dos filmes das Disney. O mundo bom e feliz está sempre muito colorido e vivo, ao contrário do mundo underground que se mostra cinza e morto, fato que no já comentado longa A Noiva Cadáver, é o contrário que faz a cena, mostrando que o colorido nem sempre é a vida. Outro método interessante é colocar algumas características do dublador original no personagem da animação, fato que começou a se popularizar e hoje é bem comum, como no caso de Whoopi Goldberg que tem na hiena a sua caracterização facial.

A comparação é outro ponto legal a ser suscitado quando se fala de Rei Leão. Temos o velho maniqueísmo que é representado por Simba/Mufasa (o bem) e Iscar/Hienas (o mal). E pelo que pude notar, fazendo uma alusão do símbolo de Iscar ao de Hitler é que se faz uma cena musical em que aquele discursa e as hienas marcham de maneira correta, feito um exército, como a cena clássica e histórica do Füher. Por outro lado, após todo o acontecido e com o advento da morte de Mufasa, Simba sente-se culpado e por isso foge. Assim encontramos dois personagens que serão fundamentais para que o clima dramático seja quebrado de forma fascinante na história. Timão e Pumba vêm para dissolver o estereótipo de que tudo está acabado e que não vale à pena chorar . Eles têm toda a solução para os problemas: Hakuna Matata. Um lema que é adotado pelos dois e pelo pobre e frágil Simba. Tudo é bem trabalhado e todos os pontos do filme têm um condimento que faz cada cena ser emocionante e instigante como é a do encontro entre Simba e Nala, além da marcante canção de amor dos dois.

Daí em diante surge a luta interior do protagonista sobre o seu regresso ao reino, sobre o fato de achar que não é digno disso e que assim deveria continuar. Grandes diálogos surgem desse conflito. O babuíno, tido como sacerdote do reino, confronta-o através das altercações que pergunta “quem é você?” e Simba diz que sabe quem é, mas o macaco afirma que Simba não se conhece e posteriormente mostra que Mufasa vive dentro dele, fato que o faz enxergar o pai dizer: “lembre-se de quem você é!” e o filho diz: “eu não sou mais quem eu fui”. Sendo usado num mesmo diálogo três tempos que mostram a confusão que pode existir em alguém e dando a lição de que há duas opções: tentar fugir para sempre do passado ou aprender com ele para lutar. Já de volta ao defasado reino é envolvente a espécie de tribunal travado entre Iscar e Simba, sendo outro ponto alto no qual aquele acusa este da morte do pai, um de modo extremamente ousado e o outro coberto pela fraqueza emocional.

Diante de tanta luta e de tanta briga ainda é possível rir e se divertir com, os sempre cômicos, Timão e Pumba que roubam a cena de maneira extremamente cômica e descontraída nas suas lutas contra as hienas. Em suma, o meu maior propósito em escrever esse texto foi dar uma visão do que acredito ter enxergado deste filme que, a primeira vista parece frágil e fútil, mas que mostra ser de grande valia e com uma moral pouco explorada e fortemente necessária para qualquer ser humano. Pode-se dizer que O Rei Leão é daquele filmes que vemos diversas vezes e jamais cansaremos de ver, gratificante é a palavra e a forma que me sinto ao revê-lo, sempre!

» Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

(Nota: 10,0)
Título Original: Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2
Gênero: Aventura
Diretor(es): David Yates
Roteiristas: Steve Kloves, J.K. Rowling
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Ralph Fiennes, Michael Gambon, Alan Rickman, Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Evanna Lynch, Domhnall Gleeson.
Duração: 130 minutos.

Lembro-me perfeitamente bem na primeira vez que tive contato com Harry Potter. Foi na escola, quando fazia a quinta série, em 1999. Um amigo estava lendo o primeiro livro e mesmo escutando só elogios não me interessei e acabei negando ‘viver’ a realidade do mundo do menino-bruxo até 2004, quando numa viagem de férias peguei o livro do meu primo emprestado e não precisou de mais nada. Devorei os quatro primeiros livros que já tinham sido lançados e, como qualquer outro fã da época, fiquei deveras ansioso por cada novo volume que estava pra ser lançado. Com os filmes não foi diferente, até que na semana passada chegou ao fim uma das sagas mais bem sucedidas da história do cinema.

A responsabilidade de David Yates foi grande. Afinal, assumir filmes que tem uma linha de fãs tão fervorosos não é nem um pouco fácil, contudo a cada filme que foi nos apresentando desde A Ordem da Fênix, podemos enxergar que a série tomava caráter mais maduro e, por isso, Yates tinha que optar em empregar um ar mais denso e com maior responsabilidade. Este último é talvez o mais esperado de todos, onde tudo se resolve, onde a profecia, por fim, se realiza. E é bem possível afirmar que ele agrada por conseguir ir além do que queríamos ver, por demonstrar que não só a batalha em si é importante, mas todo seu contexto, todo o desenrolar que a história deve ter pra chegar ao clímax.

O diretor David Yates, que agora goza de importante notoriedade no meio cinematográfico, procurou tratar com bastante propriedade cada momento da película, já que são extremamente determinantes para o desenlace da trama que tem suas complicações. A história conta com encerramentos cogentes para se compreender tudo que se foi contado ao longo de sete livros e por isso se mostra tão basilar. Enxergamos que não houve receio algum, destarte, de construir-se um filme no qual algumas partes necessariamente tiveram que ser sacrificadas em prol de outros momentos que obtiveram mais veracidade em sua totalidade, admitindo a nós compreender cada passo até ali construído.

Sem quaisquer sombras de dúvidas, este longa obteve o êxito máximo de toda a saga e é, conseqüentemente, o melhor de todos. Indo da direção responsável, passando por uma fotografia de extremo bom gosto que preza por cada movimento que é capaz de denunciar o que vem a seguir, sendo, assim, um deleite as nossas vistas, até uma trilha sonora que consegue ser muito marcante sem se tornar tediosa, Alexandre Desplat consegue reeguer-se neste filme compondo algo mais comovente e forte ao mesmo tempo, fato que não foi tão impetuoso na fita anterior. As atuações, que nunca foram ponto marcante na saga, conseguem transpor barreiras nesse longa, com especial destaque para Alan Rickman que, como professor Snape, empregou um dos melhores momentos desta fita. Precisei ver duas vezes no cinema para poder tentar rabiscar essas linhas que aqui se encontram e ainda assim não acredito que seja o suficiente, assim sendo verei novamente… e novamente… e novamente…

» Thor

(Nota: 8,5)
Título Original: Thor
Gênero: Aventura
Diretor(es): Kenneth Branagh
Roteiristas: Ashley Edward Miller, Zack Stentz, Don Payne, J. Michael Straczynski, Mark Protosevich, Stan Lee, Larry Lieber, Jack Kirby.
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård, Kat Dennings, Clark Gregg.
Duração: 93 minutos.

Acho que todos já estão cansados de saber que eu nada sei das histórias em quadrinho da Marvel, contudo, sou fã dos filmes que são produzidos e baseados em suas histórias, pois sempre gostei de absorver longas que tratam de ficção e que envolva magia ou forças que normalmente não estão dispostas a um cidadão comum. Assim, Homem de Ferro, Hulk, Homem-Aranha, Batman e os demais sempre me deixaram fascinado ao conferir seus filmes (ok, nem todos conseguiram isso). E acho que, por nada saber de sua história, foi mais interessante ainda conferir Thor e sair creditando ao seu resultado o final foi positivo.

A história tem uma premissa super interessante somente quando o espectador se permite entrar no universo da história do super-herói. Vindo de outro planeta chamado Asgard, Thor (Chris Hemsworth – Star Trek) é exilado na Terra por ter desobedecido as ordens do rei (Anthony Hopkins – O Lobisomem), seu pai. Assim, ele foi expulso de seu mundo para que pudesse aprender com os seus próprios defeitos, muita coisa acontece nesse meio tempo, mais no seu mundo do que na Terra. Portanto, nota-se claramente que é um enredo bastante fantasioso e que necessita do espectador a tolerância para o que será abordado em tela.

O filme é repleto de efeitos que se mostram deveras convincente e são realmente bastante necessários para que possa dar total veracidade ao universo abordado pelo longa, aliado a isso tem uma computação gráfica conveniente que se mistura a uma maquiagem bem elaborada, especialmente em torno dos Jötunheim. O grande destaque de elenco vai para Antony Hopkins que corrobora seu talento de forma bastante significativa como um sábio rei. É uma história que consegue persuadir ainda que alguns aleguem a rapidez do roteiro (que ao meu ver, em sua dinamicidade, há uma leve confusão com a pressa) e a superficialidade na relação entre Jane e Thor (que penso ser algo pertinente, por ambos serem ‘criaturas’ de diferentes mundos). Vale conferir, então e assim tirar sua própria conclusão.

P.s.: Não deixe de assistir após os créditos finais (mas finais MESMO, quando você acha que não acaba mais) uma cena extra que, creio, terá forte impacto sobre o filme Os Vingadores.

» O Turista

(Nota: 4,5)
Título Original:The Tourist
Gênero: Ação
Diretor(es): Florian Henckel von Donnersmarck
Roteiristas: Florian Henckel von Donnersmarck, Christopher McQuarrie, Julian Fellowes, Jérôme Salle.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff, Rufus Sewell,.
Duração: 103 minutos.

Existem certos filmes que o clichê é bastante inevitável, porém um roteiro bem arquitetado pode tentar contornar esse lugar-comum de forma simples e sem alarde ou então torná-los bastante agradáveis sem querer ser algo pretensioso. É justamente aí que vários filmes conseguem se salvar do fiasco. O filme em questão, também está repleto dos clichês mais óbvios do cinema, entretanto o que o diferencia dos demais é que o roteiro não se preocupa de desviá-los ou ao menos suavizá-los, tornando a história algo extremamente fraco e sem muito sentido.

Elise Clifton-Ward (Angelina JolieA Troca) está sendo vigiada em todos os seus passos. Após receber um recado bastante importante, ela foi instruída de pegar um trem que passará às 8h22min e que segue para Veneza, e nele deve procurar alguém que tenha o porte de Alexander Pearce. Assim ela o faz e conhece o solitário professor Frank Tupelo (Johnny DeppAlice no País das Maravilhas). Daí em diante ela o envolve numa série de eventos que deveriam ter um ‘step’. John Acheson (Paul Bettany) e toda a Scotland Yard estão, na verdade, atrás de Alexander em razão do mesmo ter roubado um gangster e ainda dever impostos a Coroa Inglesa.

Como já foi comentado, é inevitável não analisar esse filme sem tocar no nome clichê. Porque como vocês podem notar o filme não passa do mais óbvio no quesito espionagem, e acho que nós, em parte, acabamos vendo mais do mesmo e assim nada inova. Para completar, o roteiro tenta nos pregar ‘peças’ que realmente não conseguem ser nem um pouco válidas por serem tão evidentes como toda a trama que as envolve. Na verdade, nem posso dizer que a história em si é promissora porque ela não traz nada de novo ao espectador que só consegue notar o filme morno ao extremo que este é, assim como atuações sem qualquer expressão de Jolie e Depp. Realmente, vê-lo é uma perda de tempo.

» Karatê Kid

(Nota: 9,0)
Título Original: The Karate Kid
Gênero: Aventura
Diretor(es): Harald Zwart
Roteiristas: Christopher Murphey, baseado em argumento de Robert Mark Kamen.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han, Rongguang Yu, Zhensu Wu, Zhiheng Wang, Zhenwei Wang.
Duração: 140 minutos.

Muitos amigos meus que gostam e idolatram Jackie Chan estão cansados de saber que ele não me desce. As suas cenas podem ser das mais ágeis e impressionantes, mas acho que sua mescla com a comédia faz perder qualquer admiração pela sua enorme habilidade na arte marcial. Esse já era um dos motivos pra não conferir este filme. Outro motivo seria o fato de que remake por remake já se deve ter um pé atrás, ainda mais quando se trata da versão de um longa que fez e faz muito sucesso. Entretanto, achei por bem dá um voto de confiança a este e acabei me surpreendendo.

A mãe (Taraji P. HensonO Curioso Caso de Benjamin Button) de Dre Parker (Jaden Smith) foi transferida do trabalho nos EUA, assim eles tiveram que ir morar em Pequim. Ao chegar, ele conhece uma garota que chama sua atenção, Meiying (Han Wenwen). Porém isso não agrada Cheng (Zhenwei Wang) que é próximo a família da garota e acha que deve protegê-la. Com isso, há uma grande briga entre os dois e a perseguição continuará um com o outro. Ao ser desafiado para lutar no Torneio Aberto de Kung Fu, Dre passará a ter o auxílio do zelador do seu prédio, Sr. Han (Jackie Chan) que também é mestre dessa arte marcial.

Não tenho nada contra o fato de muitos artistas quererem introduzir seus filhos e filhas no mundo que eles vivem. Temos bons exemplos disso como também péssimos exemplos. No caso de Jaden, eu não sabia o que esperar já que só vi o seu primeiro filme no qual ele tinha 8 anos e atuou (leia-se falou) bem pouco. Porém nesta fita, ele é o personagem principal e é perfeitamente notável que o ‘muleque’ tem futuro nesse ramo. Ele soube desenvolver bem o seu papel e consegue ter uma veia cômica bem mais competente do que a do seu pai, logicamente, a meu ver.

O roteiro não tem muito o que inovar e mostra, através de uma nova roupagem, o mesmo duelo que Daniel Sun teve na obra original. Assim, temos um desenvolvimento proporcional por parte do roteirista, sem que se mostre extremamente apressado em caracterizar a evolução do garoto na arte marcial. Acho que isso demonstrou um empenho com a formação dele antes mesmo de seus dons ‘aparecerem’. A trilha também é das boas, mas o que me impressiona é a atuação de Chan (mesmo ele não sendo um ator notável) que se sai bem melhor no lugar de um mestre experiente de kung fu do que um palhaço que sabe lutar bem.

» Onde Vivem Os Monstros

(Nota: 8,5)
Título Original: Where the Wild Things Are
Gênero: Aventura
Diretor(es): Spike Jonze
Roteiristas: Spike Jonze e Dave Eggers, baseado em livro de Maurice Sendak.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Max Records, Pepita Emmerichs, Max Pfeifer, Madeleine Greaves, Joshua Jay, Ryan Corr, Catherine Keener, Steve Mouzakis, Mark Ruffalo.
Duração: 101 minutos.

Creio que toda criança tem um imaginário fora do comum, pelo menos a maioria consegue pegar um simples papel e fazer dele a sua diversão por horas a fio, sem que fundamentalmente ele seja um objeto direto de diversão. Da mesma forma, existe criança que seu imaginário vai pra um mundo paralelo e não é permitido dizer que elas são autistas ou algo do tipo, a sua inocência faz com que sejam levadas pela pura imaginação onde todos são bons e fazem o que ela deseja, com a diversão sendo sua companheira fiel, porém às vezes a sua mente se confunde e a diversão também pode mudar pra medo ou raiva.

Max (Max Records) é uma jovem criança, sonhador ao extremo, ele provoca mal-criações para a sua mãe (Catherine Keener – Na Natureza Selvagem) em razão da presença de um homem (Mark Ruffalo – Ilha do Medo) em sua casa que não é seu pai. Castigado, vai para seu quarto sem poder jantar, porém ele resolve fugir no meio da noite. Com sua imaginação a flor da pele, ele cria uma ilha na qual vai de barco e lá pode encontrar vários monstros que vivem em bando. Evitando ser ‘comido’ por eles, Max diz que tem superpoderes e logo é declarado rei pelos bichos. Ele cria uma enorme lista de tarefas divertidas para a tristeza não reinar na ilha, mas nem sempre tudo é pura diversão.

A forma como garoto-protagonista nos é apresentado e como é mostrado nos primeiros minutos de filme é algo bem particular e interessante, além de inteligente. Outro fator que me chamou bastante a atenção foi a dublagem dos monstros, que é feita de uma forma diferente. O tema em si não é algo tão novo, quando se tem aquela questão de até onde vai o limite entre a realidade e a imaginação?

E é através desses limites e também em razão da emoção é que a história se finaliza porque nem sempre viver de imaginação é a melhor coisa do mundo. Enfim, sabe aqueles filmes que não tem a história mais fantástica do mundo, mais intrigante do mundo e afins, mas que da mesma forma consegue conquistar pela sua simplicidade, pela sua sutileza? Acho que assim é que podemos classificar esse que é um dos filmes subestimados dos últimos tempos, merecia mais crédito.