≈ Contágio ≈

de Steven Soderbergh (2011)

Ter um grande elenco de atores renomados nem sempre pode ser sinônimo de sucesso de um longa, isso porque uma série de fatores, como se sabe, forma um bom filme e é justamente aí que muitos se enganam quando criam expectativas demais acerca de qualquer película. Contágio é um bom exemplo de que não basta ter um elenco de primeira se a história não tiver um desenvolvimento que agrade. Tratar do tema epidemia é algo bem delicado, ainda mais quando se trata de vários continentes e, portanto, vários núcleos diferentes.

É notório que em alguns aspectos esta película consegue nos fisgar, tendo em vista que nada se mostra mais ‘agoniante’ que um mundo onde a doença pode estar na pessoa ao lado e você poderá ser o próximo a morrer em função de algo tão silencioso e invisível. Porém isso não é tudo, o roteiro procura mostrar um grande espaço e depois não mais se preocupa em desenvolvê-lo, trazendo a tona somente os personagens que combatem a doença, não há, dessa maneira, um bom desenvolvimento da história apresentada de início.

O vasto de número de personagens é outra coisa que me incomoda, assim muitos são completamente dispensáveis ao percurso da história. Portanto, entendo que ainda que o enredo seja muito bom, o roteiro não consegue convencer quando ao seu final nos mostra de uma maneira fácil e simples a forma como tudo se iniciou. Sou daqueles que preferiria ficar na ‘curiosidade’ inteligente quando subirem os letreiros.

Elenco: Marion Cottilard, Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law.

Roteiro: Scott Z. Burns

(Nota: 6,0)

P.S.: É um prazer voltar a esse espaço depois de tanto tempo sem escrever, prometo que tentarei ser assíduo ou ao menos uma vez por semana. Até a próxima, folks! =)

≈ Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles ≈

de Jonathan Liebesman (2011)

Filmes de guerra nem sempre me chamam muito a atenção. Acho que, com exceção de alguns que tratam de guerras históricas com as Grandes Guerras, películas do gênero nem sempre tem muito a acrescentar e, na verdade, não são mais do que um passa-tempo ou muitas vezes nem isso. Naturalmente, nem sempre filmes que tratam de guerra e ainda mais num aspecto de ficção científica são de me agradar, por isso costumo não criar qualquer esperança em torno desta temática, ainda que me force a vê-los vez por outra. Pensei que não, mas Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles me agradou mais do que podia imaginar.

O tema, que muitas vezes é tratado sobre a ótica civil, dessa vez tem força nas questões estratégicas de guerra e seus protagonistas são, majoritariamente, militares que precisam descobrir uma maneira de destruir aquele inimigo desconhecido que, por motivos incógnitos, ataca de forma mortal o Planeta Terra. O roteiro tem um caráter descompromissado e nos permite se envolver com os protagonistas de forma gradual e não apelativa. O que me incomoda um pouco é a fotografia, porém nada que prejudique de forma significativa o longa. Uma ficção montada numa ideia não original, todavia tratada de maneira bem arquitetada e sobre a visão dos soldados contra uma invasão alienígena.

Elenco: Aaron Eckhart, Michelle Rodriguez, Michael Peña, Bridget Moynahan..

Roteiro: Christopher Bertolini

(Nota: 8,5)

» A Origem

(Nota: 10,0)
Título Original: Inception
Gênero: Ficção Científica
Diretor(es): Christopher Nolan
Roteiristas: Christopher Nolan.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Cillian Murphy, Tom Berenger, Michael Caine , Lukas Haas, Tohoru Masamune, Talulah Riley, Dileep Rao.
Duração: 148 minutos.

Quando eu era menor e que sabia que alguém aqui de cada ia jogar na mega-sena, projetava minha vida de como seria depois de ganhar na loteria. Pensava e passava a acreditar em tudo que aquilo podia me proporcionar, e então transformava o que era um sonho em vida real e era essa projeção que eu encarava minha vida dali para frente, com casa grande, ter tudo o que desejava, parar de estudar – lógico – e tudo o mais, era como se fosse realidade, porém quando não ganhávamos aquilo caia por terra e eu tinha que conviver com a minha realidade, que não era a que eu realmente desejava depois de achar que podia ser milionário. Logo me lembrei desse pequeno detalhe de minha inocente infância, quando conferi este filme e mais tarde vocês entenderão o porquê.

O mundo não é igual ao que muitos acreditam ser. Nele, é possível invadir os sonhos das pessoas e de dentro deles roubar os segredos mais profundos, guardados no subconsciente delas. Cobb (Leonardo DiCaprio – Foi Apenas Um Sonho) e seu colega Arthur (Joseph Gordon-Levitt – 500 Dias Com Ela), são mestres em roubar essas informações e numa frustrada tentativa de roubo nos sonhos de Saito (Ken WatanabeMemórias de uma Gueixa), estes acabam recebendo a proposta de agirem de forma inversa, fazendo uma inserção ao invés da extração. Assim, terão que fazer o bilionário Richard Fischer (Cillian Murphy) se convencer a dividir o império que seu pai criou com se fosse uma ideia propria e para isso contarão com a ajuda de Ariadne (Ellen Page), Eames (Tom Hardy) e Yusef (Dileep Rao – Avatar). Porém, do subconsciente de Cobb ainda há uma lembrança que o persegue, a de sua mulher Mal (Marion Cotillard –  Inimigos Públicos) que faz o inverso de todos os seus planos e isso nem sempre pode acabar bem.

É complexo falar de um filme em que várias emoções se fundem numa só, mas que ao mesmo tempo consegue invadir as nossas expressões faciais de acordo com cada segundo de pura ação – ou suspense – que passa na nossa frente. É complexo também falar de uma película que sabe manipular perfeitamente bem os pensamentos das pessoas e que não necessita ter que mastigar sua história – não tão simples – para o espectador a todo momento  e que tem total segurança de que, ainda assim, é possível que todos compreendam. Acredito que, antes de tudo, formar uma história que trabalhe com argumentos sólidos e, ao mesmo tempo, surreais não se pode ser feita do dia para noite.

Como se não bastasse ainda ter que repassá-la para um roteiro que não se é permitido falhar para que haja total compreensão de quem confere, juntamente com o fato de reparti-la com uma equipe de diretores de arte, montagem, efeitos, para que assim seja possível sair nos conformes e tal sintonia fazer do filme um sucesso, o sucesso que de fato está acontecendo e que não é em vão, devido sua enorme capacidade de conquistar o espectador sem pedir muito em troca, somente o essencial – para qualquer filme – que é a atenção. Por exemplo, como no caso dos espelhos que Ariadne projeta em sua primeira ‘aventura’ nos sonhos, no qual mostra que posteriormente enfrentaremos uma ‘realidade’ dentro da outra.

Como a total competência na hora de montar um longa que tem um roteiro primoroso, entretanto que deve contar com uma montagem digna, caso contrário descontruiria toda a imponência do roteiro. Quando comentei sobre eu, quando criança, ter criado uma realidade para algo que todos sonham, disse por que pude ver que isso é totalmente possível no mundo de Inception e que muitos dos personagens não conseguiam mais encarar a realidade como, de fato, a realidade. Contudo, ao mesmo tempo fica o questionamento se aquilo que se vive é mesmo a realidade, se não seria algo paralelo, em que se acredita ser verdade. Aí vem a questão do totem que mostra que aquilo é realidade – ou não – e também vem uma dúvida sobre a possibilidade real daquele totem ser detentor de uma possível realidade.

Resumindo, gostaria de dizer que para a dúvida que surgir, alguém pode tentar argumentar de outra forma, no entanto é possível desestruturar o argumento do outro com outra possível dúvida. O que se pergunta, então, é se Christopher Nolan pretende somente deixar a dúvida plantada na nossa cabeça, porém entendo que ele quer que essas discussões existam e que haja pertinência nos questionamentos a serem feitos. Assim, é que cada momento do filme há uma resposta no cantinho, onde somente na segunda, terceira, quarta vez é que enxergaremos, ou em alguns casos logo na primeira. Portanto esse, definitivamente, não é um longa para se ver uma só vez, a cada revisão tenha a certeza de que é possível enxergar mais. Seu ingresso jamais será em vão, seja a primeira, segunda ou terceira sessão.

» Predadores

(Nota: 3,5)
Título Original: Predators
Gênero: Ficção Científica
Diretor(es): Nimród Antal
Roteiristas: Alex Litvak, Michael Finch, Jim Thomas, John Thomas
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco: Adrien Brody, Topher Grace, Danny Trejo, Laurence Fishburne, Walton Goggins, Alice Braga, Derek Mears, Brian Steele, Mahershalalhashbaz Ali.
Duração: 106 minutos.

Não conferi, portanto, nada posso dizer a respeito do filme no qual este atual foi baseado, ainda que afirmem que está é uma refilmagem, o que de fato não é. Juro que fui conferi esse filme com a maior boa vontade nos cinemas por causa da presença da nossa musa brasileira em Hollywood, porém foi falho ir por causa dela já que nem ela consegue o filme alavancar.

Royce (Adrian Brody – Cadillac Records) foi jogado de pára-quedas em uma floresta na qual ele tem total desconhecimento. Assim como ele, também ocorreu isso com Isabelle (Alice Braga – Ensaio Sobre a Cegueira), Edwin (Topher Grace – Idas e Vindas do Amor) e outros cinco que formam uma tropa na qual Royce tem que liderar ainda que seja completamente a seu contragosto.  Porém, eles não imaginam contra o que eles terão que lutar para poder sobreviverem, algo inexistente na terra e que não faziam a mínima idéia de que existia, até se depararem com um.

É possível enxergar que logo de início o que deveria ajudar e muito na trama, não vai colaborar em nada, a Trilha Sonora do filme é muito fraca, sem qualquer emoção. Aí se pensa que apesar de ser um ponto forte, a trilha não consegue destruir o restante que ainda se tem, porém nota-se que o argumento que o filme utiliza é completamente fraco, sem qualquer poder e o roteiro não ajuda em nada só deixando tudo cada vez mais complicada e sem qualquer explicação lógica para tal.

As atuações poderiam ajudar a não ser tão ruim também, mas de fato não ajudam pois são tão falhas quanto o roteiro, essa de Adrien Brody dando uma de homem inteligente e fortão definitivamente não deu certo. Enfim, o filme não tem nada que o faça ser realmente inteligente e chega a ser confuso em vários momentos. Confuso por coisas bestas, diga-se de passagem. Não vale o ingresso que se paga, nem na segunda promocional do Cinemark.

» Star Trek

(Nota: 9,5)
Título Original: Star Trek
Gênero: Ficção Científica
Diretor(es): J.J. Abrams
Roteiristas: Alex Kurtzman e Roberto Orci, baseado em série de TV criada por Gene Roddenberry.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: John Cho, Ben Cross, Bruce Greenwood, Simon Pegg, Chris Pine, Zachary Quinto, Winona Ryder, Zoe Saldana.
Duração: 126 minutos.

Não sei se é por falta de interesse ou por falta de opção, o fato é que nunca conferi qualquer filme de Jornada nas Estrelas. Sou capaz de dizer que o método dessa ficção científica não me agrada muito, essa coisa de espaço e tal. No entanto, comecei a repensar isso quando pude conferir este filme do diretor J.J. Abrams, produtor de uma grande série, também de ficção científica, e que também entregou a versão mais nova de Missão Impossível (que por sinal, também nunca vi qualquer um dos).

James Tiberious Kirk (Chris Pine) é um jovem que perdeu seu pai cedo e sente-se inconformado, um dia recebeu convite para integrar a equipe de novos cadetes da Frota Estelar. Lá, ele conhece Spock (Zachary Quinto), um nativo vulcano que abandonou seu planeta por ser metade humano e não conseguir conviver com tamanho preconceito. Por encararem de maneira completamente opostas as situações, eles vivenciaram suas rivalidades. Spock com o caráter racional e Kirk completamente passional vivem uma grande aventura ao lado de outros integrantes da U.S.S. Enterprise, a mais avançada nave espacial da época.

Acho que não precisa falar muita coisa quando se assiste a um filme e ao seu término você fica com uma vontade de quero mais. Uma vontade de que o filme continue ou simplesmente uma vontade de colocar pra rodar novamente, pelo simples fato de que o longa agrada. A história é extremamente bem trabalhada com um ritmo verdadeiramente atraente e que nos faz ficar grudado na tela a todo o momento. Por um momento, perguntei-me se seria sempre constante a história, sem um ápice, no entanto logo encontramos isto com belas cenas de efeitos especiais.

As atuações são boas o suficiente para fazer o filme convencer, a pena que faz é ver que ele não teve tão boa recepção com as premiações o que é até questionável devido ao alto grau técnico do filme que nos permite fazer uma ótima viagem a bordo da U.S.S. Enterprise. Com um orçamento enorme, o filme conseguiu atingir seu objetivo e realmente agrada. É óbvio que tem alguns que não conseguem se envolver com o método trabalhado por Abrams, mas aí já entendo que não é gostar de gênero mesmo. Paciência.

» Distrito 9

(Nota: 9,0)
Título Original: District 9
Gênero: Ficção Científica
Diretor(es): Neill Blomkamp
Roteiristas: Neill Blomkamp, Terri Tatchell.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike, Elizabeth Mkandawie, John Sumner, William Allen Young, Greg Melvill-Smith, Nick Blake, Morena Busa Sesatsa, Themba Nkosi.
Duração: 112 minutos.

Existem alguns filmes que indiscutivelmente tem mérito próprio, sem apelação e sem a real necessidade de ser algo extremamente chamativo. Creio, então, que isso pode e deve-se aplicar a este filme em questão. Ele não é um blockbuster, não apresenta uma linda história de amor nem tampouco grandes nomes no elenco. Chama a atenção por sua história bem particular e aborda um assunto, sobre os alienígenas, de uma maneira muito tímida costumeiramente tratada no cinema, o que acaba dando grande dinamicidade e causando real interesse em quem quer ver uma boa ficção científica.

Uma enorme nave não-identificada acaba “estacionando” sobre a capital da África do Sul, Joanesburgo, e nenhum contato imediato foi feito. Assim, por estar aparentemente com defeito, ela é invadida e em seu interior foi encontrada uma verdadeira população alienígena e, por não terem para onde ir, acabaram povoando a cidade confinados em uma região denominada de Distrito 9. Por motivos diversos, essa população, depois de anos naquele lugar, tem que ser remanejada para outro lugar, causando grande revolta entre os próprios extra-terrestres. Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), um funcionário público envolvido na remoção, acaba sendo contaminado por um fluído dos alienígenas e seu organismo começa a sofrer mutações e aproximar-se de um alienígena. Com o governo desejando usá-lo como arma política, Wikus conta apenas com a ajuda do extraterrestre Christopher (Jason Cope) para escapar.

Como disse, esse longa versa uma história bastante curiosa. É fato que os extraterrestres volta-e-meia são alvo de alguns filmes, todavia quando tratados com originalidade o tema torna-se algo de interesse mais aguçado. Assim, abordando uma temática em que a transformação humana é o foco e a crise social é outro, a película acaba por discutir com bastante propriedade sobre um tema em que a análise vai além do que está expressamente característico no roteiro. Um dos comentários interessantes, inerentes ao roteiro, é o fato da nave ter parado sobre Joanesburgo e não sobre grandes metrópoles como Nova York ou Londres.

O fato é que o filme me surpreendeu mais do que imaginava/esperava. Esperava um filme mediano em que tratasse de maneira legal a temática, contudo foi algo que realmente me impressionou, desde a magnífica atuação do iniciante Sharlto Copley a maquiagem que é fenomenal, sem contar nos efeitos especiais que merecem citação. O roteiro trata de uma originalidade que realmente vale a indicação. Surpreendi-me e gostei do fato desta fita ter sido indicada ao Oscar de Melhor Filme, uma vez que não enxergo esse tipo de trabalho como preferido da Academia. Mas por ter sido reconhecido já é um grande avanço. E uma coisa é fato: ano passado, sem dúvidas, foi o grande ano da ficção científica.

» 2012

(Nota: 6,5)
Título Original: 2012
Gênero: Ficção Científica
Diretor(es): Roland Emmerich
Roteiristas: Roland Emmerich, Harald Kloser
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: John Cusack, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Thandie Newton, Oliver Platt, Thomas McCarthy, Woody Harrelson, Danny Glover, Liam James, Morgan Lily, Zlatko Buric.
Duração: 158 minutos.

Sempre me pergunto a cerca de qual é o fascínio que as pessoas encontram em ir ao cinema ver o mundo ser destruído. Esse não é primeiro filme e nem será o último onde o tema central é a extermínio total do mundo por motivos dos mais diversos. Sempre que se encontra alguma profecia antiga, ou algo que tenha alguma lógica, logo é feito um longa-metragem que retrata aquilo com uma perfeição boa ou duvidosa e com os envolvimentos necessários, apesar de clichês, dos humanos quando sabem que serão aniquilados. Mais ainda, me pergunto o porquê de muitos irem ao cinema, ver uma ficção e ainda saírem dizendo que é um absurdo, que é uma mentira. Então me diga: Porque vão?

Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor – Cinturão vermelho) é um renomado cientista do governo americano. Ele, juntamente com um amigo indiano, descobre que o mundo está entrando num colapso anormal e que, em breve, será destruído por motivos diversos. Corroborando com tal tese, vem a profecia dos povos Maias que previram o fim do mundo no ano de 2012 por fortes influências solares. Paralelamente existe a história do escritor Jackson Curtis (John Cusack – Igor) que tenta recuperar o tempo perdido com os filhos, levando-os a um acampamento e logo descobre a possibilidade do mundo se acabar. É a partir daí que surge a corrida contra tempo e mundo para tentarem se salvar, já que os governos mundiais estão montando enormes arcas que sustentarão os impactos.

O meu questionamento a cerca dessas pessoas fundamenta-se tanto no temor que elas têm em torno do assunto assim como o prazer que alimentam em ver tanta destruição ainda que sob efeitos visuais, lógico. Isso nada tem de profundo, nem de essencial é somente um questionamento. Entretanto o que me estranha é questionarem a mentira que é o filme, o porquê dos personagens sempre saírem por um fio, e fica a dúvida: se eles morressem, todos, qual o sentido do filme? Deixando isso de lado e passando ao contexto cinematográfico, acredito que o filme não é completamente ruim e creio que tem seus créditos.

É tradição no currículo de  Roland Emmerich (10.000 A.C.) filmes que o tema central é a destruição do mundo ou parte dele, vide Independece Day e O Dia Depois de Amanhã. Dito isto, parte-se para questão de como tudo é feito. A história tem um sentido interessante e parte de uma premissa curiosa, mas creio que não foi bem explorada e por um momento perdeu o foco da coisa, começando logo a ruir casas, prédios, ruas. Todavia é possível compreender que não se quer muito ver as teorias e sim os efeitos, a ação. Quanto a isso não há o que discutir, a ação é sempre presente e faz a angústia ser companheira fiel do expectador.

Ainda assim, algumas coisas me incomodaram no filme. O tempo se estendeu bastante levando-se em conta que não teve um bom embasamento histórico ou científico da destruição. As atuações não são suficientes em sua maioria, poucas se salvam. O roteiro poderia ser mais bem trabalhado em alguns aspectos que deixaram a história desamparada. No entanto, o que achei interessante é a idéia de que não basta chegar à super nave que tudo está bem, dificuldades serão encontradas lá e isso nem sempre será fácil de resolver. Num todo o filme não é ruim, no entanto não passa da média, acaba por ser aprovado, mas sem tanto êxito. Só posso afirmar que é superiormente melhor que os dois últimos filmes que o citado diretor fez. Disso eu tenho plena certeza.