» A Mulher Invisível

(Nota: 7,0)
Título Original: A Mulher Invisível
Gênero: Comédia
Diretor(es): Cláudio Torres
Roteiristas: Cláudio Torres
Ano de Lançamento: 2008.
Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Vladimir Brichta, Maria Manoella, Fernanda Torres, Paulo Betti, Maria Luisa Mendonça, Lúcio Mauro.
Duração: 105 minutos.

Creio que quem ama cinema deve gostar de todas as suas versões de todas as formas e de todas as produções, talvez não necessariamente gostar, mas ao menos dar a chance de ser conferido. Digo isso porque tenho diversos amigos e conhecidos que taxam logo o nosso cinema de ruim e que não vale a pena pagar um ingresso para conferi-lo na maioria das vezes. Fato que não é verdade e que ultimamente vem mudando bastante, inclusive tenho observado que ao menos uma das sessões toda semana é de um filme brasileiro.

Pedro (Selton Mello – Meu Nome Não é Johnny) é um homem extremamente apaixonado e vive para o seu casamento, no entanto a sua mulher acaba deixando-o por outro. Após uma forte confusão e depressão em função desse amor, Pedro conhece Amanda (Luana Piovani – Zuzu Angel) que mostra ser a mulher ideal, aquela que ele sempre sonhou e sempre desejou. Ele começa a curtir o seu amor por ela e sai à rua com sua amada, no entanto, ela não existe, é invisível, e o faz pagar múltiplos ‘micos’ por andar sozinho na rua comportando-se como se tivesse acompanhado.

Comédia é de longe um dos gêneros que eu menos vejo. Apesar de no cotidiano ser um tanto ‘besta’ para rir, com os filmes esse efeito não surte muito. São poucos aqueles que me agradam verdadeiramente. O cinema tupiniquim sempre teve uma queda pela comédia, mas, infelizmente, nem todas são dignas de uma boa risada. Existem os extremos como O Auto da Compadecida e os fraquíssimos Ó Pai ó, porém sabe-se que isso ocorre em qualquer gênero e também em qualquer país.

Com A Mulher Invisível não há nem um nem outro, não é extremo nem é fraquíssimo, encontra-se, na verdade, na linha divisora desses dois modos, é um filme que se pode dizer que está na média, nem pra mais nem pra menos. Existem grandes atuações que podemos exaltar como a de Selton que sempre nos mostra um papel bem correspondente ao roteiro apresentado e uma deleitável Luana Piovani que surpreende depois de certo tempo longe das telonas. Nunca pude conferir um filme anterior de Cláudio Torres (Redentor), mas percebi que ele sabe dirigir bem, pelo menos neste caso.

O fato é que algumas coisas desandaram um pouco e por isso a perda de ponto a meu ver. O roteiro é bom e bem original, fato que é o atrativo do filme, porém ele se perde um pouco do meio para o fim do filme e se torna fadigoso e até previsível. A montagem também pode não ter sido uma grande auxiliar no produto final. O que ressalto é a boa trilha sonora que muda um pouco e se mostra mais americanizada do que nunca, é claro que ela é boa, entretanto como um grande defensor da música brasileira, creio que temos grandes músicas tão divertidas e melódicas quanto as que foram postas no filme. Enfim, este é dos filmes que é melhor você conferir pra ter uma idéia, não é daqueles ame-o ou deixe-o.

» A Noviça Rebelde

(Nota: 9,5)
Título Original: The Sound of Music
Gênero: Musical
Diretor(es): Robert Wise
Roteiristas: Ernest Lehman, baseado no livro de Howard Lindsay e Russel Crouse
Ano de Lançamento: 1965.
Elenco: Julie Andrews, Christopher Plummer, Richard Haydn, Peggy Wood, Anna Lee, Portia Nelson, Ben Wright, Daniel Truhitte, Norma Varden.
Duração: 172 minutos.

Eu dou minha mão à palmatória. Não adianta, me rendi aos musicais, entretanto acho que o principal fator para isso foi saber escolher bem, não é qualquer um que se pode dizer que vale a pena ver. De agora em diante vou parar de dizer que não gosto de musicais, começou com Moulin Rouge: Amor em Vermelho passou por Cantando na Chuva e agora A Noviça Rebelde. Há muito adiava ver esse filme porque era longo demais, no entanto depois que me disseram que não se via o tempo passar resolvi arriscar e percebi a mais pura verdade: o filme é tão agradável que o tempo passa de forma impressionante.

O mundo passava pelo terror do poder nazista no final dos anos 30, nessa época a noviça Maria (Julie Andrews – Encantada) estava confusa quanto ao seu futuro já que não conseguia seguir mais as rígidas normas do convento. Aconselhada pela Reverenda Madre, Maria vai ao encontro das crianças Von Trapp para tornar-se governanta, filhas do severo capitão Von Trapp (Christopher Plummer – A Casa do Lago), viúvo que cria seus sete filhos. Em uma família que a alegria não prevalecia desde a morte ds mãe, Maria vem para trazer a felicidade de volta à família colocando mais melodia na vida das crianças, fato que muda drasticamente a vida de todos, inclusive a do capitão.

Sempre encontrei na sessão da tarde aquela velha história clichê da mulher que se torna babá de um homem muito rico e arrogante e que no fim das contas doma as crianças traquinas e se apaixona pelo pai arrogante que só precisava de um amor verdadeiro. Pra mim essa fórmula estava mais do que extrapolada, mas não entendia de onde ela havia se originado até que me dou conta da história da noviça rebelde. Quer queira, quer não, essa é a história real e original sobre os diversos filmes que geraram depois. Encontramos uma nova e bela Julie Andrews que nos encanta logo de início com uma admirável voz que só faz melhorar juntando-se a outras tão esplêndidas vozes do filme. A melhor fórmula é a das músicas que se mostram extremamente envolventes com o espectador e, para os que nunca viram como eu, o fato de músicas que antes escutei, serem no caso, as desse musical, surpreendendo-me.

Para mim, como vi o longa agora, quebrou-se o paradigma da mulher má que irá se casar com o amor da vida da governanta. A Baronesa Schraeder interpretada belamente pela charmosa Eleanor Parker quebrou meu estereótipo de pessoa má que fará tudo para não perder seu casamento, isso é perceptível principalmente na cena em que desfazem o noivado, é muito bela a atitude da baronesa, na verdade. Outro fator simpático é que quando cremos que a história termina com um belo final feliz, vemos que a vida de casada de Maria prossegue e que ela tem que viver cada momento com o marido, inclusive os tormentos que o poder de Hitler trazia a toda Áustria e países irmãos. Fiquei feliz e contente com o efeito final de A Noviça Rebelde e comprovo, ao contrário de Grease – Nos Tempos da Brilhantina, que o filme não foi superestimado e que merece todo elogio, é um grande musical, digno dos Oscar’s que ganhou e que foi indicado.

:: As Areias do Tempo

As Areias do Tempo - Sidney Sheldon

As Areias do Tempo - Sidney Sheldon

Calma, eu não li esse livro em dois dias. É que havia muito que eu queria escrever o anterior, terminei esse e só depois fui escrever. Eu sou bem suspeito para falar sobre Sidney Sheldon. O meu primeiro livro que li dele foi A Ira dos Anjos, livro que me fez ter certeza que eu queria fazer Direito. Depois disso não teve mais quem me segurasse, ganhava um dinheirinho eu comprava um livro dele, ou então pedia emprestado. Por isso, que sou suspeito, gosto dos livros dele. É claro que nem todos são maravilhosos e uns se superam mais e tal.

Quarenta anos após a Guerra Civil, a Espanha ainda é um país fragmentado, sacudido pelo ressurgimento de movimento separatista. É nesse cenário, na segunda metade dos anos 70, que Sidney Sheldon desenvolve sua história: o confronto entre o terrorista basco Jaime Miró, que liberta da cadeia dois companheiros condenados à morte, e seu perseguidor, o coronel Ramón Acoca, que invade o esconderijo dos fugitivos, um convento na região de Ávila. Paralelamente, dosando suspense e moção, é narrado o drama de quatro freiras, arrancadas da paz da clausura para a agitação de Madri, onde conhecem o perigo e a paixão.

Este é um livro que há bastantes personagens e cada um com sua complexidade. O que mais me agrada nos livros de Sheldon é o fato dele sempre ter um modo novo de contar histórias que poderiam ser bem habituais, ou então a forma criativa que ele tem de criar situações inusitadas aos personagens. Esse livro nos mostra bem isso, que quando você acredita que a história chegou ao fim, vem mais alguma coisa que desvirtua todo o caminho dos personagens e eles se safam da melhor maneira inimaginável. A narrativa é super atraente e super ativa a todo o momento. É chato ter que parar de ler para fazer outras coisas, isso eu nunca deixei de sentir ao ler seus livros.

Porém, nem tudo são flores, esse foi o livro de Sheldon que li que mais contém apelo sexual fortíssimo, tudo acaba em sexo. Não que isso seja ruim, mas acho que perde o sentido real da história. Outro fator, que quem leu ou vai ler percebe, é que os personagens passam um pouco de tempo em companhia e num simples deslize passam a serem grandes apaixonados, o que antes poderiam está se odiando. Mas ainda assim não tira a satisfação de ver uma boa ação e recomendo.

Cotaçãotresemeia [8,0]

:: O Guardião de Memórias – Kim Edwards

O Guardião de Memórias - Kim Edwards

O Guardião de Memórias - Kim Edwards

Eu amo ler. Por isso, muitas vezes me pego comprando livro e gastando quando não devo. Foi dessa maneira que acabei adquirindo esse livro, foi no impulso. O maior atrativo em um livro pra mim é a história e não que esteja nos mais vendidos, em alguns casos só o autor pra mim já basta, mas a história desse me chamou bem atenção. Ela tem um chama bem interessante e faz você crê que agradável e que será bem contada de uma maneira que fixa o leitor até o fim, ledo engano.

O livro conta a história de Dr. David Henry que no inverno de 1964, devido às fortes nevascas, se vê obrigado a fazer o parto de seus próprios filhos em sua clínica e tem a surpresa de ser gêmeos. No entanto, um dos gêmeos, a menina, é portadora da Síndrome de Down. Em função de um forte e triste histórico familiar sobre essa síndrome, Henry resolve entregar a menina numa instituição por intermédio de Caroline, sua enfermeira. Ela vai até o local indicado pelo médico, e impulsionada por uma forte repulsa pelo lugar, ela resolve levar a criança de volta e se vê muito envolvida com a menina. Muda-se para outra cidade e lá começa a criar Phoebe como sua filha. Enquanto que Norah, esposa de Henry, sofre e chora pela perda da filha, que crê ter morrido, e cuida de Paul.

Como vocês podem enxergar é uma excelente história, não é mesmo? Lembra um pouco a novela de Manoel Carlos, porém ela tem outras características. A bem da verdade é um livro que poderia seguir por vários caminhos, mas ele peca pela mesmice, peca por contar momentos da vida dos personagens que poderia ter sido deixada de lado e usa uma técnica que não faz efeito em qualquer romance, utiliza-se muito do modo descritivo das coisas, é capaz de passar uma página e meia falando como a mulher sofre pela perda da filha ao tomar um vinho. Um corte na mão faz com que meia página ou mais seja redigida para descrever tal ocasião.

Até certo período a história é atraente e prende, entretanto depois se perde inteiramente em momentos desnecessários.  O fato é que se começou a história sem ter certeza de como terminaria, creio eu, e por isso o livro não consegue ter a propriedade de um bom passa-tempo, na verdade o tempo não passa e passei muitíssimo tempo para conseguir ler até o fim. Na melhor das maneiras, aconselho a quem estiver interessado a ler que comece com um pé atrás ou se gosta dessa forma de narração, deverá gostar, sem dúvida.

Cotação: duasemeia [6,5]

» Jogo de Cena (E Selo Blog de Ouro)

(Nota: 9,0)
Título Original: Jogo de Cena
Gênero: Documentário
Diretor(es): Eduardo Coutinho
Roteiristas: Mulheres Brasileiras
Ano de Lançamento: 2007.
Elenco: Marília Pêra, Fernanda Torres, Andréa Beltrão, Mary Sheyla, Gisele Alves Moura, Débora Almeida, Sarita Houli Brumer, Lana Guelero, Jack Brown, Maria de Fátima Barbosa, Aleta Gomes.
Duração: 103 minutos.

De fato, documentário não é sempre minha preferência, não completa muito o meu tipo, porém eu não me escuso de assisti-los quando verdadeiramente enxergo que valha a pena. Esse, na verdade, eu nunca havia escutado falar. Soube por intermédio do meu amigo cinéfilo Matheus desse documentário e pensei em vê-lo, já que a empolgação dele era tanta que me contagiou. É um longa que preza pela simplicidade, de tal forma que nos pega de surpresa e nos faz perceber a magia que se consegue sem precisar mais do que um só cenário: uma cadeira simples, um jogo de luz e mulheres para contarem suas histórias de vida.

Foi colocado, em 2006, em um jornal local um anúncio que pede às mulheres interessadas em contar a história de suas vidas que venham ao local indicado para que possam assim contar. Das 83 mulheres que lá foram e se dispuseram a descrever suas histórias, 23 foram selecionadas para fazerem parte do documentário que foi filmado em junho de 2006 em um teatro. Depois de feito isso, várias atrizes, umas famosas e outras não, pegaram essas histórias e foram ao mesmo ambiente para ter o desafio de interpretá-las da mesma maneira que aquelas fizeram: sentando numa cadeira e contando os fatos.

A princípio eu achei que não iria agüentar mais de uma hora e meia de um documentário que não tem nem ação, que só são mulheres sentadas falando, falando e falando, até porque acho que não tenho tanto essa veia jornalística. Mas quando me dei conta, eu já estava vidrado na particularidade de cada uma das mulheres que ali sentaram para contar sua biografia ou então para interpretar uma história. O interessante desse documentário é o enorme desafio que atrizes renomadas como Marília Pêra, Andréa Beltrão e Fernanda Torres tem em ter que interpretar mulheres que a gente sabe como é o real, a gente sabe como elas reagiram a cada momento da história que contavam, isso porque a montagem tratou de interpor as cenas, entre as reais e as atrizes, para que compreendêssemos a profundidade das histórias contadas pela mulher verdadeira e por aquela que interpretava.

Aliado a tudo isso, existem também aquelas atrizes que não são conhecidas, mas que se passam pelas reais autoras da história e quando você acha que está escutando a história da mulher que, de fato, viveu você percebe que aquela mulher era uma atriz e tudo aquilo que ela passou foi de uma veracidade comovente. Acho que Jogo de Cena tem vários objetivos a cumprir e os consegue com maestria e com clareza. É possível você compreender e viver o sofrimento de cada uma das mulheres, é possível você enxergar o quão boas são as atrizes que interpretam aquelas pessoas e as dificuldades que elas tem em poder fazer alguém que está tão palpável, alguém que realmente existe e não é só um personagem. É bem interessante todo o propósito desse filme e acho que valeu muitíssimo a pena conferi-lo e não tenho qualquer dúvida em indicar a todos que vejam, é muito bom mesmo! Matheus não exagerou.

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SELO: BLOG DE OURO

Tive a honra de receber este selo do grande colega blogueiro Gustavo H. Razera do novo e excelente Mulholland CineLog o selo Blog de Ouro, selo que mostra uma forma de reconhecimento do meu blog pelo citado colega, dono de um blog que tem uma forma interessante e inovadora de fazer críticas aos filmes com precisão e poucas palavras e com filmes sempre agradáveis sob a ótica de seu autor. Os quatro blogs que escolhi para repassar esse selo são velhos conhecidos mas que tem grande maestria quando o objetivo é ter visão crítica dos filmes:

seloblogouro

Cinéfila por Natureza (por Kamila):  Um blog que, atualizado constantemente, nos entrega boa visão dos filmes e quando não agradam ela também mede as palavras definindo com clareza os defeitos. Dona de uma sensibilidade interessante, Kamila nos mostra um blog que tem personalidade.

Cinema e Argumento (por Matheus): Originalidade é com ele mesmo. Matt tem um jeito próprio de escrever em seu blog, dono de ponto de vistas com defesa ferrenha, nos atrai ao seu blog pela forma como entrega cada crítica: nunca na defensiva e sempre certo de seus pontos de vistas.

O Cara da Locadora (por Miojo e Nespoli): Nada melhor do que a visão de mais de uma pessoa sobre um mesmo filme ou sobre o mesmo gênero, não é mesmo? Pois esse dois amigos cinéfilos, nos proporcionam bons textos e muitos gostos diferentes assim como pontos de vista sobre um mesmo longa.

Tudo é Crítica (por Pedro Henrique): Se você tá afim de descobrir um pouco mais sobre os grandes clássicos, Pedro é exper nesse assunto. Esmiuça os clássicos de maneira ímpar e proporciona grandes textos com grandes reflexões.

Regras:

  1. Exibir a imagem do selo;
  2. Postar o link do blog que te indicou;
  3. Indicar 4 blogs de sua preferência;
  4. Avisar aos seus indicados;
  5. Publicar as regras;
  6. Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

» O Poderoso Chefão III

(Nota: 9,0)
Título Original: The Godfather: Part III
Gênero: Drama
Diretor(es): Francis Ford Coppola
Roteiristas: Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado em livro de Mario Puzo.
Ano de Lançamento: 1990.
Elenco: Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia, Eli Wallach, Joe Mantegna, George Hamilton, Bridget Fonda, Sofia Coppola.
Duração: 172 minutos.

Termina aqui, para mim, a saga de uma das trilogias mais comentadas, assistidas e apreciadas de todo o mundo, três filmes que fizeram, fazem e farão sucesso toda vez que vistos. A minha experiência com O Poderoso Chefão foi tão boa que eu até resolvi comprar o livro de Mario Puzo para poder ter uma idéia de como é, na base da literatura, a visão da máfia italiana pelo próprio autor da história. Confesso que estou bem ansioso para conferir, mas ainda tem alguns livros na frente dele. Dá certa tristeza ver que está acabando, mas ao mesmo tempo é legal saber como tudo acaba.

Agora ambientado em 1979, é possível encontrar um Michael Corleone (Al Pacino – As Duas Faces da Lei) bem mais velho e também mais experiente. Há também os seus filhos mais crescidos e cheios de si e com convicções que muitas vezes confrontam com os ‘ideais dos pais’, são eles: Mary (Sofia Coppola – CQ) e Anthony (Franc D’Ambrosio). Agora há um Don Corleone menos visto como mafioso e mais como empresário, apesar de que por trás há sempre o conceito mafioso de antigamente. O arrependimento é um momento constante em toda a obra e nos faz perceber que muitas de suas atitudes, antes convictas, agora são motivos de tristeza. Surge também aquele que, possivelmente, irá suceder Michael, o filho de Sonny, “Vinnie” Mancini (Andy Garcia – A Pantera Cor-de-Rosa 2).

É fato que os outros dois filmes da trilogia são superiores a esse. Apesar de ter um bom roteiro e mostrar que ainda é interessante a história, a inevitável comparação nos faz perceber que foi um filme bem feito, mas que talvez não atinja a maestria do excelente segundo filme e a originalidade do primeiro. São muitos, mesmo assim, os elogios que podemos fazer a terceira parte da saga. Andy Garcia é o trunfo do longa, mostra-se muito bem no papel e tem fortes semelhanças ao que no primeiro, foi considerado pai de seu personagem, Sonny. Acho que não só a minha maior crítica, mas a de muitos é de Sophia Coppola no papel de Mary, ela mostrou-se fraca a sem qualquer habilidade para o importante papel designado a ela.

Trilha Sonora com uma continuação impecável, porém não mais na direção de Nino Rota e com a competência de Carmine Coppola que consegue fazer um excelente trabalho assim como seu antecessor. A fotografia é boa e ainda trabalha de maneira bem própria da trama. Creio que o filme como um todo tem seu papel feito com clareza, mas jamais será ‘capaz’ de conseguir alcançar o feito dos seus filmes anteriores, porém confirma o sucesso da história sobre a máfia italiana na América.

» X-Men Origens: Wolverine

(Nota: 6,0)
Título Original: X-Men Origins: Wolverine
Gênero: Aventura
Diretor(es): Gavin Hood
Roteiristas: David Benioff, baseado em personagens criados por Len Wein.
Ano de Lançamento: 2009.
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Will i Am, Lynn Collins, Kevin Durand, Dominic Monaghan, Taylor Kitsch, Daniel Henney.
Duração: 107 minutos.

Demorei mas voltei. A vida não anda nada fácil pessoal. A faculdade em final de semestre é uma verdadeira insanidade e eu não tive tempo nem pra respirar nesse último mês. Provas e trabalhos preencheram todo o meu tempo disponível, filmes e blogs não foram possíveis nesses tempos. Mas agora está tudo acabando, última prova hoje e arranjei um tempinho de quarta (24/06) que não estagiei para escrever. Nesses dias turbulentos dei um pulo no cinema pra relaxar um pouco e escolhi o filme de um dos personagens mais enigmáticos dos X-Men para assistir, sabendo das ressalvas que muitos dos colegas blogueiros já haviam sinalizado.

Quando pequeno Logan (Hugh Jackman - A Lista – Você Está Livre Hoje?) descobre que tem um poder e que é igual a ser irmão Victor Creed (Liev SchreiberUm Ato de Liberdade), depois de matar seu pai ele foge com o irmão e vivem feito andarilhos, até crescerem. No comando de uma forte equipe de grandes mutantes está William Stryker (Danny Huston – O Reino), ele comanda esse grupo com, em média, sete pessoas que deveriam fazer trabalhos para o governo americano. Porém, com o tempo Logan vê que o que está fazendo não condiz com o que acredita e resolve sair do grupo e passa a viver como um simples serralheiro e com uma mulher, sendo posteriormente perseguido por alguns da equipe desfeita.

Engraçado. Quando eu era mais novo, o maior sentimento que um filme do X-Men tinha em mim era quando terminava o filme e queria a todo o custo ser um mutante, achava aquilo um máximo e era o suficiente para eu adorar o filme. Eu cresci, amadureci e não sei se é por causa disso e se porque o filme realmente não é do melhores. Achei que o primeiro filme que desvenda muitos dos mistérios dos mutantes não iria deixar a desejar e encontraríamos grandes coisas, porém não foi isso que vi. O roteiro do filme não passa nada de muito valioso que qualquer um que, ao menos, curta X-Men já não saiba e isso já o faz perder crédito.

A história é bem previsível, sem nada que possamos nos admirar de verdade, salvo em pequenas ocasiões e cenas que acabam sem tanta repercussão no geral. As atuações não são das mais elogiáveis e chegam até a ser caricatas em algumas situações. Achei que a trilha sonora foi uma das poucas coisas que ajudaram no contexto geral do filme, porque até os efeitos especiais, a meu ver, não foram grandes favorecedores do filme. Um pequeníssimo destaque para a fotografia, porém sem tanta necessidade de indicação. Enfim, este é um filme que poderia ter sido melhor, mas não é muito memorável, infelizmente.

» Michael Jackson (R.I.P)

O que falar de um cantor que nasceu pobre, negro, sem quaisquer perspectivas de vida e, depois de formar uma banda com mais quatro irmãos, estoura entre os maiores sucessos não só americanos, mas mundiais? De um cara que sempre esteve envolvido com a música de forma extrema, mas que também teve uma vida pessoal conturbada com vários casamentos, três filhos e sérias acusações de ter abusado crianças? Porém, vida pessoal polêmica à parte, deve-se salientar a importância que Michael Jackson para a música pop internacional, ele foi capaz de, num feito histórico, deixar no topo das paradas quatro músicas de um mesmo álbum.

Ele também revolucionou o conceito de clipe musical, deixou grandes clipes e juntou a história, típica do mundo do cinema, com o as músicas nos entregando um grande feito que foi o clipe da música Thriller, no qual está com sua namorada e é tomado pelo efeito da lua cheia e torna-se uma espécie de lobisomem e se junta aos mortos-vivos do cemitério e faz a coreografia histórica dançada de forma excelente por ele e seus dançarinos. Ainda teve sua passagem pelo Brasil na qual ele gravou o clipe da música They Don’t Care About Us que teve imagens do pelourinho junto com o Projeto Olodum e em uma favela do Rio de Janeiro. Enfim, foi alguém que apesar de ter morrido, deixou um grande legado e que ficará eternizado nas rádios, nos mp3’s, nos celulares, na internet, CD’s e também nos corações de todos os fãs. Segue abaixo o clipe Thriller completo e o clipe gravado no Brasil They Don’t Care About Us.

They Don’t Care About Us – Gravado no Brasil:

Thriller (legendado) – parte 1:

Thriller (legendado) – parte 2:

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» O Casamento de Rachel

(Nota: 7,5)
Título Original: Rachel Getting Married
Gênero: Drama
Diretor(es): Jonathan Demme.
Roteiristas: Jenny Lumet.
Ano de Lançamento: 2008.
Elenco: Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Mather Zickel, Bill Irwin, Anna Deavere Smith, Anisa George, Tunde Adebimpe, Debra Winger, Jerome Le Page, Beau Sia, Dorian Missick.
Duração: 114 minutos.

É interessantíssimo enxergarmos quando se está surgindo uma talentosa atriz. Pra quem gosta de cinema e curte bons personagens, isso é até um orgulho. Dá pra conferir os papéis desde o início e isso bom. Eu persigo Meryl Streep, já que não a acompanhei, e nem poderia, desde o início. Eu sigo Anne Hathaway já que ela é relativamente nova. Recentemente vem se mostrando cada vez melhor e mais competente e eu não poderia deixar de conferir o filme que a indicou pela primeira vez ao Oscar.

Kym (Anne – Noivas em Guerra) é uma garota bonita, inteligente mas problemática. Depois de uma carreira de modelo, Kym entrega-se as drogas e passa a viver numa clínica de reabilitação. Sua irmã, Rachel (Rosemarie DeWittA Luta pela Esperança), irá se casar e ela sai da clínica para poder presenciar o casamento e daí vem a tona mágoas do passado e as inconveniências que ela proporcionou e proporciona a família.

Acho que o maior mérito deste filme encontra-se num só fator: a atuação de Anne. É legal ver a grande evolução que ela vem apresentando em seus trabalhos. De uma garota besta e sem graça de Diário de Uma Princesa para uma mulher digna de está ao lado de Winslet, Streep e Jolie num Oscar. Ela está fantástica no papel que não deve ser nenhum um pouco fácil de fazer, sabemos do quão denso é fazer um ex-viciado que encontra tantas resistências em sua própria família.

Um dos pontos que dão mais credibilidade ao filme, talvez, seja o fato do drama social que vive alguém que foi viciado, os problemas que tal pessoa trouxe e as confusões que é obrigada a passar por fatos do passo. Acho que o modo de filmagem ‘câmera na mão’ já não se mostra mais tão original assim e creio ser esse o maior ‘defeito’ do filme. Às vezes soa irritante no que deveria ser diferente. O restante das atuações são boas sim e fazem jus a cada papel, a trilha é até original e faz pequena menção ao nosso querido samba em uma das cenas. Mas creio que as tomadas muito longas tornam-se sacais o que nos faz ficar entediados. Enfim, é um bom filme pela atuação e uma cena ou outra, mas longe de ser um primor.

» Um Sonho de Liberdade

(Nota: 10,0)
Título Original: The Shawshank Redemption
Gênero: Drama
Diretor(es): Frank Darabont.
Roteiristas: Frank Darabont, baseado em estórias de Stephen King.
Ano de Lançamento: 1994.
Elenco: Tim Robbins, Morgan Freeman, Bob Gunton, William Sadler, Clancy Brown, Gil Bellows, Mark Rolston, James Whitmore, Jeffrey DeMunn, Larry Brandenburg.
Duração: 142 minutos.

É estranho você saber que assistiu a um filme há algum tempo e quando você resolve revê-lo, pelo menos eu achava isso, descobre que não lembra mais de quase nada dele e que parece mesmo que você está vendo pela primeira vez. As surpresas são reais, a expectativa te ronda do mesmo jeito e o envolvimento é total. Pousei de ‘sabichão’ pra minha prima, dizendo que já tinha visto, porém que assistiria de novo. Que nada. Fiquei tão admirado com ela e ratifiquei o que há anos já sabia, que o filme Um Sonho de Liberdade era extraordinário, tudo aquilo que todos dizem.

Em 1946, Andy Dufresne (Tim Robbins – Cidade das Sombras) é um nobre banqueiro que acaba sendo condenado por matar sua jovem esposa com o amante que estava com ela. Com isso, após pegar prisão perpétua, ele vai para a uma das piores prisões americanas, a Shawshank. Lá, Andy conhece Red (Morgan Freeman – Batman – O Cavaleiro das Trevas), que cumpre pena já há vinte anos e é um dos presos mais poderosos na cadeia quando o negócio é mercado negro. Uma grande amizade surge.

Acho que quando se termina os 142 minutos de Um Sonho de Liberdade é que enxergamos o porquê do filme ser tão glorificado pelo público em geral. Baseado na história de Stephen King, esse filme conta não só a vida de presos que não esperam sair da grande muralha que os cercam, ele vai além quando nos toca sobre assuntos importantes como a esperança (que pra alguns está morta quando se entra em tal lugar), a raça, a obstinação e a esperteza. Talvez o maior exemplo de uma primorosa atuação é a de Freeman que nos expõe um personagem que nem é tão sério, mas que sabe muito da vida, pelo menos aquela dentro de presídio.

É tudo muito bem ajustado neste longa. A fotografia preza pelo momento, seguindo assim, o que requer a cena para tanto. A trilha sonora nos confere bons sons e uma composição precisa. Já no tocante a edição, creio que tenha sido basilar, já que sabe que ela muitas vezes pode acabar com um filme, como também pode deixá-lo muito bem feito, que foi esse o caso. É uma pena saber que em seu ano, tal filme, apesar das sete indicações ao maior prêmio do cinema, não abocanhou uma só estatueta, no entanto, isso não basta. O simples fato de nós, cinéfilos, gostarmos do filme, é o suficiente para saber que ele será eternizado como um clássico do cinema.