≈ Noel, poeta da Vila ≈

de Ricardo Van Steen (2006)

de Ricardo Van Steen (2006)

Essa leva de novos sambistas vem resgatando o que há de melhor no samba brasileiro. Garimpando, nós somos apresentados a músicas geniais com letras melodiosas e que nos apresentam histórias tristes, curiosas, engraçadas. Tendo vivido apenas 26 anos, Noel Rosa nos presenteou com mais de 230 composições, muitas delas esquecidas em gavetas ou de pouco sucesso. A verdade é que “Noel, poeta da Vila” nos mostra um pouco mais daquele que foi um grande contribuinte da música popular brasileira.

Neste longa, podemos conferir a nata do samba em seu momento de ouro, onde temos como personagem principal aquele que tinha todas as ferramentas para ser um grande médico, porém preferiu se enveredar pelos becos da Lapa e viver uma vida de cabarés e composições. Amigo de grandes compositores como Cartola, Noel subiu o morro, desafiou musicalmente outros sambistas e entregou-se nos braços da Dama do Cabaré.

Por se apresentar a vida de um grande músico, este filme tem uma musicalidade deliciosa e que faz o espectador sambar mesmo sem querer e vai muito além: nos deixa muito curiosos para saber um pouco mais da música e da cadência que tão talentosamente eram apresentados pelo sambista ousado Noel Rosa. Um elenco pouco conhecido, com exceção da sempre dedicada Camila Pitanga, “Noel, poeta da Vila” encanta pela sua simplicidade e por um roteiro que não quer ser grandioso e acaba conquistando pela sua simplicidade. Vale a pena, do início ao fim.

Elenco:  : Rafael Raposo, Camila Pitanga, Lidiane Borges.

Roteiro: Pedro Vicente

(Nota: 9,0)

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≈ Qualquer Gato Vira-Lata ≈

de Tomas Portella e Daniela De Carlo (2011)

 O cinema brasileiro vem conseguindo ótimos momentos quando o gênero é drama e isso é tem seu ponto positivo porque mostra que nosso cinema tem enorme potencial. Porém, uma fase que caminha a passos lentos, mas que vem tomando bastante fôlego nos últimos meses é a comédia. Ainda somos ‘obrigados’ a conferir alguns filmes que realmente não tem muito a oferecer, contudo outros começam a procurar inovar em alguns aspectos o que o torna não só mais engraçado como também mais atraente. Logicamente, alguns ajustes precisam e devem ser feitos para que possamos ver comédias de alta qualidade, fato que nem os filmes hollywoodianos vêm conseguindo fazer.

Assim, após ouvir alguns relatos de que este é um bom filme, fui conferir ainda que não pudesse esperar nada, e olhe que as intenções eram as melhores. O tema em si não se demonstra nem um pouco original, contudo a roupagem pela qual foi apresentado é realmente de uma originalidade até louvável, já que ela consegue dá não só mais ritmo como também mais vida ao roteiro que, a princípio, demonstrava ser pobre. A película protagoniza alguns bons momentos de risada que são capazes de fazer valer o ingresso que pagamos. Porém o seu final se entrega de uma maneira tão óbvia e completamente clichê que faz perder metade do seu brilho. E o que mais importa: era realmente possível fugir do lugar-comum, sendo que o roteirista achou por bem não inovar. Pena.

Elenco: Dudu Azevedo, Cléo Pires, Malvino Salvador

Roteiro: Tomas Portella, Daniela De Carlo

(Nota: 6,0)

≈ Antes do Pôr-do-Sol ≈

de Richard Linklater (2004)

Esse filme como se pode notar é, naturalmente, a continuação de Antes do Amanhecer e tem mais uma vez como foco central o encontro de Celine (Julie Delpy) e Jesse (Ethan Hawke). Porém dessa vez os anos se passaram, ambos viveram diversas emoções e agora Jesse está em Paris para lançar seu livro que virou um sucesso e que trata justamente da história que ambos viveram quando mais jovens. Nem sempre as continuações de filmes com roteiro original não conseguem sempre ter muito êxito do que o primeiro, porém esse filme conseguiu me deixar mais fascinado ainda do que o pioneiro.

Acho que a maturidade que veio com o tempo nos atores/personagens foi suficiente pra deixar a fita mais interessante e com diálogos ainda mais inteligentes e envolventes, contudo sem aquele sonho às vezes irracional que o jovem tem de querer mudar o mundo e tudo o mais, tornando o ‘papo’ bem mais sincero. Ainda assim, não deixa de ser um belíssimo resgate aquela noite marcante que viveram há nove anos. O roteiro é mais importante ainda nesse filme, tanto que teve indicação ao Oscar na categoria de melhor roteiro adaptado em 2005, porque apesar de curto tem uma sinceridade que é extremamente exuberante. E o final é o que todos gostaríamos de ver, sem dúvidas.

Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy, Vernon Dobtcheff, Louise Lemoine Torres, Rodolphe Pauly.

Roteiro: Richard Linklater, Kim Krizan.

(Nota: 9,5)

≈ Antes do Amanhecer ≈

de Richard Linklater (1995)

Lembro de ter visto esse filme há algum tempo e gostei bastante. Trata de uma força interessante no poder que uma conversa tem e da forma como ela pode atrair duas pessoas de maneira tão profunda e intensa. Antes do Amanhecer é um filme inteiramente descompromissado que se constroi basicamente nos seus personagens principais Jesse (Ethan Hawke – Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto) e Celine (Julie Delpy) que após se conhecerem em um vagão de trem, resolvem descer em Viena para se conhecerem melhor e continuarem o ótimo papo simples, mas profundo.

Então como se pode notar, o entusiasmo desse filme encontra-se nas atuações que estão super à vontade assim como no roteiro que consegue nos fazer deleitar-se sobre o papo totalmente diverso daqueles dois que posteriormente criam um laço mais íntimo. É também de se impressionar a ‘tentativa’ do casal de aproveitar cada segundo daquele papo por entender que nunca mais se verão, por pura escolha e isso faz com que nós, espectadores, fiquemos até um tanto inquietos com essa ideia, logicamente por ter uma simpatia logo de cara com os dois. É um ótimo filme que exala romance.

Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy, Andrea Eckert, Hanno Pöschl, Karl Bruckschwaiger.

Roteiro: Richard Linklater, Kim Krizan.

(Nota: 9,0)

» Maluca Paixão

(Nota: 3,5)
Título Original: All About Steve
Gênero: Comédia Romântica
Diretor(es): Phil Traill.
Roteiristas: Kim Barker.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco:Sandra Bullock, Thomas Haden Church, Bradley Cooper, Ken Jeong, DJ Qualls, Keith David, Howard Hesseman, Beth Grant, Katy Mixon, M.C. Gainey, Holmes Osborne, Delaney Hamilton.
Duração: 98 minutos.

Muitos falam que esse ano, houve nas premiações um dos maiores contra-sensos de sua história. A atriz Sandra Bullock ganhou o Oscar de Melhor Atriz por seu desempenho em Um Sonho Possível, no qual é uma mãe de família que coloca dentro de casa um jovem que não tem onde morar. Porém, na mesma época, ela também recebeu indicação e ganhou a Framboesa de Ouro de Pior Atriz, justamente por Maluca Paixão, com direito a tê-la no evento e fazer de discurso de agradecimento, o que nos deixa extremamente curioso. Tive que conferir o longa pra ter a plena certeza do que era dito por todos, mas acabo chegando a conclusão que a culpa é mais do personagem do que da atriz, propriamente dita.

Mary Horowitz (Sandra BullockUm Sonho Possível) é uma mulher adulta que ainda mora com os pais e seu maior passatempo é fazer palavras-cruzadas e coisas do gênero para o jornalde sua cidade. Certo dia foi apresentada ao cinegrafista da CNN Steve (Bradley Cooper Se Beber, Não Case!) e se convenceu que era ele o grande amor da sua vida. Para provar por A + B para ele que são almas gêmeas, Mary passa a persegui-lo por todos país, nas reportagens que ele cobre,  e assim mostrar que nasceram um pro outro.

É praticamente inevitável que já se inicie com um pé atrás na hora de ver este filme, não porque ela ganhou de Pior Atriz, mas porque a sinopse se mostra completamente rasa sem qualquer fator que influencie realmente na vontade real de querer conferir. O filme não preza em momento alguma pelos fatores técnicos, o que de cara já nos permite não curtir o longa. O roteiro mostra-se completamente sem foco e bastante tosco. A Trilha Sonora é lamentavelmente péssima, já que poderia ser algo se salvasse. A destinação dos personagens ainda faz com que a vergonha alheia seja uma companheira fiel do espectador do início ao fim.

Até música de Mudança de Hábito foi colocada, daí se tira o buraco em que o filme se encontra. Próximo  do seu fim pode-se até dizer que o longa dá uma melhorada, mas quando começa com o apelo totalmente sentimental e cheio de dramalhão, perde completamente a graça que já era bem pouco. Entendo que a culpa maior é do personagem de Sandra Bullock porque aquela é a essência de Mary e ela não pode fazer nada além disso, é daqueles protagonistas que não se pode exigir muito, afinal a história mesmo é pouco exigente. Resumo da ópera: se quiser ver por Sandra Bullock, ainda vai, mas não veja por qualquer outro motivo, não vale a pena.

» Juntos Pelo Acaso

(Nota: 4,0)
Título Original: Life as We Know It
Gênero: Comédia Romântica
Diretor(es): Greg Berlanti.
Roteiristas: Ian Deitchman, Kristin Rusk Robinson.
Ano de Lançamento: 2010.
Elenco:Katherine Heigl, Josh Duhamel, Josh Lucas, Alexis Clagett, Brynn Clagett, Brooke Clagett, Hayes MacArthur, Christina Hendricks.
Duração: 112 minutos.

Uma vez ou outra, uma comédia romântica sempre faz bem. Tem algumas que são bestinhas mas que de tão bestinhas acabam sendo divertidas e acabam cumprindo sua função ‘social’ de animar quem tá vendo. Porém, ultimamente esse gênero vem sofrendo com a falta de inovação, de originalidade. É fato que elas são sempre o alvo de clichês dos mais óbvios, mas acredito que até esses lugares-comuns podem ser trabalhados de forma tal que não sejam tão claros, podem ser contornados de uma forma inteligente como muitos filmes já fizeram como, por exemplo, 500 Dias Com Ela.

Holly Berenson (Katherine Heigl – Par Perfeito) e Eric Messer (Josh Duhamel) se conheceram em razão de seus amigos que são casados e querem ‘o melhor’ pros dois. No entanto, o primeiro encontro é tão desastroso que eles chegaram ao ponto de se odiarem ‘eternamente’. A única coisa que ainda conseguem manter em comum além dos amigos, é a paixão pela afilhada Sophie. Porém ocorre uma fatalidade com os pais da menininha e os únicos que podem ficar com ela (por decisão dos pais) são justamente os dois padrinhos da garota. Devendo, ambos, ficarem juntos para ajudar na criação dela.

Como falei, a história em si até que é criativa, mas o seu desenrolar é completamente sem expressão e não tem qualquer poder de sedução perante o espectador. Até meninas que amam besteiróis românticos acham esse filme bem fraco, esquecível ao extremo. O roteiro não tem um caminho que se assegure de forma tal que envolva, além do fato de que o óbvio é a coisa mais corriqueira neste longa. Nem a atuação dos protagonistas ajuda muito, na verdade, em nada acrescenta o destino trágico que o roteiro toma. Umas das poucas coisas que realmente fazem valer a pena assistir o filme é a pequenina Sophie que além de linda é carismática e melhor atriz do que muitos do elenco.

» Apenas o Fim

(Nota: 8,5)
Título Original: Apenas o Fim
Gênero: Comédia Romântica
Diretor(es): Matheus Souza.
Roteiristas: Matheus Souza.
Ano de Lançamento: 2008.
Elenco: Érika Mader, Gregório Duvivier, Nathalia Dill, Álamo Faço, Julia Gorman, Marcelo Adnet, Ana Sophia Folch.
Duração: 80 minutos.

O que será possível fazer quando se tem somente um roteiro, dois atores principais e nada mais do que um ou outro ator coadjuvante? Partindo deste pressuposto, espera-se que este seja um fator suficiente para que o filme seja uma derrota, pelo menos teoricamente. Digo teoricamente porque existem diretores e equipes com talento suficientes para que façam disso uma obra concisa, interessante e inteligente. Ainda mais saindo do cinema brasileiro que geralmente só dá força a violência e morte, isso é um grande avanço, digno de fazer os olhos brilharem e é exatamente isso que acontece com esta película.

Antônio (Gregório Duvivier – A Mulher Invisível) está na universidade quando é procurado pela sua namorada (Erika Mader). Ela, extremamente decidida, resolve fazer um anúncio para ele: está indo embora e nunca mais o verá, ela vai fugir de casa, pretendendo recomeçar sua vida em um canto qualquer que ele não deve saber. E eles têm aproximadamente duas horas para conversar sobre o que for ou fazer o que for, até que ela vá embora. Nesse papo, ele tenta entender o porquê e ainda quer convencê-la do contrário.

Logo de início, a fita já me conquista por ter um clima diferente, um ar despojado, mas ao mesmo tempo competente em apresentar seus protagonistas. Para que haja uma perfeita sintonia, um uníssono entre os personagens e o espectador, temos uma fotografia super comprometida com o momento em que vivem os personagens. Porém, termos técnicos a parte, o que consegue mais encantar neste longa é o caminho pelo qual o roteiro caminha. Os protagonistas fazem parte de um diálogo que pouco tem interferência externa, o que até seria uma crítica a se fazer porque acredito que só os dois são suficientes para um bom trabalho.

São os comentários bestas que vão de Powers Rangers, Pokemóns e Vovó Mafalda, passando pelo Senhor dos Anéis com citações ao fato de Tom Bombadil não está no filme e tudo o mais que encantam. As referências constroem de forma gostosa e bastante literária o roteiro profundamente bem sustentado por Duvivier e Mader. Essa passagem por livros, filmes e jogos acaba identificando cada tipo de espectador e fazendo-os se identificar com o que vê em tela. O que também me chama a atenção é que as coisas mais bestas de um namoro são retratadas com tal propriedade pelo diretor e roteirista Matheus Souza que elas não se tornam hollywoodianamente fúteis. Sem dúvida é o amadurecimento do cinema tupiniquim que todos tanto desejavam e está vindo justamente pelas mãos de novos diretores como o já citado e também como Esmir Filho.