≈ As Vantagens de Ser Invisível ≈

de Stephen Chbosky (2012)

de Stephen Chbosky (2012)

Creio que para se fazer um filme adolescente que realmente seja convincente, deve haver muito cuidado com o tema  a ser abordado, bem como a condução do roteiro para que haja uma maior interação entre espectador e o longa. Talvez esse filme passasse despercebido por mim visto que não aparenta ser tão interessante quanto de fato é. Naturalmente sabe-se que não é somente nas escolas americanas que figuram os populares, porém aparentemente nessas escolas há grupos muito bem definidos e o protagonista, Charlie (Logan Lerman), não se mostrava bem adaptado por qualquer grupo que fosse.

Assim, As Vantagens de Ser Invisível não é só mais um retrato de adolescentes americanos, ele vai além, nos mostra a história daqueles que não figuram como os populares na escola e que isso nem sempre é o problema central daqueles adolescentes. Há uma condução muito cuidadosa do roteiro para que as pontas soltas fossem respondidas de maneira sutil e não menos emocionante, fato destacável também pela direção muito responsável, o que nos leva a apontar a curiosidade de o roteirista e diretor ser também o autor do livro que deu origem ao longa.

Por fim, devemos chamar atenção a trilha sonora que mostra um gosto particular dos jovens personagens e o quanto ela é capaz de mexer com suas vidas, assim a trilha sonora se mostra incrível, aliada a atuações fenomenais, dignas de aplausos. Enfim, esta película é altamente recomendável para você que é adolescente e para você que já passou por ela, ou então para aquele que admira a liberdade e a forma de ver dos adolescentes. Deleitem-se.

Elenco:  Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller.

Roteiro: Stephen Chbosky

(Nota: 9,5)

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» Os Vingadores

(Nota: 9,5)
Título Original: The Avengers
Gênero: Ação, Comédia
Diretor(es): Joss Whedon
Roteiristas: Joss Whedon
Ano de Lançamento: 2012.
Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Mark Ruffalo, Samuel L. Jackson, Paul Bettany, Cobie Smulders,  Stellan Skarsgård.
Duração: 143 minutos.

Há tempos não atualizo o blog. Não é por falta de vontade e, às vezes, nem por falta de tempo. Digamos que existe uma questão de inspiração que não me visita há um bom tempo. No entanto, pelo valor que dou a este espaço bem como o respeito que tenho pelos poucos visitantes que ainda se dignam a aparecer por aqui, resolvi escrever algo simples e rápido sobre o blockbuster Os Vingadores.

Foram meses de ‘lero-lero’ sobre a real possibilidade deste filme ser um grande fiasco. Não que os últimos filmes da Marvel tenham sido ruins, mas, de fato, não seria nem um pouco fácil reunir grandes personagens de quadrinhos em torno da figura dos Vingadores sem que pudesse haver deslizes no roteiro dignos de destruir a história como um todo. Contudo, o que podemos perceber, ao conferir o longa, foi justamente o inverso. A história consegue manter um ritmo curiosamente interessante e com pitadas dos gêneros mais utilizados pela Marvel, partindo de uma ação muito bem arquitetada até as pitadas de humor que são capazes de tirar boas gargalhadas, entretanto sem soar forçado.

O fato é que Joss Whedon conseguiu extrapolar as expectativas gerais acerca do filme, nos mostrando que uma direção de pulso e a parceria com uma produção competente são propulsores para que tenhamos um grande longa sem que caia na mesmice dos filmes hollywoodianos. Lógico que devemos guardar as devidas proporções, afinal trata-se de história de super-heróis, não obstante é notório que a película procurou ser fidedigna a figura já demonstrada nos filmes individuais de seus personagens (com exceção, claro, de Hulk). Assim, saímos da sessão com uma sensação boa, aquela sensação digna de quem desejaria ser um super-herói e qual deles especificamente. Indico, sem medo de errar.

P.s.: Não vi em 3D, por enxergar ser completamente desnecessário.

» O Palhaço

(Nota: 10,0)
Título Original: O Palhaço
Gênero: Drama, Comédia
Diretor(es): Selton Mello
Roteiristas: Selton Mello, Marcelo Vindicato
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Paulo José, Selton Mello, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Álamo Facó, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Hossen Minussi, Maira Chasseroux, Thogun, Bruna Chiaradia.
Duração: 90 minutos.

Umas das coisas mais curiosas do ser humano é o seu senso de humor. Achar que alguém que é humorista, palhaço ou comediante é sempre bem humorado e faz todo mundo rir é algo que parece mais natural impossível. Contudo, quem somos nós para medirmos o quão um palhaço é realmente feliz? Porque, mesmo fora do palco, nós achamos que ele deve fazer graça e piada das coisas? O segundo filme de Selton Mello nos mostra uma vida de palhaço, contudo não somente a sua energia como aquele que leva risos e felicidade aos demais, é também entregue um personagem cheio de dúvidas sobre tudo a sua volta.

O roteiro tem uma simplicidade e, ao mesmo tempo, uma complexidade que poucos conseguem manifestar de forma tão admirável em uma tela de cinema. Os dilemas que Benjamin (Selton Mello) carrega em sua vida o fazem questionar se verdadeiramente é aquele seu ambiente, se realmente é daquele jeito que ele quer que todos os indivíduos olhem para ele. A fotografia consegue captar uma magia que só o circo consegue traduzir principalmente nos momentos do palco, além da captura apaixonada da felicidade dos personagens de circo que ficam maravilhados a cada espetáculo. É possível também ver os momentos do olhar triste de um palhaço que não precisam de palavras pra expressar seu sentimento.

A trilha sonora é outro diferencial que sabe se colocar em quadros preciosos do longa, assim como sua ausência é imprescindível para a captação do sentimento real do personagem em outros momentos. O seu final é muito bonito, emocionante e procura nos passar uma mensagem deveras simples, todavia fundamental para nossas vidas. Selton nos entrega uma película cheia de sorriso e também reflexão. Obra sublime que figurará entre os meus prediletos do ano.

Obs.: O Palhaço estreia hoje nos cinemas de todo o Brasil.

≈ Qualquer Gato Vira-Lata ≈

de Tomas Portella e Daniela De Carlo (2011)

 O cinema brasileiro vem conseguindo ótimos momentos quando o gênero é drama e isso é tem seu ponto positivo porque mostra que nosso cinema tem enorme potencial. Porém, uma fase que caminha a passos lentos, mas que vem tomando bastante fôlego nos últimos meses é a comédia. Ainda somos ‘obrigados’ a conferir alguns filmes que realmente não tem muito a oferecer, contudo outros começam a procurar inovar em alguns aspectos o que o torna não só mais engraçado como também mais atraente. Logicamente, alguns ajustes precisam e devem ser feitos para que possamos ver comédias de alta qualidade, fato que nem os filmes hollywoodianos vêm conseguindo fazer.

Assim, após ouvir alguns relatos de que este é um bom filme, fui conferir ainda que não pudesse esperar nada, e olhe que as intenções eram as melhores. O tema em si não se demonstra nem um pouco original, contudo a roupagem pela qual foi apresentado é realmente de uma originalidade até louvável, já que ela consegue dá não só mais ritmo como também mais vida ao roteiro que, a princípio, demonstrava ser pobre. A película protagoniza alguns bons momentos de risada que são capazes de fazer valer o ingresso que pagamos. Porém o seu final se entrega de uma maneira tão óbvia e completamente clichê que faz perder metade do seu brilho. E o que mais importa: era realmente possível fugir do lugar-comum, sendo que o roteirista achou por bem não inovar. Pena.

Elenco: Dudu Azevedo, Cléo Pires, Malvino Salvador

Roteiro: Tomas Portella, Daniela De Carlo

(Nota: 6,0)

» Meia-Noite em Paris

(Nota: 9,5)
Título Original: Midnight in Paris
Gênero: Comédia
Diretor(es): Woody Allen
Roteiristas: Woody Allen
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Tom Hiddleston, Rachel McAdams, Michael Sheen, Marion Cotillard, Alison Pill, Owen Wilson, Adrien Brody, Kathy Bates, Léa Seydoux, Carla Bruni, Corey Stoll.
Duração: 100 minutos.

Há tempos venho admirando cada vez mais o trabalho do mestre Woody Allen (A Rosa Púrpura do Cairo) e certamente se eu fosse um cineasta, meus filmes muito teriam das características “Allenianas”, seus diálogos sempre bem elaborados, seus questionamentos que fogem a regra dos demais personagens. Porém, o que sempre me chamou mais atenção em seus trabalhos é quando ele consegue misturar a imaginação do protagonista com a realidade, fantasia que permite a nós, uma vez espectadores, acompanharmos os passos da mente alheia como se fosse a nossa, nos introduzindo de maneira tal nos longas que o tempo passa sem nem sentirmos.

Gil (Owen Wilson) é um famoso roteirista de Hollywood que se sente frustrado por nunca ter conseguido escrever um livro que realmente o satisfizesse. Agora em Paris, com sua noiva Inez (Rachel McAdamsSherlock Holmes), ele quer sentir a vibração que a cidade o proporciona e assim poder completar seu trabalho. Certo dia, pontualmente a meia-noite, sem a companhia da noiva, Gil é convidado a entrar em um carro e, ao sair, nota que ainda está em Paris, mas aquela dos anos 20, época que mais admira por ter os escritores, diretores e pintores que mais o inspira como Ernest Hemingway (Corey Stoll), Scott Fitzgerald (Tom Hiddleston – Thor), Pablo Picasso, Salvador Dalí (Adrien BrodyPredadores), entre outros. Assim, Gil passa a viver entre seu presente, aparentemente chato e sem conteúdo, e o passado que ele considera como a Era do Ouro.

Ao conferir muitos de seus últimos filmes notei, porém, que Woody vinha perdendo essa magia que beirava entre o imaginário e a realidade, na verdade, era o que mais eu sentia falta. Contudo, reencontrou essa peculiaridade de maneira sutil e bastante agradável quando decidiu fazer o belíssimo Meia-Noite em Paris. Uma história muito bem distribuída e que é capaz de nos fazer viajar na imaginação (se é que se podemos chamar assim) do protagonista que, por sinal e para minha total surpresa, foi belamente interpretado por Owen Wilson.

As participações da lindíssima e talentosa Marion Cotillard (A Origem) e de Adrien Brody deram o tom que o enredo, cheio de grandes figuras, precisava. Sem contar com a curta, mas gratificante atuação de Carla Bruni. Roteiro excelente que nos guia de maneira interessante, fotografia característica de um Allen despretensioso, porém preocupado com o resultado sobre o espectador e uma trilha sonora deliciosa que só faz envolver cada momento do filme de uma maneira tal que somente com Paris de fundo é que dá para compreender. Esse longa é pura poesia e uma belíssima homenagem aos grandes artistas que viveram na década de 20 do século passado, sem contar na clara declaração de amor a cidade de Paris. Assim, é possível, no meu caso, conseguir o feito de sentir saudade (e mais vontade ainda de conhecer) de um lugar que ainda não conheço: Paris.

≈ Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar ≈

de Woody Allen (1972)

É curioso que ainda nos dias de hoje ainda existam muitas e muitas pessoas que morrem de vergonha de falar sobre sexo. Acham que a intimidade tem que ser muito grande para que isso por ser comentado, porém muitos também já transpuseram essa barreira e falam com uma maior simplicidade possível. Em 1972, Woody Allen já tinha o atrevimento de tratar abertamente sobre isso no cinema e melhor ainda, dizer logo no título de seu filme que muitas pessoas gostariam de saber algumas coisas sexuais, contudo sempre tiveram medo, ou receio, de perguntar. É um título enorme, todavia auto-explicativo (também, se não fosse, né?).

Tudo Que Você Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar é uma tentativa, no mínimo curiosa, de Allen em desmitificar algumas dúvidas que muitos indivíduos ‘poderiam’ ter em relação ao sexo. Dessa forma ele se utiliza de histórias diferentes que tentam responder as devidas interrogações que são feitas no início de cada quadro. Algumas são boas histórias que tratam sobre assuntos realmente convenientes e conseguem nos tirar boas gargalhadas, no entanto a maioria é verdadeiramente fraca e não acrescenta nada que nós não saibamos, pelo menos nos dias de hoje. Talvez na época do lançamento tenha feito um sucesso mais aceitável, já que estamos falando de quase 40 anos atrás.

≈ A Rosa Púrpura do Cairo ≈

de Woody Allen (1985)

Não tem jeito, o cinema quando pega uma pessoa de jeito, é paixão na certa. E isso é um fenômeno mundial que permite aos espectadores entrar na história que está a sua frente e desfrutar dela da melhor maneira possível, seja sorrindo com o protagonista ou compartilhando o sofrimento dele. Woody Allen, na sua extensa filmografia, tem um momento de pura homenagem à sétima arte, ele mistura seu roteiro, sempre muito inteligente e sagaz, com uma clara e bonita homenagem aqueles que são apaixonados pelo cinema, aliando-se a ficção para dar um gostinho próprio a trama.

Assim, A Rosa Púrpura do Cairo é um lindo tributo ao cinema. Allen realmente estava muito inspirado ao escrever e dirigir este longa que consegue envolver seu espectador completamente sem soar algo forçoso ou desnecessário. O simples ato de o personagem sair da tela, reconhecer o cinéfilo e daí em diante desenvolver uma história em torno disso é algo fabuloso e o mais curioso é que os demais personagens não vêem aquilo como normal, enxergam algo atípico, deixando, de certa forma, o longa mais real ainda. Isso porque todo cinéfilo que se preze, como Cecilia (Mia Farrow – Crimes e Pecados), tem seus sonhos com os filmes, situações e estrelas de cinema. Personificar isso numa película é melhor ainda. Obrigatório para todo e qualquer cinéfilo.

Elenco: Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello

Roteiro: Woody Allen

(Nota: 9,5)