» O Rei Leão 3D

Ainda que eu tenha idade pra poder ter visto O Rei Leão no cinema, não sei exatamente o porquê mas não pude conferir na grande tela e isso sempre foi algo que me frustrou extremamente, isso porque sou um grande fã do filme que marcou minha infância pelas incansáveis vezes que botei a fita VHS (sim, FITA) pra passar esta animação. Assim, quando soube da possibilidade de rever este clássico, sendo que agora no cinema, foi algo que realmente me animou. Ainda que não seja grande fã do cinema 3D, acho que essa conversão não fez tanto mal assim a animação mesmo que ela seja melhor em 2D. Portanto, vou REPOSTAR um texto que fiz um tempo atrás analisando ponto-a-ponto esta animação. Se você ainda não assistiu ao filme, não leia pois contém spoilers:

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Há algumas semanas eu coloquei aqui, através da sessão “Belas Cenas”, uma tomada que muito me comoveu quando criança e que ainda hoje mexe comigo de maneira infantil e ao mesmo tempo ‘agradável’. De qualquer maneira não foi Cinderela, nem Branca de Neve ou mesmo A Bela e a Fera que marcaram minha infância. Não. A animação da indústria Disney que mais me cativou foi sem dúvida a história de Simba, filhote de leão que se mostrava tão inocente quanto qualquer criança e que mais cedo do que imaginava precisou tornar-se adulto e achou por bem fugir de suas responsabilidades ou de suas culpas. O filme aborda pontos interessantes que, sendo visto com um pouco mais de cautela, torna-se base para uma excelente contenda filosófica e sociológica das coisas, o que o torna mais atraente tendo em vista o seu público-alvo e a forma como que será absorvido pelas crianças. Acho que não é necessário contar a história do filme, não é?

Esse clássico originalmente feito pela Disney, não se baseia em fábulas ou clássicos da literatura e trata de pontos de fundamental importância, como falei. Nos diálogos dos personagens, por serem animais, é possível enxergar a real importância do ciclo da vida, da cadeia alimentar e da ‘suposta’ hierarquia dentro da vida selvagem. Concernente ao meio produtivo, da cinematografia, temos aquela coisa clássica que remonta às cores do filme e que é bem típico dos filmes das Disney. O mundo bom e feliz está sempre muito colorido e vivo, ao contrário do mundo underground que se mostra cinza e morto, fato que no já comentado longa A Noiva Cadáver, é o contrário que faz a cena, mostrando que o colorido nem sempre é a vida. Outro método interessante é colocar algumas características do dublador original no personagem da animação, fato que começou a se popularizar e hoje é bem comum, como no caso de Whoopi Goldberg que tem na hiena a sua caracterização facial.

A comparação é outro ponto legal a ser suscitado quando se fala de Rei Leão. Temos o velho maniqueísmo que é representado por Simba/Mufasa (o bem) e Iscar/Hienas (o mal). E pelo que pude notar, fazendo uma alusão do símbolo de Iscar ao de Hitler é que se faz uma cena musical em que aquele discursa e as hienas marcham de maneira correta, feito um exército, como a cena clássica e histórica do Füher. Por outro lado, após todo o acontecido e com o advento da morte de Mufasa, Simba sente-se culpado e por isso foge. Assim encontramos dois personagens que serão fundamentais para que o clima dramático seja quebrado de forma fascinante na história. Timão e Pumba vêm para dissolver o estereótipo de que tudo está acabado e que não vale à pena chorar . Eles têm toda a solução para os problemas: Hakuna Matata. Um lema que é adotado pelos dois e pelo pobre e frágil Simba. Tudo é bem trabalhado e todos os pontos do filme têm um condimento que faz cada cena ser emocionante e instigante como é a do encontro entre Simba e Nala, além da marcante canção de amor dos dois.

Daí em diante surge a luta interior do protagonista sobre o seu regresso ao reino, sobre o fato de achar que não é digno disso e que assim deveria continuar. Grandes diálogos surgem desse conflito. O babuíno, tido como sacerdote do reino, confronta-o através das altercações que pergunta “quem é você?” e Simba diz que sabe quem é, mas o macaco afirma que Simba não se conhece e posteriormente mostra que Mufasa vive dentro dele, fato que o faz enxergar o pai dizer: “lembre-se de quem você é!” e o filho diz: “eu não sou mais quem eu fui”. Sendo usado num mesmo diálogo três tempos que mostram a confusão que pode existir em alguém e dando a lição de que há duas opções: tentar fugir para sempre do passado ou aprender com ele para lutar. Já de volta ao defasado reino é envolvente a espécie de tribunal travado entre Iscar e Simba, sendo outro ponto alto no qual aquele acusa este da morte do pai, um de modo extremamente ousado e o outro coberto pela fraqueza emocional.

Diante de tanta luta e de tanta briga ainda é possível rir e se divertir com, os sempre cômicos, Timão e Pumba que roubam a cena de maneira extremamente cômica e descontraída nas suas lutas contra as hienas. Em suma, o meu maior propósito em escrever esse texto foi dar uma visão do que acredito ter enxergado deste filme que, a primeira vista parece frágil e fútil, mas que mostra ser de grande valia e com uma moral pouco explorada e fortemente necessária para qualquer ser humano. Pode-se dizer que O Rei Leão é daquele filmes que vemos diversas vezes e jamais cansaremos de ver, gratificante é a palavra e a forma que me sinto ao revê-lo, sempre!

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» Indicados ao Oscar 2011 – Comentários

MELHOR FILME

127 Horas

Cisne Negro

O Vencedor

A Origem

Minhas Mães e Meu Pai

O Discurso do Rei

A Rede Social

Toy Story 3

Bravura Indômita

Inverno da Alma

Comentário: Dessa vez pude conferir todos os filmes indicados ao Oscar nessa categoria e no geral não tenho muito o que reclamar, tendo em vista que todos são ótimos filmes. Porém, mesmo contra a maré, tenho ressalvas quanto a presença de Toy Story 3 e Minhas Mães e Meu Pai. O primeiro não é tudo isso que se fala, é um bom filme, reconheço, mas ainda falta muito pra ser o melhor da Pixar. O segundo é um filme somente mediano que tem seu poder nas atuações e nada mais, esquecível ao extremo.

MELHOR ATOR

Javier Bardem por Biutiful

Jeff Bridges por Bravura Indômita

Jesse Eisenberg por A Rede Social

Colin Firth por O Discurso do Rei

James Franco por 127 Horas

Comentário: Creio que a surpresa da vez tenha sido por Javier Bardem concorrendo por Biutiful. Digo surpresa por causa das tendências em outra premiações, mas não tenho qualquer dúvida da competência desse ator que já nos provou em diversos filmes. Sinceramente, ainda que digam que isso é particularidade dos Coen, não vejo nada demais no trabalho de Bridges que é por vezes bastante caricato. Franco também meio que caiu de para-quedas, tem um ótimo futuro, mas não por 127 horas que mereceria ganhar. E Colin mostrou que não foi pura sorte sua indicação ano passado e tenho uma sensação que ninguém tira a estatueta dele.


MELHOR ATRIZ

Annette Bening por Minhas Mães e Meu Pai

Nicole Kidman por Reencontrando a Felicidade

Jennifer Lawrence por Inverno da Alma

Natalie Portman por Cisne Negro

Michelle Williams por Blue Valentine

Comentário: Ok. Mais um ano que Juliane Moore é completamente esnobada pela Academia. Sua atuação em Minhas Mães e Meu Pai é até melhor que a de Benning. Queria muito que ela estivesse no lugar da própria ou até mesmo de Nicole que está somente bem em Habbit Hole. Com essas indicações, acredita que a força fique entre Portman e Lawrence, ainda que aquela tenha mais chances.

 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christian Bale por O Vencedor

John Hawkes por Inverno da Alma

Jeremy Renner por Atração Perigosa

Mark Ruffalo por Minhas Mães e Meu Pai

Geoffrey Rush por O Discurso do Rei

Comentário: Tudo bem que Renner vem se mostrando um cara bem talentoso, porém pra mim sua indicação é um completo exagero assim como a de Mark Ruffalo que não está nada mais do que bem, neste longa. Como assim não ter Andrew Garfield indicado? Como assim acreditar que qualquer um dos dois citado anteriormente são superiores a este em A Rede Social, isso é péssimo, porque de todos os filmes que fez ano passado, esse é o que sua atuação merece mais destaque. Os demais estão de forma merecidíssima concorrendo, porém Bale é o mais forte.

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Adams por O Vencedor

Helena Bonham Carter por O Discurso do Rei

Melissa Leo por O Vencedor

Hailee Steinfeld por Bravura Indômita

Jacki Weaver por Reino Animal

Comentário: Eu vi O Vencedor e pra seu maior mérito encontra-se nas atuações e nada mais. Mais por Melissa Leo e Bale do que por qualquer outro. Amy Amams é uma linda, eu sei, mas indicá-la por esse filme já é forçar demais a barra. Preciso ver Animal Kingdom. Gosto de Hailee Steinfeld em Bravura Indômita, porém não tenho tanta certeza se deveria ser indicada.

 

MELHOR DIREÇÃO

Darren Aronofsky por Cisne Negro

Ethan Coen por Joel Coen por Bravura Indômita

David Fincher por A Rede Social

Tom Hooper por O Discurso do Rei

David O. Russell por O Vencedor

Comentário: Essa é a parte mais falha do Oscar. Acho que a direção é o verdadeiro reconhecimento que um filme pode ter. se trata do todo, se trata da harmonia e isso deve ser feito com muita responsabilidade para que os reconhecimentos venham. Impossível dizer que Nolan em A Origem não foi responsável ao longo de todo o filme. Ser capaz de harmonizar Montagem, Trilha, Atuações, Direção de Arte e tudo o mais prova o quão capaz ele é, o quão bom permite ser em sua posição. A sua não indicação, é a prova de que algo está errado. Não consigo ver nada demais na direção de David O. Russell, ela só ok, nada mais. Ainda que muitos digam que não, mas foi esse último que tomou a vaga de Nolan. Mas não se preocupa não, Nolan, o tempo mostrará quem tá com a razão.

 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Another Year: Mike Leigh

O Vencedor: Scott Silver por Paul Tamasy por Eric Johnson por Keith Dorrington

A Origem: Christopher Nolan

Minhas Mães e Meu Pai: Lisa Cholodenko por Stuart Blumberg

O Discurso do Rei: David Seidler

Comentário: De certa forma gostei das indicações porque entendo que podem dar mais força para a vitória de A Origem. Talvez a pedra no sapato fique por conta de O Discurso do Rei.

 

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

127 Horas: Danny Boyle por Simon Beaufoy

A Rede Social: Aaron Sorkin

Toy Story 3: Michael Arndt por John Lasseter por Andrew Stanton por Lee Unkrich

Bravura Indômita: Joel Coen por Ethan Coen

Inverno da Alma: Debra Granik por Anne Rosellini

Comentário: Inverno da Alma ter sido indicado, só prova a grandeza desse longa que não só nos entrega uma grande atuação de sua protagonista como também uma história densa e bem estruturada. Para mim, quem caiu de pára-quedas aí sem qualquer necessidade foi Toy Story.

 

MELHOR ANIMAÇÃO

Como Treinar o Seu Dragão: Dean DeBlois, Chris Sanders

O Mágico: Sylvain Chomet

Toy Story : Lee Unkrich

 

MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

Biutiful: Alejandro González Iñárritu (México)

Kynodontas: Giorgos Lanthimos (Grécia)

Em um Mundo Melhor: Susanne Bier (Dinamarca)

Incendies: Denis Villeneuve (Canadá)

Fora da Lei: Rachid Bouchareb (Argélia)

 

MELHOR FOTOGRAFIA

Cisne Negro: Matthew Libatique

A Origem: Wally Pfister

O Discurso do Rei: Danny Cohen

A Rede Social: Jeff Cronenweth

Bravura Indômita: Roger Deakins

 

MELHOR MONTAGEM (EDIÇÃO)

127 Horas: Jon Harris

Cisne Negro: Andrew Weisblum

O Vencedor: Pamela Martin

O Discurso do Rei: Tariq Anwar

A Rede Social: Kirk Baxter, Angus Wall

Comentário: Depois de direção, essa é a categoria mais falha do Oscar 2011. A Origem era pra ser indicada e tornar-se aquela com mais chances de ganhar, porque um dos grandes méritos desse filme está justamente na sua edição, minuciosamente trabalhada. Me desculpa, mas cada vez me convenço mais que O Vencedor é o The Blind Side desse ano.

 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Alice no País das Maravilhas: Robert Stromberg, Karen O’Hara

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1: Stuart Craig, Stephenie McMillan

A Origem: Guy Hendrix Dyas, Larry Dias, Douglas A. Mowat

O Discurso do Rei: Eve Stewart, Judy Farr

Bravura Indômita: Jess Gonchor, Nancy Haigh

 

MELHOR FIGURINO

Alice no País das Maravilhas: Colleen Atwood

Io sono l’amore: Antonella Cannarozzi

O Discurso do Rei: Jenny Beavan

The Tempest: Sandy Powell

Bravura Indômita: Mary Zophres

 

MELHOR MAQUIAGEM

Minha Versão para o Amor: Adrien Morot

Caminho da Liberdade: Edouard F. Henriques, Greg Funk, Yolanda Toussieng

O Lobisomem: Rick Baker, Dave Elsey

Comentário: Esperava que Harry Potter fosse indicado nessa categoria.

 

MELHOR TRILHA SONORA

127 Horas: A.R. Rahman

Como Treinar o Seu Dragão: John Powell

A Origem: Hans Zimmer

O Discurso do Rei: Alexandre Desplat

A Rede Social: Trent Reznor, Atticus Ross

Comentário: Outra ausência bastante considerável pra mim foi a trilha sonora de Tron: O Legado por Daft Punk. Disparado a melhor do ano passado e foi completamente ignorada pela Academia. Queria muito ver Cisne Negro indicada nessa categoria, mas entende os critérios rígidos.

 

MELHOR CANÇÃO

127 Horas: A.R. Rahman, Rollo Armstrong, Dido (“If I Rise”)

Country Strong: Tom Douglas, Hillary Lindsey, Troy Verges (“Coming Home”)

Enrolados: Alan Menken, Glenn Slater (“I See the Light”)

Toy Story 3: Randy Newman (“We Belong Together”)

 

MELHOR MIXAGEM DE SOM

A Origem: Lora Hirschberg, Gary Rizzo, Ed Novick

O Discurso do Rei: Paul Hamblin, Martin Jensen, John Midgley

Salt: Jeffrey J. Haboush, William Sarokin, Scott Millan, Greg P. Russell

A Rede Social: Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick, Mark Weingarten

Bravura Indômita: Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff, Peter F. Kurland

Comentário: Mixagem de Som para A Rede Social, oi?


MELHOR SOM

A Origem: Richard King

Toy Story 3: Tom Myers, Michael Silvers

Tron: O Legado: Gwendolyn Yates Whittle, Addison Teague

Bravura Indômita: Skip Lievsay, Craig Berkey

Incontrolável: Mark P. Stoeckinger

 

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Alice no País das Maravilhas: Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas, Sean Phillips

Harry Potter e as Relíquias da Morte –  Parte 1: Tim Burke, John Richardson, Christian Manz, Nicolas Aithadi

Além da Vida: Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojansky, Joe Farrell

A Origem: Chris Corbould, Andrew Lockley, Pete Bebb, Paul J. Franklin

Homem de Ferro 2: Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright, Daniel Sudick

Comentário: ALém da Vida é um filme bem, mas bem ruim. Porém louvo seus efeitos visuais que são realmente incríveis nos seus minutos iniciais. A indicação basta, assim como a de Harry Potter. Quero ver Inception levando.

» Comentando os Indicados aos Oscar 2010!

Avatar lidera indicações ao Oscar 2010

Foi anunciado hoje às 11h30min (hor. Brasília) os indicados ao Oscar 2010. Não foi uma grande surpresa, tudo dentro do previsto mas, logicamente, ainda é possível ter pequeninas surpresas em umas categorias assim como o total esquecimento de alguns filmes em determinadas categorias que nós, cinéfilos, gostaríamos de ver ao menos a indicação.

Melhor Filme

Avatar
Um Sonho Possível
Distrito 9
Educação
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios

Preciosa – Uma História de Esperança
Um Homem Sério
Up – Altas Aventuras

Amor Sem Escalas

Os já esperados Educação, Guerra ao Terror, Bastardos Inglórios, Avatar e Distrito 9 não revelam nada demais. No entanto, há algumas pequenas surpresas (para mim) nessa categoria principal. O surgimento de Preciosa que é um excelente filme, e até então não figurou em qualquer outro prêmio considerável nesta categoria principal com exceção do Globo de Ouro. Um Sonho Possível e Um Homem Sério são dois filmes que realmente não se acreditava na real indicação. O primeiro é um ótimo filme mas não a ponto de tal indicação. E também Up que concorre também em Melhor Animação.

Melhor Diretor

Jason Rietman (Amor sem Escalas)
James Cameron (Avatar)
Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)
Lee Daniels (Preciosa – Uma História de Esperança)
Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)

Creio que essa tenha sido a categoria mais óbvia, visto que suas indicações já eram completamente esperada com exceção de Preciosa que apesar de ser um bom filme, não vejo tanta competência assim na direção.

Melhor Ator

Jeff Bridges, por Coração Louco
George Clooney, por Amor Sem Escalas
Colin Firth, por Direito de Amar
Morgan Freeman, por Invictus
Jeremy Renner, por Guerra ao Terror

A surpresa da vez ficou por conta de Jeremy Renner que teve sua atuação muito bem reconhecida pela Academia, ainda que tenha sido uma das poucas que assim o fez. Fato que é bem merecido, ainda que provavelmente a estatueta pare nas mãos de Jeff.

Melhor Ator Coadjuvante

Matt Damon, por Invictus
Christopher Plummer, por The Last Station
Woody Harrelson, por The Messenger
Stanley Tucci, por Um Olhar no Paraíso
Christoph Waltz, por Bastardos Inglórios

Bem óbvio também, só acredito que Woody Harrelson ainda que esteja muito bem não apresenta nada verdadeiramente digno de impressão.

Melhor Atriz

Sandra Bullock, por Um Sonho Possível
Helen Mirren, por The Last Station
Gabourey “Gabby” Sidibe por Preciosa – Uma História de Esperança
Carey Mulligan, por Educação
Meryl Streep, por Julie &Julia

Mais uma vez Sandra Bullock confirmou seu favoritismo neste ano com sua indicação pioneira ao Oscar. Com exceção de Hellen Mirren, que não conferi, todas estão formidáveis em seus papeis. Apesar de gostar muito da primeira, torço e ainda acho que Meryl deve levar esse ano.

Melhor Atriz Coadjuvante

Maggie Gyllenhaal, por Coração Louco
Mo’Nique, por Preciosa – Uma História de Esperança
Anna Kendrick, por Amor Sem Escalas
Vera Farmiga, por Amor Sem Escalas
Penélope Cruz, por Nine

Sei que muitos vão me odiar por dizer isso, mas não consigo ver nada demais na interpretação de Anna Kendrick em Amor Sem Escalas, ela está nada mais que normal num papel normal. Surpresa para a indicação de Maggie Gyllenhaal por Coração Louco, algo que ninguém esperava. Contudo a grande promessa fica por conta de Mo’Nique que está fenomenal em Preciosa.

As demais categorias não houve muito que acrescentar. Gostei de ver Take It All indicada como melhor Canção até porque gostei bem mais dela do que Cinema Italiano. Senti falta de 2012 em Efeitos Visuais, já que é uma das poucas coisas que funcionam bem no filme. A Fita Branca e A Jovem Victória como Melhor Fotografia me surpreende também. E fica minha indignação por não ver (500) Dias Com Ela indicado para qualquer categoria e seriam muitas as indicadas como Roteiro Original, Montagem, Melhor Filme. Mas paciência, não basta a torcida.

Assim, espero agora a premiação que ocorrerá dia 07 de março.

» Analisando “Na Natureza Selvagem”

É impressionante como um filme pode te marcar tendo sido visto somente uma vez, não é? Vi Na Natureza Selvagem uma só vez e em 2008 no computador, quando fazia pouco tempo que tinha re-aberto o Portal Cine. Lembro que foi amor a primeira vista, foi um encantamento gigante por um filme que tratava de uma temática completamente diferente e fazia-nos enxergar fatos que anteriormente passavam despercebidos em nossas vidas. Precisava revê-lo. Precisava tê-lo. Comprei e na primeira oportunidade revi e não tive qualquer duvida sobre sua grandeza.

O que me satisfaz em escrever no quadro “Analisando” é justamente o fato de poder falar com paixão mesmo, com muito amor e deixar a tecnicidade de lado. Nesse quadro me dou a liberdade de dizer somente os pontos positivos e o que me agrada e ponto final, nada mais além disso. Afinal só entram aqui os filmes que tem minha real consideração e este é um deles, óbvio. Aqui não é preciso narrar a história, já que aconselho a quem não nunca o viu que deixe de ler, porque eu conto fatos que talvez nem todos queiram saber.

São várias as coisas e acontecimentos que me chamaram a atenção nesta revisão. Achei interessante e curioso o fato de que nos primeiros minutos do longa não entra em evidência o rosto do protagonista Christopher McCandless (Emile Hirsch) sendo, na verdade, os feitos e palavras mais essenciais e vindos em primeiro plano. Depois de apresentá-lo sob esses aspectos é que é mostrado seu rosto. Tais apresentações mostram-nos o real sentimento do protagonista com sua vida e com sua trilha, e ainda mais, permite-nos compreender que ele quer viver longe de tudo e de todos para tentar compreender-se e viver “sem continuar a ser envenenado pela civilização”.

Algumas considerações claras sobre Chris (que posteriormente adota o codinome de Alexander Supertrump). Devido a vários acontecimentos ele encara sua vida como uma grande mentira, uma hipocrisia principalmente no quesito instituição familiar além do que ele enxerga a maldade no ser humano, mais do que qualquer outra característica. Suas impressões têm total caráter filosófico e enfrenta tudo como uma espécie de filosofia de vida, das ondas que quebram no mar ao dinheiro que torna o homem cauteloso demais.

O filme deixa tudo mais dinâmico repartindo-o da mesma maneira que Alex procurava fazer ao retratar seus momentos, através de atos e capítulos. Classificando sua vida pós-faculdade como nascimento, adolescência, idade adulta, família, tornando-se sábio, assim como os livros que são umas de suas paixões. Ainda há também a procura do ‘desprendimento’, e ele passa a entender que isso só será possível quando se isolar completamente, quando ficar sozinho. Por isso diz: “e agora, depois de dois anos errando, vem a última e maior aventura. A batalha culminante para matar o falso ser interior e concluir com vitória a revolução espiritual”. E ainda assim, nessa sua vida de conhecimentos e aprendizagens, ele conseguiu encontrar pessoas que tinham ideais próximos aos seus sendo que não totalmente desligados do dinheiro.

As impressões que sua irmã tem dele são fundamentais para procurarmos entender um pouco mais do complexo personagem que ainda assim era pouco conhecido pela própria irmã. Seus pais, sempre protagonistas de cenas de briga e discussões fortes, sofreram muito com o seu ‘desaparecimento’ e em função dessas circunstâncias se aproximaram mais do que acreditavam ser possível e sua irmã comenta: “lembro que ele não cresceu com esses pais, amaciados pela reflexão forçada que vem com a perda”.

Porém após chegar ao seu destino final, Chris/Alex acabou enxergando que nem tudo são flores e que nem sempre os seus ideais são os suficientes para fazê-los viver, como seus atentamentos para a diminuição do arroz, o seu emagrecimento e o sumiço dos animais à sua volta.  Depois que percebe que tem necessidade de viver e socializar seus sentimentos, ele se vê ilhado num lugar onde a natureza não mais contribui para a sua revolução espiritual.  E daí em diante nota que no início tudo era perfeitamente aceitável, ele se considerava sozinho, não solitário. Ele se considerava feliz, não apavorado. Sendo que tem uma hora que tudo cai por terra e a realidade fala mais forte.

Seus momentos mais drásticos são também os mais ferinos. Sua transformação, seu emagrecimento é ao mesmo tempo chocante e fantástico. A maneira como Emile Hirsch vestiu-se do personagem foi algo digno de louvor por que sua dedicação foi ímpar. Chegando, inclusive a perder 18 quilos para compor o personagem no fim de sua vida. Não só sua atuação como a de Hal Holbrook são exemplos de que tudo vale a pena na fita.  A trilha sonora de Eddie Vedder é completamente conectada com o filme do início ao fim e ainda corroboram com clareza com os princípios de Chris.

O fato é que o filme nos toca por ter personalidade e fugir do lugar-comum com bastante propriedade. Com uma fotografia precisa e sensível, Na Natureza Selvagem nos permite compreender que o seu protagonista é bem mais complexo do que acreditamos e que ele também entende ser passível de erros a ponto de declarar ao fim de sua vida que “A felicidade só é real quando acompanhada”. No entanto o que deixo como reflexão ao final deste texto, é o que declara sua irmã durante o longa e que exprime de maneira acertada o real sentimento do personagem a cerca das pessoas em sua volta e de si mesmo: “Chris avaliava a si mesmo e as pessoas ao redor com um código moral tremendamente rigoroso”.

» Analisando “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”

amelie

Até este momento, eu só havia assistido a tal filme somente uma vez. E não foi preciso muito para que ele me conquistasse com sua simplicidade e com o modo diferente e ao mesmo tempo igual de se contar uma história. Procurei revê-lo para entender, por A + B, qual o real motivo desse longa fascinar a tantas pessoas, apesar de saber que nem todos encontram o fascínio nele. A história não é das mais diferentes, ela fala sobre o amor, fala sobre as pessoas, sobre os sentimentos, sobre o comportamento, sobre as atitudes. Sim. Fala sobre tudo isso através de coisas mais cotidianas do que possamos imaginar, sem a história ficar embaralhada ou confusa. Tudo em seu tempo.

Nós podemos perceber que os aspectos técnicos serão basilares desde o início, quando nota-se que a fotografia tem um propósito díspar dos demais filmes, ela vem pra marcar, para dar mais cores ao que é necessário e até mesmo paras as coisas que, em outros momentos, nos passariam despercebidas. A trilha sonora nos permite um envolvimento tal com as cenas e situações da película que se ela não estivesse presente nada faria tanto sentido quanto realmente fez. Apesar da família meio estranha, notamos que Amélie tem tudo para ser uma criança normal e essa ‘informação’ nos é passada nos créditos iniciais, onde ela faz tudo que qualquer outra criança faz ou sonharia em fazer. Um propósito conveniente e que deixa cada personagem mais próximo do espectador é a distinção que o narrador faz, dizendo o que aquele personagem gosta ou não.

Essa questão de dizer quem gosta ou não de fazer algo, não só aproxima o personagem ao espectador como também deixa o espectador entrar naquele mundo já que mais cedo ou mais tarde, ele irá se identificar com algo que alguém goste ou não de fazer. Quando pequeno, e creio que ainda hoje, eu adorava enfiar minha mão no saco de cereais ou feijão que tinha nas feiras que ia com meu pai, assim como Amélie. As perguntas idiotas que ela faz a si mesmo como a de quantos orgasmos estão havendo na cidade naquele momento, são aquelas que muitos de nós nos fazemos e não temos coragem de admitir, não acham?

O narrador procura nos levar por caminhos que acreditamos já conhecer, porém somos pegos de surpresa. Por exemplo: o momento que fala sobre a morte de Lady Di, achamos que a vida de Amélie muda por causa disso, mas na verdade é por causa da tampa que bate no tijolo fofo e que mostra a ela um buraco em que existe uma caixa posta lá mais de trinta anos atrás por um garoto. Dessa forma, Amélie encontra algo que a satisfaça da maneira que precisava, e é a partir desse momento que ela percebe o quanto é bom enxergar as reações das pessoas, por isso ela agirá de maneira diferente com todos. É possível compreender, também, que a protagonista encontra seu lado humanista, de querer fazer o bem às pessoas e descobre o quanto isso lhe faz bem.

A astúcia da personagem principal é, na verdade, o grande atrativo e diferencial que existe no filme. Caso contrário, ele seria somente mais um, sem muita expressão por que trata do cotidiano e são muitos aqueles que trataram do mesmo tema e caíram no esquecimento, por não ser feito de maneira impar, especial. As vicissitudes para entregar a caixinha ao dono já adulto e amargurado, a ajuda ao ceguinho para atravessar a rua, o encontro do cliente com sua colega de trabalho e especialmente os joguinhos para entregar o álbum de fotos ao homem que ela se apaixonou, dão a história um gosto de algo diferente e encantador.

As questões filosóficas também estão em pauta no filme, assim como o contexto psicológico. Os momentos mais claros dessa idéia são quando ela encontra-se com aquele que é intitulado como “homem de Vidro” por ter seus ossos enfraquecidos. Na discussão sobre o quadro que ele pinta e sua personagem, eles fazem questionamentos que ela termina por misturar com sua vida e com suas decisões. Ele, por frases metaforicamente bem colocadas, incute dúvidas em Amélie de maneira tal que a faz repensar sobre suas ações, como: “Quando chega a hora, precisa saltar sem hesitar” e no fim quando diz: “Você não possui ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida”, encorajando-a para tomar atitude e ficar com quem deseja. É um longa que merece ser visto e re-visto para que encontremos o algo a mais que ele sempre vai querer passar.

» Analisando “O Rei Leão”

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Há algumas semanas eu coloquei aqui, através da sessão “Belas Cenas”, uma tomada que muito me comoveu quando criança e que ainda hoje mexe comigo de maneira infantil e ao mesmo tempo ‘agradável’. De qualquer maneira não foi Cinderela, nem Branca de Neve ou mesmo A Bela e a Fera que marcaram minha infância. Não. A animação da indústria Disney que mais me cativou foi sem dúvida a história de Simba, filhote de leão que se mostrava tão inocente quanto a qualquer criança e que mais cedo do que imaginava precisou tornar-se adulto e achou por bem fugir de suas responsabilidades ou de suas culpas. O filme aborda pontos interessantes que, sendo visto com um pouco mais de cautela, torna-se base para uma excelente contenda filosófica e sociológica das coisas, o que o torna mais atraente tendo em vista o seu público-alvo e a forma como que será absorvido pelas crianças. Acho que não é necessário contar a história do filme, não é? Mesmo quem não assistiu deve ter uma idéia sobre o que aconteceu, entretanto de qualquer maneira, aviso antes que reclamem, que quem não viu tal filme não deve ler esse post já que contém spoilers, pois se baseia em comentários sobre diversos momentos inerentes a animação.

Esse clássico originalmente feito pela Disney, não se baseia em fábulas ou clássicos da literatura e trata de pontos de fundamental importância, como falei. Nos diálogos dos personagens, por serem animais, é possível enxergar a real importância do ciclo da vida, da cadeia alimentar e da ‘suposta’ hierarquia dentro da vida selvagem. Concernente ao meio produtivo, da cinematografia, temos aquela coisa clássica que remonta às cores do filme e que é bem típico dos filmes das Disney. O mundo bom e feliz está sempre muito colorido e vivo, ao contrário do mundo underground que se mostra cinza e morto, fato que no já comentado longa A Noiva Cadáver o contrário é que faz a cena e o colorido nem sempre é a vida. Outro método interessante é colocar algumas características do dublador original no personagem da animação, fato que começou a se popularizar e hoje é bem comum, como no caso de Whoopi Goldberg que tem na hiena a sua caracterização facial.

A comparação é outro ponto legal a ser suscitado quando se fala de Rei Leão. Temos o velho maniqueísmo que é representado por Simba/Mufasa (o bem) e Iscar/Hienas (o mal). E pelo que pude notar, fazendo uma alusão do símbolo de Iscar ao de Hitler é que se faz uma cena musical em que aquele discursa e as hienas marcham de maneira correta, feito um exército, como a cena clássica e histórica do Füher. Por outro lado, após todo o acontecido e com o advento da morte de Mufasa, Simba sente-se culpado e por isso foge. Assim encontramos dois personagens que serão fundamentais para que o clima dramático seja quebrado de forma fascinante na história. Timão e Pumba vêm para dissolver o estereótipo de que tudo está acabado e que não vale à pena chorar . Eles têm toda a solução para os problemas: Hakuna Matata. Um lema que é adotado pelos dois e pelo pobre e frágil Simba. Tudo é bem trabalhado e todos os pontos do filme têm um condimento que faz cada cena ser emocionante e instigante como é a do encontro entre Simba e Nala, além da marcante canção de amor dos dois.

Daí em diante surge a luta  interior do protagonista sobre o seu regresso ao reino, sobre o fato de achar que não é digno disso e que assim deveria continuar. Grandes diálogos surgem desse conflito. O babuíno, tido como sacerdote do reino, confronta-o através das altercações que pergunta “quem é você?” e Simba diz que sabe quem é, mas o macaco afirma que Simba não se conhece e posteriormente mostra que Mufasa vive dentro dele, fato que o faz enxergar o pai dizer: “lembre-se de quem você é!” e o filho diz: “eu não sou mais quem eu fui”. Sendo usado num mesmo diálogo três tempos que mostram a confusão que pode existir em alguém e dando a lição de que há duas opções: tentar fugir para sempre do passado ou aprender com ele para lutar. Já de volta ao defasado reino é  envolvente a espécie de tribunal travado entre Iscar e Simba, sendo outro ponto alto no qual aquele acusa este da morte do pai, um de modo extremamente ousado e o outro coberto pela fraqueza emocional.

Diante de tanta luta e de tanta briga ainda é possível rir e se divertir com, os sempre descontraídos, Timão e Pumba que roubam a cena de maneira extremamente cômica e descontraída nas suas lutas contra as hienas. Em suma, o meu maior propósito em escrever esse texto foi dar uma visão do que acredito ter enxergado deste filme que, a primeira vista parece frágil e fútil, mas que mostra ser de grande valia e com uma moral pouco explorada e fortemente necessária para qualquer ser humano. Pode-se dizer que O Rei Leão é daquele filmes que vemos diversas vezes e jamais cansaremos de ver, gratificante é a palavra e a forma que me sinto ao revê-lo, sempre!