» Aconteceu em Woodstock

(Nota: 7,0)
Título Original: Taking Woodstock
Gênero: Drama
Diretor(es): Ang Lee
Roteiristas: James Schamus, baseado em livro de Elliot Tiber e Tom Monte.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: James Schamus, Elliot Tiber, Tom Monte
Elenco: Henry Goodman, Edward Hibbert, Imelda Staunton, Demetri Martin, Emile Hirsch, Paul Dano, Kelli Garner, Clark Middleton, Bette Henritze.
Duração: 110 minutos.

Uma das coisas que mais me fazem querer sempre manter o blog ativo mesmo em momentos difíceis nos quais filmes são meu último item da lista é poder interagir com todos que visitam assim como também poder visitar os blogs dos colegas e conhecer filmes que, talvez, não tivesse contato se não fosse por meios virtuais. Apesar de ser um filme de um conhecido diretor, sem sombra de dúvidas ele passaria despercebido por mim por não ter estreado no cinema daqui, para variar. Contudo, ao visitar blogs amigos percebi que todos estavam conferindo e tive que pedir ajuda a outros recursos para não ficar ‘por fora’.

1969. Movimento Hippie em plena ascensão nos Estados Unidos e seus músicos prediletos também, além dos roqueiros antigos. Elliot Tiber (Demetri Martin) é um jovem que abandona seus sonhos e trabalhos em Nova York e volta para sua cidade natal para investir no Hotel que é de propriedade de seus pais. Na cidade vizinha, um enorme evento de música teve seu funcionamento prévio cancelado pela prefeitura e estavam a procura de um novo lugar. Ele, por meio da Câmara de Lojistas, oferece a cidade aos organizadores do festival de Woodstock e passa a lucrar com a propriedade de seus pais.

Como todos podem notar não é uma grande história. Ainda que se trate de um evento tão magnânimo como foi o festival de Woodstock, mesmo assim não mostra muita funcionalidade nem propósito claro a cerca do que vem apresentar. Algumas poucas coisas chamam a atenção positivamente para o filme como o figurino que está super apropriado para a época, chama bastante a atenção. Emile Hirsh (Na Natureza Selvagem) entra na história como aquele louco que tem certos momentos de sanidade e vice-versa. Isso já está um pouco desgastado, entretanto ainda funciona com ele, que apesar de está se mostrando grande intérprete, não consegue ser nada mais que bom nesta fita.

Em contraposição aos muitos pontos negativos, temos uma excelente atuação de Imelda Staunton (Escritores da Liberdade) como mãe de Elliot, uma judia russa que fugiu da Europa nazista e que tem enormes traumas. A montagem poderia ter sido muito superior se não fosse a intenção de mostrar várias cenas ao mesmo tempo, o que termina por confundir o espectador.  A abordagem é até original porém creio que o roteiro não teve consistência suficiente para poder tratar do tema com propriedade e tudo cai na mesmice, com um final sem nada a acrescentar. É um filme bem irregular em diversos aspectos, a meu ver.

» Um Sonho Possível (The Blind Side)

(Nota: 9,0)
Título Original: The Blind Side
Gênero: Drama
Diretor(es): John Lee Hancock
Roteiristas: John Lee Hancock, Michael Lewis.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Sandra Bullock, Tim McGraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kim Dickens, Adriane Lenox, Kathy Bates, Catherine Dyer, Andy Stahl, Tom Nowicki.
Duração: 128 minutos.

Sempre tive uma enorme simpatia por Sandra Bullock (Crash – No Limite) e, por isso, é inegável que sempre torci por ela e, naturalmente, pelos seus papéis. No entanto, sempre notei que suas atuações sempre foram regulares, sem muita exaltação por que de fato, reconheço, ela nunca fez um trabalho que realmente chamasse a atenção. Mas, logicamente, por admirá-la e gostar bastante de seus personagens e filmes, sempre torci para que viesse uma oportunidade que mostrasse seu real talento e finalmente isso aconteceu, antes tarde do que nunca.

Michael Oher (Quinton Aaron – As Duas Faces da Lei) é um jovem adolescente pobre, negro, semi-alfabetizado, extremamente alto e que não teve muitas oportunidades na vida. Vendo a promessa que poderia ser para o Futebol Americano, um conhecido seu consegue uma bolsa para ele em um dos melhores colégios da sua região. Lá, ele enfrenta todas as dificuldades na sala de aula por não ter tido e não ter um bom acompanhamento. Mike torna-se amigo do filho de Leigh Anne Touhy (Bullock) e ela, ao encontrá-lo em um dia chuvoso sem ter para onde ir, acolhe-o em sua casa e daí em diante passa a tratá-lo como se fosse mais um filho.

Esse filme tem algumas cartas na manga que fazem com que mostre seu potencial e que não caia no esquecimento somente por ter uma boa interpretação. Creio que o contexto emocional é totalmente envolvente, tanto que seu início não se mostra tão pretensioso e isso é percebido quando a celeridade e interesse começam a ficar maiores com o passar do tempo. Nem sempre vejo isso como uma falha no roteiro e sim como uma maneira curiosa de fixar a atenção do espectador. Acredito, portanto, que está nos personagens o seu maior trunfo, porque é sobre eles que a história passa a ficar mais interessante já que passamos a conhecê-los com mais afinco com o passar do tempo. Tenho que fazer uma pequena citação ao garoto que faz SJ (Jae Head), filho de Anne, que está espetacular no filme e que faz uma grande diferença nos momentos de descontração.

A personagem de Bullock nos aparenta ser uma mulher extremamente ‘fresca’ e carrancuda a primeira vista, entretanto depois enxergamos que não é bem assim e que Michael vem para amenizar mais ainda essa imagem. Creio, inclusive, que é justamente sob essa imagem que se faz o grande personagem de Sandra assim como sua bela e interessante atuação. Inclusive não sei explicar bem o porquê, mas Mike me emociona em determinados momentos do longa sem uma necessidade apelativa e isso, de uma maneira ou de outra, acabou me cativando. A história tem um propósito muito bonito e é extremamente sensível. O meu envolvimento foi estranhamente, ou propositalmente, influente na nota e no gosto final da película. Vale à pena conferir, sem dúvidas. Ainda mais agora que este filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme, no fim acho que meio que exagero porém não tiro a honra de tal filme.

Nota: Ah! E parabéns pra mim que hoje estou ficando mais velhinho… hahaha são 22 anos de muita felicidade! =)

» Comentando os Indicados aos Oscar 2010!

Avatar lidera indicações ao Oscar 2010

Foi anunciado hoje às 11h30min (hor. Brasília) os indicados ao Oscar 2010. Não foi uma grande surpresa, tudo dentro do previsto mas, logicamente, ainda é possível ter pequeninas surpresas em umas categorias assim como o total esquecimento de alguns filmes em determinadas categorias que nós, cinéfilos, gostaríamos de ver ao menos a indicação.

Melhor Filme

Avatar
Um Sonho Possível
Distrito 9
Educação
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios

Preciosa – Uma História de Esperança
Um Homem Sério
Up – Altas Aventuras

Amor Sem Escalas

Os já esperados Educação, Guerra ao Terror, Bastardos Inglórios, Avatar e Distrito 9 não revelam nada demais. No entanto, há algumas pequenas surpresas (para mim) nessa categoria principal. O surgimento de Preciosa que é um excelente filme, e até então não figurou em qualquer outro prêmio considerável nesta categoria principal com exceção do Globo de Ouro. Um Sonho Possível e Um Homem Sério são dois filmes que realmente não se acreditava na real indicação. O primeiro é um ótimo filme mas não a ponto de tal indicação. E também Up que concorre também em Melhor Animação.

Melhor Diretor

Jason Rietman (Amor sem Escalas)
James Cameron (Avatar)
Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)
Lee Daniels (Preciosa – Uma História de Esperança)
Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)

Creio que essa tenha sido a categoria mais óbvia, visto que suas indicações já eram completamente esperada com exceção de Preciosa que apesar de ser um bom filme, não vejo tanta competência assim na direção.

Melhor Ator

Jeff Bridges, por Coração Louco
George Clooney, por Amor Sem Escalas
Colin Firth, por Direito de Amar
Morgan Freeman, por Invictus
Jeremy Renner, por Guerra ao Terror

A surpresa da vez ficou por conta de Jeremy Renner que teve sua atuação muito bem reconhecida pela Academia, ainda que tenha sido uma das poucas que assim o fez. Fato que é bem merecido, ainda que provavelmente a estatueta pare nas mãos de Jeff.

Melhor Ator Coadjuvante

Matt Damon, por Invictus
Christopher Plummer, por The Last Station
Woody Harrelson, por The Messenger
Stanley Tucci, por Um Olhar no Paraíso
Christoph Waltz, por Bastardos Inglórios

Bem óbvio também, só acredito que Woody Harrelson ainda que esteja muito bem não apresenta nada verdadeiramente digno de impressão.

Melhor Atriz

Sandra Bullock, por Um Sonho Possível
Helen Mirren, por The Last Station
Gabourey “Gabby” Sidibe por Preciosa – Uma História de Esperança
Carey Mulligan, por Educação
Meryl Streep, por Julie &Julia

Mais uma vez Sandra Bullock confirmou seu favoritismo neste ano com sua indicação pioneira ao Oscar. Com exceção de Hellen Mirren, que não conferi, todas estão formidáveis em seus papeis. Apesar de gostar muito da primeira, torço e ainda acho que Meryl deve levar esse ano.

Melhor Atriz Coadjuvante

Maggie Gyllenhaal, por Coração Louco
Mo’Nique, por Preciosa – Uma História de Esperança
Anna Kendrick, por Amor Sem Escalas
Vera Farmiga, por Amor Sem Escalas
Penélope Cruz, por Nine

Sei que muitos vão me odiar por dizer isso, mas não consigo ver nada demais na interpretação de Anna Kendrick em Amor Sem Escalas, ela está nada mais que normal num papel normal. Surpresa para a indicação de Maggie Gyllenhaal por Coração Louco, algo que ninguém esperava. Contudo a grande promessa fica por conta de Mo’Nique que está fenomenal em Preciosa.

As demais categorias não houve muito que acrescentar. Gostei de ver Take It All indicada como melhor Canção até porque gostei bem mais dela do que Cinema Italiano. Senti falta de 2012 em Efeitos Visuais, já que é uma das poucas coisas que funcionam bem no filme. A Fita Branca e A Jovem Victória como Melhor Fotografia me surpreende também. E fica minha indignação por não ver (500) Dias Com Ela indicado para qualquer categoria e seriam muitas as indicadas como Roteiro Original, Montagem, Melhor Filme. Mas paciência, não basta a torcida.

Assim, espero agora a premiação que ocorrerá dia 07 de março.

» Medo da Verdade

(Nota: 9,0)
Título Original: Gone Baby Gone
Gênero: Drama
Diretor(es): Ben Affleck
Roteiristas: Aaron Stockard e Ben Affleck, baseado em livro de Dennis Lehane
Ano de Lançamento: 2007.
Elenco: Casey Affleck, Michelle Monaghan, Morgan Freeman, Ed Harris, John Ashton, Amy Ryan, Amy Madigan, Titus Welliver, Michael K. William.
Duração: 114 minutos.

É natural que exista certo preconceito com diretores iniciantes. Ainda mais quando esse diretor é, na verdade, ator e não é dos mais louváveis, dos mais talentosos por assim dizer. Dessa maneira, nunca teria vontade de conferir um filme dirigido por Ben Affleck se não fossem todos os comentários feitos em torno dele no ano de seu lançamento mas que só pude conferir agora. A premissa é interessante, porém a primeira vista é somente mais uma história de seqüestro que não deu certo. Contudo é notório que o filme tem um quê a mais que fez tantas pessoas o admirarem, tanto no lançamento como ainda hoje. É lógico que tem quem não goste tanto assim, mas isso não é maioria, assim creio.

Patrick Kenzie (Casey Affleck – O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) e Angela “Angie” Gennaro (Michelle MonaghanO Melhor Amigo da Noiva) são namorados e também trabalham juntos. Eles são detetives particulares e acabam sendo contratados para investigar um caso que tem toda repercussão em cima de uma garotinha chamada Amanda McCready que foi seqüestrada quando estava em casa, supostamente com sua mãe. Porém, ao adentrarem nas histórias acabam descobrindo que nada é de fato o que aparenta ser e isso vai deixando-os cada vez mais envolvidos com esse caso estranhamente misterioso. Privando-se de suas vidas, eles começam a entrar mais fundo do que naturalmente fariam, por acreditarem que é mais uma questão pessoal do que profissional.

É inevitável que quem veja a primeira vista não lembre do caso Madeleine, a pequena garotinha que desapareceu quando estava de férias com os pais em Portugal, isso porque a própria garotinha do filme lembra a menina. O contexto produtivo do filme ajuda e adjudica que o estreante diretor tem uma ‘pegada’ interessante para a direção que está competente. A montagem do filme é simples, contudo bem precisa. Já seu roteiro tem sempre um ar de surpresa, o que nos faz ficar vidrados tendo sempre a impressão que algo surpreendente vai acontecer e mudar completamente o rumo da história, fator de tensão em vários momentos.

E, de fato, é exatamente isso que acontece mudando a temática do filme e nós terminamos por ser levados para outro foco e não mais aquele inicial. A fita nos proporciona um turbilhão de emoções e fazendo-nos ter raiva de certas atitudes e fatos que são fundamentais para compreendermos, ou não, o fim da história. Questionamentos vêm a nossa cabeça como: “Os fins justificam os meios?” diante das atitudes tomadas por alguns personagens. Assim como: “Tal atitude deve ser tomada segundo suas convicções ou somente para seu bem-estar?” E o mais interessante é que essas perguntas não são propriamente respondidas com o término do longa, elas deixam no ar nossos questionamentos, com perguntas sobre se foi correta a atitude do protagonista. A película é fantástica e emocionante, surpreendendo a cada instante e com um desfecho que é bastante questionável, mas é justamente nesse ponto que está o brilhantismo do roteiro.

» Preciosa

(Nota: 9,0)
Título Original: Precious
Gênero: Drama
Diretor(es): Lee Daniels
Roteiristas: Geoffrey Fletcher, baseado em livro de Sapphire
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo’Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Sherri Shepherd, Lenny Kravitz, Stephanie Andujar, Chyna Layne, Amina Robinson.
Duração: 110 minutos.

Vejo os filmes que tratam o negro e sua realidade nada fantasiosa como muitos delicados, em sua maioria. As histórias estão sempre rodeadas de muita intriga, bebida, drogas e questões de preconceito que vão além da imaginação de quem não convive diariamente com tal realidade abrupta e invisível aos olhos de muitos. Por isso que é inevitável que determinados filmes choquem, porque é através deles que enxergamos algo que está debaixo de nossos olhos a todo tempo. E não é porque se passa nos EUA que tal realidade está intrínseca somente aquele Estado. Muitos de nós tem plena consciência que só muda o endereço, porque uma pessoa que mora na favela ou no subúrbio pode afirmar que lá onde vivem não é diferente e até pior.

Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe) é uma jovem adolescente que tem 16 anos e já é mãe de uma garotinha com síndrome de Down que vive com a avó materna. Ela não é uma adolescente normal, pois sempre foi privada de uma vida tranqüila. Sua mãe (Mo’Nique – O Bom Filho à Casa Torna) é um mulher extremamente arrogante e maltrata-a sempre. Seu pai sempre a desejou e a estuprou várias vezes com a conivência da mãe que passou a odiá-la mais ainda por entender que o ‘homem’ dela prefere sua própria filha a ela mesma. Ao engravidar pela segunda vez, ela é expulsa da escola e vai para uma especial, onde encontra pessoas que sofrem como ela porém sob outros aspectos, assim como ela e encontra uma professora que procura ajudá-la da melhor maneira possível.

Este longa tem suas particularidades que nos fazem compreender que é bem interessante e porque está tendo tanta repercussão. O roteiro em si é bem arquitetado e trata de maneira sensível e ao mesmo tempo grosseira sobre a vida da jovem Preciosa. A fotografia deste longa não é particular mas é apresentada de maneira com que nos sintamos dentro da vida da protagonista, o que acaba por dá mais veracidade aos fatos. Sobre o roteiro é importante afirmar que é bom ainda que tenha alguns escorregões. As atuações ajudam bastante para que haja um crescimento da película, pois temos a atuação totalmente passiva mas presente de Gabourey Sidibe assim como temos uma interpretação voraz e visceral de Mo’Nique, que nos entrega uma mãe extremamente bruta e mal com sua filha e suas ações.

A falta de qualquer carinho e apreço da mãe de Preciosa é a prova real de que o filme pode chocar bastante com um simples conflito familiar. A protagonista tem um enorme preconceito consigo mesmo, com seu corpo e a cor de sua pele além de seus cabelos. Em suas ilusões, deseja ser branca, esbelta e ter um belo namorado branco o que nos mostra claramente o quão preconceituoso pode ser uma pessoa consigo mesma. Tal fertilidade de sua mente é uma das coisas que divertem no filme e salvam o roteiro de alguns deslizes. No entanto a dita passividade da personagem chega a dar nos nervos e quando vemos um pouco sequer de reação termina por ser gratificante. Resolvi terminar esse texto com uma afirmação que é a realidade para muitos e também para Preciosa: “O amor me bate, me estupra, me chama de animal, me faz se sentir inútil e me deixa doente”.

» Zumbilândia

(Nota: 9,0)
Título Original: Zombieland
Gênero: Comédia
Diretor(es): Ruben Fleischer
Roteiristas: Paul Wernick, Rhett Reese, Rhett Reese-Paul Wernick
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Abigail Breslin, Bill Murray, Emma Stone, Amber Heard, Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Jake Akins, Elle Alexander , Melanie Booth.
Duração: 80 minutos.

Ninguém agüenta mais ouvir-me falar que para um filme de comédia me agradar, ela tem que ser muito boa e precisar não ser idiota para que isso seja possível. Portanto, sou muito chato quando penso em ver um filme do gênero. Peso todos os comentários a cerca do filme para que eu tenha realmente muita certeza de que quero ver. Com este não foi diferente e pude conferir seu trailer no cinema e achei simplesmente fantástico. Além disso, estava sendo muito bem recebido entre os colegas blogueiros e isso já é um forte indício de que eu deveria ver mesmo que não gostasse.

Columbus (Jesse Eisenberg – O Clube do Imperador) é um jovem garoto que acredita que está sozinho no mundo, já que todo mundo foi infectado por um vírus que os torna zumbis. Estudante universitário e sem vida social, ele tenta voltar a sua cidade natal para tentar encontrar algum parente vivo seu. No caminho ele encontra Tallahassee (Woody Harrelson2012) que se encontra a caminho da Califórnia com o único objetivo de acabar com o máximo de zumbis. No meio caminho ainda encontram Wichita (Emma Stone – Superbad – É Hoje) e sua irmã caçula Little Rock (Abigail BreslinUma Prova de Amor) e são duas vezes passados para trás por elas, mas depois acabam se aliando contra os zumbis.

A história é bem idiota e parece não ter pé nem cabeça assim como a maioria dos outros filmes de zumbi. No entanto, o que me chama mais a atenção é que este filme tem uma forte carga de comédia que deixa tudo mais lívido e sem muita tensão. Permite, inclusive, que enxerguemos o fato com graça e que não faz tudo aquilo ficar ridículo e demasiadamente apelativo. O roteiro tem um caminhar interessante e divertido. São os personagens o foco central do filme e não os zumbis, outro ponto de importante valor para o longa.

Isso nos permite conferir mais cenas ‘humanas’ e menos sangue, deixando que a especulação ‘o zumbi vai te pegar’ não seja uma constante na fita. Ainda por cima, as cenas de comédia não se demonstram trash e possibilitam boas gargalhas como a participação de Bill Murray (O Fantástico Sr. Raposo) como Bill Murray, simplesmente hilário. O filme tem uma boa dosagem na direção e não tem muitos escorregões o que permite dizer que é uma comédia boa de ver, até mais de uma vez.

» Sempre ao seu Lado

(Nota: 6,0)
Título Original: Hachiko: A Dog’s Story
Gênero: Drama
Diretor(es): Lasse Hallström
Roteiristas: Stephen P. Lindsey, Kaneto Shindô
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Richard Gere, Sarah Roemer, Joan Allen, Jason Alexander, Cary-Hiroyuki Tagawa, Erick Avari, Robert Capron, Davenia McFadden, Forest, Kevin DeCoste, Bates Wilder, Tora Hallstrom.
Duração: 93 minutos.

Não sou dos mais simpatizantes com filmes de bichos. Seja ele de cachorros, de papagaios, de gorilas ou afins. Acho que sempre é algo que, ou quer ser muito engraçado ou quer ser muito dramático, sempre puxando pro lado mais apelativo da coisa, fato que quase nunca me agrada. Conferi Marley & Eu e achei o filme bonitinho, mas nada além disso. Sou pouco emotivo quando esses temas estão em foco, talvez seja até insensível, mas enfim. Fui assistir a esse filme por causa de um grupo de amigos que resolveu ir e eu, pra não ficar de fora, fui também ainda que com um pé atrás.

Parker Wilson (Não Estou Lá) é professor universitário que toda manhã vai a estação de trem a fim de pegá-lo e ir trabalhar.  Ao voltar, à noite, ele encontra um filhote de cachorro da raça japonesa Akita. Ao levar pra casa, enfrenta a esposa que não o aceita, no entanto ninguém reclamou o cachorro como sendo seu e assim ele acaba convencendo sua mulher de ficar com ele. Ao colocar o nome de Hachi, seu envolvimento e paixão pelo cachorro passam a ser enormes e um laço muito forte se forma entre eles a ponto do cachorro ir deixá-lo na estação e ir pegá-lo quando ele chega do trabalho.

Logo se vê, desde o princípio, que o filme é extremamente dramático e que esse será seu ponto central. É inegável que há certo envolvimento do espectador com a história e com o cachorro bonitinho que ama seu dono e faz tudo por ele. No entanto, isso já se mostra um tanto defasado. A diferença está no fato de que esse trata com mais dramaticidade sobre o tema, já que o seu dono morre e o cachorro sente uma enorme falta do dono por ele nunca mais ter voltado do trem depois de um dia trabalho. No entanto o roteiro é completamente previsível e se torna cansativo.

Depois da fatídica morte de Parker o cachorro fica incansavelmente esperando-o na porta da estação na esperança que seu dono volte. Mas isso é algo que é muito trabalhado tornando-se bastante maçante e sem muito que fazer. Por isso é que o roteiro se perde e não há muito a apresentar depois de ver a insistência do cachorro. Podem me chamar de insensível ou o que for, mas é fato que o filme não me envolveu em momento algum no quesito ‘peninha do cachorro’ ou ‘morte do seu melhor amigo’. Eu não recomendo, pelo menos para aqueles que não curtem nem um pouco filmes com bichos.

» O Show de Truman

(Nota: 9,5)
Título Original: The Truman Show
Gênero: Drama
Diretor(es): Peter Weir
Roteiristas: Edward S. Feldman, Andrew Niccol, Scott Rudin e Adam Schroeder
Ano de Lançamento: 1998.
Elenco: Jim Carrey, Laura Linney, Noah Emmerich, Natascha McElhone, Holland Taylor, Brian Delate, Blair Slater, Peter Krause, Heidi Schanz.
Duração: 103 minutos.

Muitos não simpatizam com certos atores. Eu, por exemplo, não sou dos mais fãs de Adam Sandler e Will Smith acho que suas comédias não são das melhores e eles em si não tem bem o que chamamos de dom para atuar. No entanto, tudo é relativo e é perfeitamente possível que eles nos mostrem que são capazes de boas atuações, vide Reine Sobre Mim e Á Procura da Felicidade, respectivamente. Com Jim Carrey não é muito diferente, a única dessemelhança é que eu gosto dele ainda que não curta todos os papéis que ele faz. Quando se mete a fazer filmes que fujam majoritariamente da comédia, acaba por nos entregar bons trabalhos.

O show de Truman é um reality show transmitido para todo o mundo sobre a vida de Truman Burbank (Jim Carrey – Os Fantasmas de Scrooge) é um pacato vendedor de seguros, que mora numa pacata cidade com pacatos moradores. Sua vida segue normal e não muito diferente das demais pessoas. Mas ele é diferente já que não sabe que é filmado 24 horas e que, na verdade, nasceu dentro de um estúdio. Como para tudo tem sua primeira vez, ele começa a observar que fatos anormais começam a ocorrer na sua vida e isso chama sua atenção. Uma luminária de estúdio que cai do céu, um rádio de carro que narra o que ele mesmo está fazendo, um elevador que não é elevador e sim um estúdio. Devidos esses acidentes e incidentes acontecidos, Truman começa a enxergar que tudo é mentira.

Nada do que você vê no show é falso, só é meramente controlado”. Isso é o que diz um dos atores, que faz Truman acreditar que ele é seu real amigo, na abertura do ‘programa’. A fotografia do filme é muito bem controlada e posicionada como se nós fossemos somente mais telespectador do show. O roteiro é muito bem amarrado e nos proporciona bons momentos, mas ele só fica realmente mais interessante quando seu personagem principal começa a desconfiar mais e mais de tudo que está ao seu redor. É inegável, inclusive, a originalidade deste longa que trabalha de maneira interessante sobre o mundo dos reality-shows.

Há um certo momento que me questionei do porquê de não fazerem um mundo paralelo para Truman, um mundo em que não existisse barco, avião, nem qualquer outra cidade, alienando-o por completo. E entendi que isso não foi feito para que ele pudesse transgredir e entender que um dia ele iria querer sair dali e descobrir sua verdadeira realidade. Os surtos de espontaneidade de Truman para enganar a tudo e a todos são os momentos mais hilários, inclusive. E o fim do filme é inteligente e digno de um show de verdade, faz com que os telespectadores vibrem como nós mesmos vibramos ao ver algo instigante na tevê. Um filme recomendadíssimo e que é sempre gratificante rever.

» O Piano

(Nota: 8,5)
Título Original: The Piano
Gênero: Drama
Diretor(es): Jane Campion
Roteiristas: Jane Campion
Ano de Lançamento: 1993.
Elenco: Holly Hunter, Harvey Keitel, Sam Neill, Anna Paquin, Kerry Walker, Geneviève Lemon, Tungia Baker, Ian Mune, Peter Dennett, Te Whatanui Skipwith, Pete Smith, Bruce Allpress.
Duração: 121 minutos.

É sempre curioso saber que uma criança ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Não que elas não mereçam, mas é que existem tantos artistas com anos de carreira que, do nada, são deixados para traz e são desbancados por uma criança que fez seu trabalho bem feito e foi reconhecida por isso. O filme em questão foi o que deu justamente a oportunidade a uma criança a ganhar a tão desejada estatueta, sendo a segunda garota mais jovem a ganhar o Oscar na referida categoria.

Ambientado no século XIX, o filme trata da história de Ada McGrath (Holly Hunter – Quem é Morto Sempre Aparece), uma jovem mãe que parou de falar aos 6 anos de idade e que vive sob a companhia sua filha Flora (Anna Paquin – X-Men – O Confronto Final). Ada teve que se mudar para a Nova Zelândia que ainda estava sendo colonizada porque seu pai arranjou um casamento com Stewart (Sam Neill – O Homem Bicentenário). A grande paixão de Ada é o seu piano, fazendo, inclusive, com que ele fosse com ela para seu novo lar em uma terra distante e selvagem. Lá ela conhece George Baines (Harvey Keitel – Dragão Vermelho), um administrador da região que se interessa a ter aulas de piano, mas que ela acaba se envolvendo formando um triângulo amoroso.

Nota-se logo de início que o filme é bem diferente e trata de uma temática sempre explorada no cinema, mas que sempre tem um novo lado a se retratar. A paixão que a personagem principal alimenta pela música tocada no piano é encantadora e ela procura falar através da música.  O que dá a impressão, às vezes, que o único amor dela é o piano. As atuações de Holly Hunter e de Anna Paquin são bastante veementes. A primeira por mostrar que é possível ser intensa quando se faz uma muda, o que não deve ser nada fácil. E a segunda mostra seu talento com o andar do roteiro e a densidade do seu papel faz-nos enxergar sua importância.

No entanto, ainda que tenha ganhado o Oscar de Melhor Roteiro Original, creio que o maior pecado do filme encontra-se no roteiro que é muito parado e por vezes bastante enfadonho, só mostrando sua consistência verdadeira já próximo do fim em que tudo é mais dramático e forte. Tendo, inclusive, que reconsiderar muito meus pontos sobre o roteiro quando no fim nos surpreendemos com o desenrolar da história, e com o comportamento de alguns personagens. O filme, no geral, é bom e vale a pena conferir, porém sem estar com sono, isso é certo!

» Analisando “Na Natureza Selvagem”

É impressionante como um filme pode te marcar tendo sido visto somente uma vez, não é? Vi Na Natureza Selvagem uma só vez e em 2008 no computador, quando fazia pouco tempo que tinha re-aberto o Portal Cine. Lembro que foi amor a primeira vista, foi um encantamento gigante por um filme que tratava de uma temática completamente diferente e fazia-nos enxergar fatos que anteriormente passavam despercebidos em nossas vidas. Precisava revê-lo. Precisava tê-lo. Comprei e na primeira oportunidade revi e não tive qualquer duvida sobre sua grandeza.

O que me satisfaz em escrever no quadro “Analisando” é justamente o fato de poder falar com paixão mesmo, com muito amor e deixar a tecnicidade de lado. Nesse quadro me dou a liberdade de dizer somente os pontos positivos e o que me agrada e ponto final, nada mais além disso. Afinal só entram aqui os filmes que tem minha real consideração e este é um deles, óbvio. Aqui não é preciso narrar a história, já que aconselho a quem não nunca o viu que deixe de ler, porque eu conto fatos que talvez nem todos queiram saber.

São várias as coisas e acontecimentos que me chamaram a atenção nesta revisão. Achei interessante e curioso o fato de que nos primeiros minutos do longa não entra em evidência o rosto do protagonista Christopher McCandless (Emile Hirsch) sendo, na verdade, os feitos e palavras mais essenciais e vindos em primeiro plano. Depois de apresentá-lo sob esses aspectos é que é mostrado seu rosto. Tais apresentações mostram-nos o real sentimento do protagonista com sua vida e com sua trilha, e ainda mais, permite-nos compreender que ele quer viver longe de tudo e de todos para tentar compreender-se e viver “sem continuar a ser envenenado pela civilização”.

Algumas considerações claras sobre Chris (que posteriormente adota o codinome de Alexander Supertrump). Devido a vários acontecimentos ele encara sua vida como uma grande mentira, uma hipocrisia principalmente no quesito instituição familiar além do que ele enxerga a maldade no ser humano, mais do que qualquer outra característica. Suas impressões têm total caráter filosófico e enfrenta tudo como uma espécie de filosofia de vida, das ondas que quebram no mar ao dinheiro que torna o homem cauteloso demais.

O filme deixa tudo mais dinâmico repartindo-o da mesma maneira que Alex procurava fazer ao retratar seus momentos, através de atos e capítulos. Classificando sua vida pós-faculdade como nascimento, adolescência, idade adulta, família, tornando-se sábio, assim como os livros que são umas de suas paixões. Ainda há também a procura do ‘desprendimento’, e ele passa a entender que isso só será possível quando se isolar completamente, quando ficar sozinho. Por isso diz: “e agora, depois de dois anos errando, vem a última e maior aventura. A batalha culminante para matar o falso ser interior e concluir com vitória a revolução espiritual”. E ainda assim, nessa sua vida de conhecimentos e aprendizagens, ele conseguiu encontrar pessoas que tinham ideais próximos aos seus sendo que não totalmente desligados do dinheiro.

As impressões que sua irmã tem dele são fundamentais para procurarmos entender um pouco mais do complexo personagem que ainda assim era pouco conhecido pela própria irmã. Seus pais, sempre protagonistas de cenas de briga e discussões fortes, sofreram muito com o seu ‘desaparecimento’ e em função dessas circunstâncias se aproximaram mais do que acreditavam ser possível e sua irmã comenta: “lembro que ele não cresceu com esses pais, amaciados pela reflexão forçada que vem com a perda”.

Porém após chegar ao seu destino final, Chris/Alex acabou enxergando que nem tudo são flores e que nem sempre os seus ideais são os suficientes para fazê-los viver, como seus atentamentos para a diminuição do arroz, o seu emagrecimento e o sumiço dos animais à sua volta.  Depois que percebe que tem necessidade de viver e socializar seus sentimentos, ele se vê ilhado num lugar onde a natureza não mais contribui para a sua revolução espiritual.  E daí em diante nota que no início tudo era perfeitamente aceitável, ele se considerava sozinho, não solitário. Ele se considerava feliz, não apavorado. Sendo que tem uma hora que tudo cai por terra e a realidade fala mais forte.

Seus momentos mais drásticos são também os mais ferinos. Sua transformação, seu emagrecimento é ao mesmo tempo chocante e fantástico. A maneira como Emile Hirsch vestiu-se do personagem foi algo digno de louvor por que sua dedicação foi ímpar. Chegando, inclusive a perder 18 quilos para compor o personagem no fim de sua vida. Não só sua atuação como a de Hal Holbrook são exemplos de que tudo vale a pena na fita.  A trilha sonora de Eddie Vedder é completamente conectada com o filme do início ao fim e ainda corroboram com clareza com os princípios de Chris.

O fato é que o filme nos toca por ter personalidade e fugir do lugar-comum com bastante propriedade. Com uma fotografia precisa e sensível, Na Natureza Selvagem nos permite compreender que o seu protagonista é bem mais complexo do que acreditamos e que ele também entende ser passível de erros a ponto de declarar ao fim de sua vida que “A felicidade só é real quando acompanhada”. No entanto o que deixo como reflexão ao final deste texto, é o que declara sua irmã durante o longa e que exprime de maneira acertada o real sentimento do personagem a cerca das pessoas em sua volta e de si mesmo: “Chris avaliava a si mesmo e as pessoas ao redor com um código moral tremendamente rigoroso”.