» Toy Story 3

(Nota: 8,5)
Título Original: Toy Story 3
Gênero: Animação
Diretor(es): Lee Unkrich
Roteiristas: Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen (1), Joan Cusack, Ned Beatty, Don Rickles, Michael Keaton, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Estelle Harris.
Duração: 103 minutos.

Todo mundo tem uma animação “pra chamar de sua” quando era pequeno. Aquela animação que gerou brinquedos, toalhas, copos e tudo o mais e que sempre ficou na cabeça da criança e que quando adulta tem lembranças com carinho. O mesmo acontece com os brinquedos que são os companheiros fiéis de nós quando pequeninos, que nos fazem criar situações inimaginavelmente revolucionárias e cheias de muita aventura e de bastante alegria no final da história. E é inevitável não enxergar esses dois fatos marcantes assim que começam os primeiros minutos de Toy Story 3.

O tão querido e brincalhão Andy tinha que crescer um dia e com isso já não mais brincava com seus brinquedos, ele está com 17 anos e está prestes a ir para a faculdade. Precisando arrumar seu quarto para definir o que vai e o que fica, Andy pega seus antigos brinquedos com exceção de Woody e os prepara para levar para o sótão, porém sua mãe se confunde e os coloca no lixo. Conseguindo escapar, os brinquedos Jesse, Buzz, Sr e Sra. Cabeça de Batata e os demais vão parar numa caixa que é doada a uma creche, e Woody via junto. Porém o que eles acreditavam ser um universo de crianças brincalhonas é na verdade aquele de crianças bagunceiras e que, ainda por cima, são vítimas de brinquedos maldosos e mafiosos.

Agora é a hora dos brinquedos saberem qual o seu destino final, já que Andy não tem mais tempo nem idade para brincar com eles, infelizmente. Entendi esse momento como aquele em que nós, humanos, envelhecemos e não sabemos mais para onde ir até que nossos filhos nos colocam em asilos, é mais ou menos isso que percebi quando os brinquedos foram ‘jogados’ na creche Sunnyside. A ilusão de um lugar feliz logo se desfez e todos os brinquedos passaram a traçar metas para voltar pra Andy, custasse o que custasse. Ainda assim muito se teve que lutar para conseguir.

O fato é que a animação envolve e nos deixa vidrado na história que é comovente. É ainda questionadora porque logo nos faz perguntar onde é que estão nossos brinquedos, onde nós os ‘jogamos’ depois de usá-los tanto? É fato que muitos nem sequer sabem responder. O roteiro é bastante preciso e bem amarrado o que permite um andamento deleitoso, além de trazer um aditivo emocional bastante forte capaz, inclusive, de fazer muitas mulheres e marmanjos chorarem. Sem qualquer dúvida, a última parte desta série de filmes é linda e emociona bastante, vale a pena conferir.

P.s.: Sem contar no curta belíssimo que foi feito pela Pixar. Digno do estúdio, com direito a uma moral da história e tudo mais, mesmo que subentendida. Veja aqui.

» Fúria de Titãs

(Nota: 7,0)
Título Original: Clash of the Titans
Gênero: Aventura
Diretor(es): Louis Leterrier
Roteiristas: Travis Beacham, Phil Hay, Matt Manfredi, Beverley Cross.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Jason Flemyng, Gemma Arterton, Alexa Davalos, Tine Stapelfeldt, Mads Mikkelsen, Luke Evans.
Duração: 118 minutos.

Quando era mais novo, nas antigas quinta série até a oitava, eu estudei no colégio Objetivo de Natal. Com material próprio, o colégio sempre procurou trabalhar de forma incisiva a mitologia grega. Diante disso, eu tive um contato muito interessante e lúdico com este fator histórico e lendário e assim, acabei sendo conquistado pelas várias histórias de homens desafiando deuses e vice-versa. Agora surge a oportunidade de ver materializado aquilo que sempre imaginei. Ainda que seja um remake, Fúria de Titãs é o novo pra mim já que não conferi sua versão original.

Perseu (Sam Worthington – Avatar) é jovem adulto que não sabia ao certo sua origem, mas vivia de maneira pacífica com sua família adotiva em um barco de pesca. Porém, teve toda sua família morta pela fúria do deus Hades (Ralph Fiennes – Harry Potter e o Enigma do Príncipe e A Duquesa) e ele jura que um dia ainda destruirá esse ser que destruiu sua vida. Além disso, acaba descobrindo que é filho de Zeus (Liam Neeson – As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa), o maior dos deuses, porém recusa o título de semi-deus que lhe é de direito. Para salvar a cidade de Argos da fúria de Hades, Perseu terá que enfrentar um longo caminho até a Medusa para matá-la e assim poder derrotar o Kraken e a vida da jovem princesa Andrômeda (Alexa Davalos – O Nevoeiro).

Sempre fui apaixonado por filmes que envolvem o conceito épico e que ainda por cima tragam figuras mitológicas, mágicas, etc. Porém nem todos são passíveis de totais elogios e por isso mesmo caem na mesmice, não conseguem atingir o objetivo maior, que é ter uma história rica. É inevitável que a história de Perseu é super interessante, contudo neste filme ela não teve o tempero necessário e ação por ação não fez do filme uma grande película. Dessa maneira, entendo que o filme deixa a desejar. Não há uma coisa mais forte, que realmente nos faça entender a grandeza do longa.

Nada de grande fotografia, nada de uma direção digna de elogios nem tampouco atuações louváveis. Porém os efeitos visuais são bem interessantes e chamativos. Em contrapartida, o maior erro que foi ter convertido a fita para o sistema 3D. Conferi neste formato e me arrependi por ver que de nada adicionou ao filme, fato que me faz refletir se todos os filmes convertidos vão seguir a mesma linhagem. Se sim, prefiro pagar menos e conferir em 2D mesmo, é mais barato e poupa aborrecimentos. Se me perguntarem se vale a pena assistir, eu digo que vale, mas só se for em 2D. Portanto, fica a dica.

» Robin Hood

(Nota: 8,5)
Título Original: Robin Hood
Gênero: Aventura
Diretor(es): Ridley Scott
Roteiristas: Brian Helgeland, Ethan Reiff, Cyrus Voris.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Russell Crowe, Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Mark Strong, Oscar Isaac, Danny Huston, Eileen Atkins, Mark Addy, Matthew Macfadyen, Kevin Durand, Scott Grimes, Alan Doyle.
Duração: 140 minutos.

Mais um filme em que fui sabendo pouco de sua história, pouco ciente do que realmente se trata o personagem, apenas inteirado de que se trata de um homem que rouba dos ricos pra dar aos pobres. Ao conferir o filme vi que, de certa forma, minha teoria estava correta sobre o protagonista, contudo ele foi concebido sobre outra perspectiva. Nos foi apresentado um Robin Hood (Russell CroweOs Indomáveis) em que ainda não tem identidade formada e é precisamente esta história que irá nos relatar como surgiu o verdadeiro Robin Hood.

Robin Longstride (Crowe) é um integrante do exército inglês que ficou durante dez anos nas cruzadas sobre o comando de o rei Ricardo Coração de Leão. Após sua morte, ele resolve fugir com alguns compartes, neste meio tempo encontra no leito de morte Sir Robert Loxley (Douglas Hodge) que após uma emboscada pede que Robin leve sua espada ao seu velho pai em Nottingham. Lá ele conhece Sir Walter (Max von SydowO Escafandro e a Borboleta) e Marion (Cate BlanchettO Curioso Caso de Benjamin Button e Não Estou Lá), respectivamente pai e esposa de Loxley. Neste contexto, a Inglaterra está dividida pela não aceitação das atitudes do rei João (Oscar Isaac) e também pela campanha de Godfrey (Mark StrongSherlock Holmes e Stardust – O Mistério da Estrela) que diz está a favor da Coroa, porém está de conjuração com os franceses.

Em tempos de tirania e injustiça, o fora da lei assume seu lugar no povo”. Essa frase apareceu logo no primeiro minuto do longa e só pode ser inteiramente compreendida quando se finaliza o filme. Ela tem total sentido e completa a personalidade daquele que se caracterizou como o bom ladrão. Em breve pesquisa é sabido que originalmente Robin Hood estava mais pra vilão do que pra mocinho, porém Ridley Scott achou por bem remontar esse fato e nada mais agradável do que enxergá-lo mais como um herói. Gostei da extinção de um narrador que provavelmente seria um velho que tudo viu, a utilização de pergaminho foi bem empregada e não houve abuso.

O conceito de renovação é o ponto forte do roteiro, explicar como tudo aconteceu e como surgiu o Robin Hood talvez tenha se tornado mais interessante do que os próprio saques em si, dando um caráter inovador a um personagem um tanto defasado no cinema. O que muitos esperam também está densamente presente na fita, a ação é companheira fiel do protagonista em 80% da exibição. As atuações não são magistrais, mas ainda assim é impossível não atribuir a boa performance de Cate. Russel faz o satisfatório para que seu papel seja convincente, porém só. As técnicas do filme também se mostram bastante regulares, ainda que em alguns momentos eu não tenha sido grande fã da fotografia. Ainda assim, vale pagar o ingresso para conferir.

» Homem de Ferro 2

(Nota: 6,5)
Título Original: Iron Man 2
Gênero: Aventura
Diretor(es): Jon Fraveau
Roteiristas: Justin Theroux, baseado nos quadrinhos de Stan Lee, Don Heck, Larry Lieber e Jack Kirby.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Kate Mara, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow, Sam Rockwell.
Duração: 117 minutos.

Interessante é, no mínimo, conferir a continuação de um filme que você gostou bastante. Portanto, é muito provável que alguma expectativa se crie em torno dele. Eu tento sempre amenizar essas situações para que a apreciação seja mais modesta e me permita realmente definir se vale a pena ou não. Portanto, acho que fui conferir este filme como se fosse a qualquer outro. As histórias da Marvel em sua maioria nos permitem viajar naquele mundo completamente paralelo ao nosso e dar asas a imaginação, assim como é possível quando vemos os quadrinhos.

Tony Stark (Robert Downey Jr.Sherlock Holmes) em sua última aparição pública confessou ao mundo todo que era o Homem de Ferro. Em função disso, passou a ser alvo do governo americano para que entregasse sua tecnologia. Porém, como isso foi obstinadamente negado, o governo passa a tratar com seu concorrente Justin Hammer (Sam Rockwell). Paralelamente, vítima do poder da família Stark e querendo vingar-se pelo seu pai, Ivan Vanko (Mickey RourkeO Lutador) começa a construir aquilo que poderia arruinar o Homem de Ferro. Porém Tony não pode mais está sozinho nessa empreitada, por isso conta com a parceria de sua assistente Natasha Romanoff (Scarlett JohanssonVicky Cristina Barcelona e A Outra) e Nick Fury (Samuel L. Jackson), o diretor da S.H.I.E.L.D.

Como puderam notar, o Homem de Ferro passa agora por sérios problemas. O que antes poderia ser algo que iria massagear o ego do inflado Tony Stark, agora é motivo de preocupação, assim como a sua saúde que anda desgastada pela toxina que não mais reage ao paládio. Assim, é de se esperar que tenhamos um personagem mais decadente e por sua vez mais ‘triste’ por entender que está morrendo sem qualquer chance de recuperação, ao menos chances lógicas. Daí, creio que é precisamente na intensificação dessa ‘crise’ de Stark que se encontra o maior defeito deste longa.

Ele não se exime de ótimas e divertidas cenas de ação, porém beira a mesmice quando as piadas do Homem de Ferro já não mais têm o mesmo efeito sob a platéia e na verdade quem acaba tomando esse bom fardo para si é o segurança Happy (que curiosamente é interpretado pelo diretor do filme Jon Fraveau). Assim, o filme assume uma situação mais dramática, porém falha. Não consigo enxergá-lo tão divertido como muitos apontam, justo por discernir que deve haver uma harmonia conjuntural para que isso se caracterize e infelizmente não ocorreu. Quanto às atuações, o caricato Ivan foi bem feito por Rourke que conferiu um conveniente ar sombrio ao personagem, ainda que a risada na primeira cena tenha sido das mais burlescas.

Porém é possível entender que o que inovou no primeiro já não mais impressiona no segundo, concernente a atuação de Robert Downey Jr. é capaz de você comparar o pioneiro da seqüência, com Sherlock Holmes e chegar a conclusão de que são o mesmo personagem, ou então as mesmas características. É importante sim, frisar o surgimento d’Os Vingadores, no entanto isso não é prioridade no filme individual e não foi muito bem seguido neste longa. As falhas são bem manifestas, pena que nem todos querem enxergar.

» Alice no País das Maravilhas

(Nota: 8,5)
Título Original: Alice in Wonderland
Gênero: Aventura
Diretor(es): Tim Burton
Roteiristas: Linda Woolverton, Lewis Carroll
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Matt Lucas, Stephen Fry, Michael Sheen, Alan Rickman, Barbara Windsor, Paul Whitehouse, Timothy Spall.
Duração: 108 minutos.

Até onde o conhecimento sobre determinada história influencia ou não alguém ao conferir um filme? A pergunta fica no ar e vejo que alguns enxergam que não é necessário saber demais para entender se o filme é ou não bom e já outros determinam que se sabendo o suficiente é que é possível medir a qualidade do roteiro. Ainda há quem defenda que mesmo sabendo bastante da história, é possível deixá-la de lado e entrar no balanço do roteirista. Eu, realmente, nada sabia da história de Alice além do normal (que todo mundo sabe) que ela caiu no buraco e foi para um mundo subterrâneo. Nunca li nem vi algo que falasse diretamente dessa história.

Como todos sabem (ou os que nada sabem, como eu) a história de Alice foi contada e publicada em 1865 pelo britânico Lewis Carroll. Alice (Mia Wasikowska) é uma jovem sonhadora que ao ver um coelho branco no jardim onde passeia, resolve segui-lo. Ele a leva para um buraco no pé de uma árvore, onde ela cai e descobre o País das Maravilhas. Lá ela conhece diversos personagens e também o Chapeleiro Maluco (Johnny DeppInimigos Públicos) e começa a lidar com muitas criaturas mágicas e muitas vezes más. Pode conhecer a delicadeza da Rainha Branca (Anne HathawayO Casamento de Rachel) mas também teve que enfrentar a ira da Rainha Vermelha (Helena Bonham CarterSweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua).

Nada sabia da história dela, como dito. Dessa maneira, quase tudo que me foi apresentado durante os 108 minutos de projeção foi feito de maneira quase inédita. Assim, não posso ser um grande crítico da história no contexto geral porque ela realmente me agradou. Alguns vieram me dizer que ela é enfadonha e ao conferir o longa não consegui constatar tal fato e posso dizer que tenho propriedade para falar porque minha sessão foi de meia-noite. Outro fator que contribui para a aceitação da película é não ter criado tantas expectativas, na verdade isso sempre ajuda.

Não tenho o que reclamar da direção de Tim Burton (A Noiva Cadáver) que a mim sempre agrada ainda que seu ar sombrio já não mais seja tanta novidade em suas fitas. Ainda assim, entendo que ele tenha dirigido de maneira competente. Porém o critério mais elogiável e, portanto, de maior responsabilidade do filme fica por conta da direção de arte que nos entregou um espetacular visual que em muitos momentos (não todos) combinou de maneira interessante com o 3D. Deve-se ter especial atenção ao figurino do filme que é bem particular e interessante, até bonito em sua maioria.

Quanto ao roteiro, eu gostei. É indiscutível quanto ao fato de que os clichês são óbvios, entretanto creio que por se adaptar de uma obra tão antiga, é quase que impossível não fugir deles. Sem contar que a magia da história infantil quase sempre se baseia no critério em que no fim o mal é vencido e o bem prospera. Isso não prejudica totalmente o filme e deve ser visto de maneira compreensiva. Se ainda tinha dúvidas de querer vê-lo, não tenha. Apesar de muito reclamarem, vale a pena pagar o ingresso.

» 9 – A Salvação

(Nota: 8,0)
Título Original: 9
Gênero: Animação
Diretor(es): Shane Acker
Roteiristas: Pamela Pettler, Shane Acker
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Christopher Plummer, Martin Landau, John C. Reilly, Crispin Glover, Jennifer Connelly, Fred Tatasciore, Elijah Wood, Alan Oppenheimer, Tom Kane, Helen Wilson.
Duração: 79 minutos.

Animações vêm sempre para agradar a gregos e troianos no que se refere às faixas etárias. Porém, não vem sendo bem assim nos últimos anos. Muitas são as animações que não tem qualquer caráter infantil e que seu público alvo é de adultos. Acho que 9 – A Salvação também segue esse rumo, ainda que se permita a apreciação dos pré-adolescentes igualmente. Digo isso pela densa história a que a animação se refere, que desmitifica tudo aquilo que acreditamos existir em um desenho: felicidade, alegria e o fato de que tudo é bom, menos aquele determinado vilão.

Os bonecos protagonistas vivem em um mundo onde a ganância dos homens foi tanta que terminou por destruírem a si próprios. Sobrando somente máquinas e os referidos bonecos de pano. 9 é o mais novo boneco feito pelo seu criador, ele encontra o número 2 e depois outros bonecos que são semelhantes a ele, porém descobre que todos estão vivendo sobre o medo das máquinas e nada fazem para que isso mude. Dotado de muita coragem, 9 consegue convencer alguns a tentar mudar o destino de todos, ainda que tenha que enfrentar a fúria do número 1.

A primeira vista a idéia tem um propósito super original, o que acaba encantando, mesmo se baseando num propósito um tanto que batido. A qualidade artística da animação é outro fator que contribui para o encantamento, pois tudo demonstra um trabalho de feição muito cuidadosa. O contexto social entre os personagens tem um propósito central e os conflitos sociais existem para eles, assim como sempre foi presente na vida humana. O filme, inevitavelmente, tem referências que não podem deixar de ser citadas. Impossível não lembrar do clima de O Senhor dos Anéis, das terras de Mordor, a trilha forte e incisiva também contribui para tal sentimento. Além da música do Mágico de Oz que deixa esperanças inevitáveis no ar.

Como nem tudo são flores, o longa tinha tudo para entrar numa sintonia perfeita, porém existem momentos em que isso se perde e o que podemos notar é só mais uma guerra travada em que obviamente o mocinho conseguirá atingir seu objetivo ao final, ainda que sob muitos sacrifícios. Por isso que não fez enxergá-lo como perfeito. Porém acredito que ainda assim o diretor, que já foi da parte artística dos Senhor dos Anéis (diga-se de passagem), tem grande futuro neste meio, e espero que evolua.

» Sherlock Holmes

(Nota: 7,5)
Título Original: Sherlock Holmes
Gênero: Aventura
Diretor(es): Guy Ritchie
Roteiristas: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham, Simon Kinberg, Lionel Wigram, Arthur Conan Doyle.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Robert Maillet, Geraldine James, Kelly Reilly, William Houston.
Duração: 128 minutos.

Sou simpatizante de filmes que tratam de detetives atrás de mistérios inexplicáveis e que precisam ser resolvidos. Sou grande fã de Hercule Poirot, famoso detetive dos livros de Agatha Christie. No entanto nunca tive um contato imediato com os personagens centrais dos livros de Arthur Conan Doyle, ainda que, como disse, goste bastante do tema. Ainda assim, conheço os traços gerais dos personagens Sherlock Holmes e Dr. Watson e talvez por isso, não tenha gostado tanto assim deste longa. Mesmo achando que na verdade o que faltou foi mais ousadia no roteiro em si.

Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) é um famoso detetive que vive de resolver casos em que a simplicidade não impera e que a cientificidade pode ser a resposta. Dotado de grande inteligência, Holmes, juntamente com Dr. John Watson (Jude LawUm Beijo Roubado), é convocado para desvendar um grande mistério que ronda a sociedade. Lorde Blackwood (Mark StrongStardust – O Mistério da Estrela) é condenado à morte, porém de maneira misteriosa ele é visto deixando o túmulo onde supostamente havia sido sepultado. Deste modo, a dupla procura investigar cada passo do Lorde já que não são adeptos a qualquer crença na magia.

Talvez por não ser profundo conhecedor, no conceito literário da coisa, do personagem em questão, eu posso ser bastante questionado sobre meu ponto de vista. Contudo, acho que em especial Downey Jr. errou na mão ao interpretar o detetive mais famoso da literatura. Esse jeito mais cômico do que sério, essa maneira de encarar tudo de maneira bem humorada não parece ser atinente ao personagem (não que ele seja mal-humorado!) e entendo que isso tenha prejudicado um pouco o gosto pelo longa. O fato é que me senti um tanto incomodado com tal interpretação e arrisco dizer que foi, na verdade, copiado vários trejeitos do Capitão Jack Sparrow de Johnny Depp (Inimigos Públicos).

Além disso, a história apesar de ter uma ação realmente inquestionável não é das melhores e acho que poderia ter mais ousadia. Por se tratar de um personagem tão argucioso, creio que nada seria mais natural do que nos impressionar com casos que realmente tivessem um argumento mais profundo, fato que não se mostrou tão presente no filme. No mais, ele tem seus méritos, como uma trilha sonora bastante viva e intensa e um clima ‘dark’ bem disposto ao que passa o vilão da história. Na verdade, achei que é mais do mesmo. Inovação desnecessária.