» O Palhaço

(Nota: 10,0)
Título Original: O Palhaço
Gênero: Drama, Comédia
Diretor(es): Selton Mello
Roteiristas: Selton Mello, Marcelo Vindicato
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Paulo José, Selton Mello, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Álamo Facó, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Hossen Minussi, Maira Chasseroux, Thogun, Bruna Chiaradia.
Duração: 90 minutos.

Umas das coisas mais curiosas do ser humano é o seu senso de humor. Achar que alguém que é humorista, palhaço ou comediante é sempre bem humorado e faz todo mundo rir é algo que parece mais natural impossível. Contudo, quem somos nós para medirmos o quão um palhaço é realmente feliz? Porque, mesmo fora do palco, nós achamos que ele deve fazer graça e piada das coisas? O segundo filme de Selton Mello nos mostra uma vida de palhaço, contudo não somente a sua energia como aquele que leva risos e felicidade aos demais, é também entregue um personagem cheio de dúvidas sobre tudo a sua volta.

O roteiro tem uma simplicidade e, ao mesmo tempo, uma complexidade que poucos conseguem manifestar de forma tão admirável em uma tela de cinema. Os dilemas que Benjamin (Selton Mello) carrega em sua vida o fazem questionar se verdadeiramente é aquele seu ambiente, se realmente é daquele jeito que ele quer que todos os indivíduos olhem para ele. A fotografia consegue captar uma magia que só o circo consegue traduzir principalmente nos momentos do palco, além da captura apaixonada da felicidade dos personagens de circo que ficam maravilhados a cada espetáculo. É possível também ver os momentos do olhar triste de um palhaço que não precisam de palavras pra expressar seu sentimento.

A trilha sonora é outro diferencial que sabe se colocar em quadros preciosos do longa, assim como sua ausência é imprescindível para a captação do sentimento real do personagem em outros momentos. O seu final é muito bonito, emocionante e procura nos passar uma mensagem deveras simples, todavia fundamental para nossas vidas. Selton nos entrega uma película cheia de sorriso e também reflexão. Obra sublime que figurará entre os meus prediletos do ano.

Obs.: O Palhaço estreia hoje nos cinemas de todo o Brasil.

:: Downton Abbey – 1ª Temporada


Não é de costume escrever sobre série neste blog por motivos óbvios. Porém esta série em especial me chamou bastante a atenção por um motivo não tão simples. Domingo passado (18/09) estava assistindo à premiação do Emmy quando notei que a série britânica Downton Abbey arrematou alguns prêmios como Maggie Smith por Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie, Melhor Roteiro de Minissérie e Melhor Direção de Minissérie além do prêmio de Melhor Minissérie. Naturalmente, diante de tanta recompensa deveras inesperada assim como a presença ilustre de Maggie Smith, que sou fã de carteirinha, fiquei muitíssimo curioso para conferir.

Não achei que a premissa do roteiro fosse tão interessante, contudo ainda entendi que devia dar uma chance a essa produção já que não poderia ser a toa tamanho reconhecimento. A história se passa basicamente em torno de uma propriedade denominada Downton Abbey na qual mora uma família nobre que está destinada a perder tudo por não ter deixado qualquer herdeiro homem, tendo somente três filhas. Além do mais, um primo distante será o herdeiro de toda a propriedade e sua riqueza e a família tem que ‘suportá-lo’. Nota-se que diante disto existe todo um jogo de interesses em torno da possibilidade de herança já que se a primogênita casar poderia conseguir ficar com a herança, são muitas as conspirações em torno do tesouro.

O que me encanta nesta minissérie, que garantiu sua segunda temporada tamanha foi sua audiência no ano passado, é a forma como o roteiro guia seus personagens de maneira sutil e bastante próxima, assim como a fotografia que é de uma profundidade importante e imponente aos telespectadores. Impossível não se deixar notar pela trilha sonora que consegue destacar-se em cada nota, assim como as atuações que só fazem engrandecer ainda mais essa obra que realmente marca. O final desta primeira temporada demonstrou-se mais promissor ainda para a segunda que começou domingo passado e promete grandes emoções. Se eu puder dar um conselho para quem gosta de produções de época seria: veja Downton Abbey.

Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme

» O Rei Leão 3D

Ainda que eu tenha idade pra poder ter visto O Rei Leão no cinema, não sei exatamente o porquê mas não pude conferir na grande tela e isso sempre foi algo que me frustrou extremamente, isso porque sou um grande fã do filme que marcou minha infância pelas incansáveis vezes que botei a fita VHS (sim, FITA) pra passar esta animação. Assim, quando soube da possibilidade de rever este clássico, sendo que agora no cinema, foi algo que realmente me animou. Ainda que não seja grande fã do cinema 3D, acho que essa conversão não fez tanto mal assim a animação mesmo que ela seja melhor em 2D. Portanto, vou REPOSTAR um texto que fiz um tempo atrás analisando ponto-a-ponto esta animação. Se você ainda não assistiu ao filme, não leia pois contém spoilers:

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Há algumas semanas eu coloquei aqui, através da sessão “Belas Cenas”, uma tomada que muito me comoveu quando criança e que ainda hoje mexe comigo de maneira infantil e ao mesmo tempo ‘agradável’. De qualquer maneira não foi Cinderela, nem Branca de Neve ou mesmo A Bela e a Fera que marcaram minha infância. Não. A animação da indústria Disney que mais me cativou foi sem dúvida a história de Simba, filhote de leão que se mostrava tão inocente quanto qualquer criança e que mais cedo do que imaginava precisou tornar-se adulto e achou por bem fugir de suas responsabilidades ou de suas culpas. O filme aborda pontos interessantes que, sendo visto com um pouco mais de cautela, torna-se base para uma excelente contenda filosófica e sociológica das coisas, o que o torna mais atraente tendo em vista o seu público-alvo e a forma como que será absorvido pelas crianças. Acho que não é necessário contar a história do filme, não é?

Esse clássico originalmente feito pela Disney, não se baseia em fábulas ou clássicos da literatura e trata de pontos de fundamental importância, como falei. Nos diálogos dos personagens, por serem animais, é possível enxergar a real importância do ciclo da vida, da cadeia alimentar e da ‘suposta’ hierarquia dentro da vida selvagem. Concernente ao meio produtivo, da cinematografia, temos aquela coisa clássica que remonta às cores do filme e que é bem típico dos filmes das Disney. O mundo bom e feliz está sempre muito colorido e vivo, ao contrário do mundo underground que se mostra cinza e morto, fato que no já comentado longa A Noiva Cadáver, é o contrário que faz a cena, mostrando que o colorido nem sempre é a vida. Outro método interessante é colocar algumas características do dublador original no personagem da animação, fato que começou a se popularizar e hoje é bem comum, como no caso de Whoopi Goldberg que tem na hiena a sua caracterização facial.

A comparação é outro ponto legal a ser suscitado quando se fala de Rei Leão. Temos o velho maniqueísmo que é representado por Simba/Mufasa (o bem) e Iscar/Hienas (o mal). E pelo que pude notar, fazendo uma alusão do símbolo de Iscar ao de Hitler é que se faz uma cena musical em que aquele discursa e as hienas marcham de maneira correta, feito um exército, como a cena clássica e histórica do Füher. Por outro lado, após todo o acontecido e com o advento da morte de Mufasa, Simba sente-se culpado e por isso foge. Assim encontramos dois personagens que serão fundamentais para que o clima dramático seja quebrado de forma fascinante na história. Timão e Pumba vêm para dissolver o estereótipo de que tudo está acabado e que não vale à pena chorar . Eles têm toda a solução para os problemas: Hakuna Matata. Um lema que é adotado pelos dois e pelo pobre e frágil Simba. Tudo é bem trabalhado e todos os pontos do filme têm um condimento que faz cada cena ser emocionante e instigante como é a do encontro entre Simba e Nala, além da marcante canção de amor dos dois.

Daí em diante surge a luta interior do protagonista sobre o seu regresso ao reino, sobre o fato de achar que não é digno disso e que assim deveria continuar. Grandes diálogos surgem desse conflito. O babuíno, tido como sacerdote do reino, confronta-o através das altercações que pergunta “quem é você?” e Simba diz que sabe quem é, mas o macaco afirma que Simba não se conhece e posteriormente mostra que Mufasa vive dentro dele, fato que o faz enxergar o pai dizer: “lembre-se de quem você é!” e o filho diz: “eu não sou mais quem eu fui”. Sendo usado num mesmo diálogo três tempos que mostram a confusão que pode existir em alguém e dando a lição de que há duas opções: tentar fugir para sempre do passado ou aprender com ele para lutar. Já de volta ao defasado reino é envolvente a espécie de tribunal travado entre Iscar e Simba, sendo outro ponto alto no qual aquele acusa este da morte do pai, um de modo extremamente ousado e o outro coberto pela fraqueza emocional.

Diante de tanta luta e de tanta briga ainda é possível rir e se divertir com, os sempre cômicos, Timão e Pumba que roubam a cena de maneira extremamente cômica e descontraída nas suas lutas contra as hienas. Em suma, o meu maior propósito em escrever esse texto foi dar uma visão do que acredito ter enxergado deste filme que, a primeira vista parece frágil e fútil, mas que mostra ser de grande valia e com uma moral pouco explorada e fortemente necessária para qualquer ser humano. Pode-se dizer que O Rei Leão é daquele filmes que vemos diversas vezes e jamais cansaremos de ver, gratificante é a palavra e a forma que me sinto ao revê-lo, sempre!

» Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

(Nota: 10,0)
Título Original: Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2
Gênero: Aventura
Diretor(es): David Yates
Roteiristas: Steve Kloves, J.K. Rowling
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Ralph Fiennes, Michael Gambon, Alan Rickman, Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Evanna Lynch, Domhnall Gleeson.
Duração: 130 minutos.

Lembro-me perfeitamente bem na primeira vez que tive contato com Harry Potter. Foi na escola, quando fazia a quinta série, em 1999. Um amigo estava lendo o primeiro livro e mesmo escutando só elogios não me interessei e acabei negando ‘viver’ a realidade do mundo do menino-bruxo até 2004, quando numa viagem de férias peguei o livro do meu primo emprestado e não precisou de mais nada. Devorei os quatro primeiros livros que já tinham sido lançados e, como qualquer outro fã da época, fiquei deveras ansioso por cada novo volume que estava pra ser lançado. Com os filmes não foi diferente, até que na semana passada chegou ao fim uma das sagas mais bem sucedidas da história do cinema.

A responsabilidade de David Yates foi grande. Afinal, assumir filmes que tem uma linha de fãs tão fervorosos não é nem um pouco fácil, contudo a cada filme que foi nos apresentando desde A Ordem da Fênix, podemos enxergar que a série tomava caráter mais maduro e, por isso, Yates tinha que optar em empregar um ar mais denso e com maior responsabilidade. Este último é talvez o mais esperado de todos, onde tudo se resolve, onde a profecia, por fim, se realiza. E é bem possível afirmar que ele agrada por conseguir ir além do que queríamos ver, por demonstrar que não só a batalha em si é importante, mas todo seu contexto, todo o desenrolar que a história deve ter pra chegar ao clímax.

O diretor David Yates, que agora goza de importante notoriedade no meio cinematográfico, procurou tratar com bastante propriedade cada momento da película, já que são extremamente determinantes para o desenlace da trama que tem suas complicações. A história conta com encerramentos cogentes para se compreender tudo que se foi contado ao longo de sete livros e por isso se mostra tão basilar. Enxergamos que não houve receio algum, destarte, de construir-se um filme no qual algumas partes necessariamente tiveram que ser sacrificadas em prol de outros momentos que obtiveram mais veracidade em sua totalidade, admitindo a nós compreender cada passo até ali construído.

Sem quaisquer sombras de dúvidas, este longa obteve o êxito máximo de toda a saga e é, conseqüentemente, o melhor de todos. Indo da direção responsável, passando por uma fotografia de extremo bom gosto que preza por cada movimento que é capaz de denunciar o que vem a seguir, sendo, assim, um deleite as nossas vistas, até uma trilha sonora que consegue ser muito marcante sem se tornar tediosa, Alexandre Desplat consegue reeguer-se neste filme compondo algo mais comovente e forte ao mesmo tempo, fato que não foi tão impetuoso na fita anterior. As atuações, que nunca foram ponto marcante na saga, conseguem transpor barreiras nesse longa, com especial destaque para Alan Rickman que, como professor Snape, empregou um dos melhores momentos desta fita. Precisei ver duas vezes no cinema para poder tentar rabiscar essas linhas que aqui se encontram e ainda assim não acredito que seja o suficiente, assim sendo verei novamente… e novamente… e novamente…

≈ Qualquer Gato Vira-Lata ≈

de Tomas Portella e Daniela De Carlo (2011)

 O cinema brasileiro vem conseguindo ótimos momentos quando o gênero é drama e isso é tem seu ponto positivo porque mostra que nosso cinema tem enorme potencial. Porém, uma fase que caminha a passos lentos, mas que vem tomando bastante fôlego nos últimos meses é a comédia. Ainda somos ‘obrigados’ a conferir alguns filmes que realmente não tem muito a oferecer, contudo outros começam a procurar inovar em alguns aspectos o que o torna não só mais engraçado como também mais atraente. Logicamente, alguns ajustes precisam e devem ser feitos para que possamos ver comédias de alta qualidade, fato que nem os filmes hollywoodianos vêm conseguindo fazer.

Assim, após ouvir alguns relatos de que este é um bom filme, fui conferir ainda que não pudesse esperar nada, e olhe que as intenções eram as melhores. O tema em si não se demonstra nem um pouco original, contudo a roupagem pela qual foi apresentado é realmente de uma originalidade até louvável, já que ela consegue dá não só mais ritmo como também mais vida ao roteiro que, a princípio, demonstrava ser pobre. A película protagoniza alguns bons momentos de risada que são capazes de fazer valer o ingresso que pagamos. Porém o seu final se entrega de uma maneira tão óbvia e completamente clichê que faz perder metade do seu brilho. E o que mais importa: era realmente possível fugir do lugar-comum, sendo que o roteirista achou por bem não inovar. Pena.

Elenco: Dudu Azevedo, Cléo Pires, Malvino Salvador

Roteiro: Tomas Portella, Daniela De Carlo

(Nota: 6,0)

» Meia-Noite em Paris

(Nota: 9,5)
Título Original: Midnight in Paris
Gênero: Comédia
Diretor(es): Woody Allen
Roteiristas: Woody Allen
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Tom Hiddleston, Rachel McAdams, Michael Sheen, Marion Cotillard, Alison Pill, Owen Wilson, Adrien Brody, Kathy Bates, Léa Seydoux, Carla Bruni, Corey Stoll.
Duração: 100 minutos.

Há tempos venho admirando cada vez mais o trabalho do mestre Woody Allen (A Rosa Púrpura do Cairo) e certamente se eu fosse um cineasta, meus filmes muito teriam das características “Allenianas”, seus diálogos sempre bem elaborados, seus questionamentos que fogem a regra dos demais personagens. Porém, o que sempre me chamou mais atenção em seus trabalhos é quando ele consegue misturar a imaginação do protagonista com a realidade, fantasia que permite a nós, uma vez espectadores, acompanharmos os passos da mente alheia como se fosse a nossa, nos introduzindo de maneira tal nos longas que o tempo passa sem nem sentirmos.

Gil (Owen Wilson) é um famoso roteirista de Hollywood que se sente frustrado por nunca ter conseguido escrever um livro que realmente o satisfizesse. Agora em Paris, com sua noiva Inez (Rachel McAdamsSherlock Holmes), ele quer sentir a vibração que a cidade o proporciona e assim poder completar seu trabalho. Certo dia, pontualmente a meia-noite, sem a companhia da noiva, Gil é convidado a entrar em um carro e, ao sair, nota que ainda está em Paris, mas aquela dos anos 20, época que mais admira por ter os escritores, diretores e pintores que mais o inspira como Ernest Hemingway (Corey Stoll), Scott Fitzgerald (Tom Hiddleston – Thor), Pablo Picasso, Salvador Dalí (Adrien BrodyPredadores), entre outros. Assim, Gil passa a viver entre seu presente, aparentemente chato e sem conteúdo, e o passado que ele considera como a Era do Ouro.

Ao conferir muitos de seus últimos filmes notei, porém, que Woody vinha perdendo essa magia que beirava entre o imaginário e a realidade, na verdade, era o que mais eu sentia falta. Contudo, reencontrou essa peculiaridade de maneira sutil e bastante agradável quando decidiu fazer o belíssimo Meia-Noite em Paris. Uma história muito bem distribuída e que é capaz de nos fazer viajar na imaginação (se é que se podemos chamar assim) do protagonista que, por sinal e para minha total surpresa, foi belamente interpretado por Owen Wilson.

As participações da lindíssima e talentosa Marion Cotillard (A Origem) e de Adrien Brody deram o tom que o enredo, cheio de grandes figuras, precisava. Sem contar com a curta, mas gratificante atuação de Carla Bruni. Roteiro excelente que nos guia de maneira interessante, fotografia característica de um Allen despretensioso, porém preocupado com o resultado sobre o espectador e uma trilha sonora deliciosa que só faz envolver cada momento do filme de uma maneira tal que somente com Paris de fundo é que dá para compreender. Esse longa é pura poesia e uma belíssima homenagem aos grandes artistas que viveram na década de 20 do século passado, sem contar na clara declaração de amor a cidade de Paris. Assim, é possível, no meu caso, conseguir o feito de sentir saudade (e mais vontade ainda de conhecer) de um lugar que ainda não conheço: Paris.

:: A Mente de Tarantino

Até pouco tempo eu era pouco conhecedor da obra de Quentin Tarantino. Sempre me senti em falta com isso, mas recentemente comecei a destrinchar suas obras e fiquei cada vez mais fã do cara. Ele consegue fazer um cinema completamente diferente dos demais, sem se tornar enfadonho e muito menos sem se vender para as indústrias bilionárias do cinema. Ele sabe fazer um filme arte, contudo que seja apreciado por todos, isso, pra mim, é coisa de gênio.

Naturalmente, ele consegue fãs por todo o mundo a cada filme seu que é reprisado. Aqui no Brasil, um de seus maiores fãs é ator e vem se aventurando como diretor que é Selton Mello. Junto com o cantor e ator Seu Jorge, foi produzido um curta em 2006 no qual ambos atuam e o personagem de Selton Mello diz que decifrou o código de Tarantino. Assim, ele passa a contar alguns momentos, situações e personagens dos filmes que estão intrinsecamente ligados, mas que podem passar despercebidos a mente do espectador. Além de um roteiro genial e inteligente, é muito divertido. Confira:

≈ Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar ≈

de Woody Allen (1972)

É curioso que ainda nos dias de hoje ainda existam muitas e muitas pessoas que morrem de vergonha de falar sobre sexo. Acham que a intimidade tem que ser muito grande para que isso por ser comentado, porém muitos também já transpuseram essa barreira e falam com uma maior simplicidade possível. Em 1972, Woody Allen já tinha o atrevimento de tratar abertamente sobre isso no cinema e melhor ainda, dizer logo no título de seu filme que muitas pessoas gostariam de saber algumas coisas sexuais, contudo sempre tiveram medo, ou receio, de perguntar. É um título enorme, todavia auto-explicativo (também, se não fosse, né?).

Tudo Que Você Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar é uma tentativa, no mínimo curiosa, de Allen em desmitificar algumas dúvidas que muitos indivíduos ‘poderiam’ ter em relação ao sexo. Dessa forma ele se utiliza de histórias diferentes que tentam responder as devidas interrogações que são feitas no início de cada quadro. Algumas são boas histórias que tratam sobre assuntos realmente convenientes e conseguem nos tirar boas gargalhadas, no entanto a maioria é verdadeiramente fraca e não acrescenta nada que nós não saibamos, pelo menos nos dias de hoje. Talvez na época do lançamento tenha feito um sucesso mais aceitável, já que estamos falando de quase 40 anos atrás.

» Thor

(Nota: 8,5)
Título Original: Thor
Gênero: Aventura
Diretor(es): Kenneth Branagh
Roteiristas: Ashley Edward Miller, Zack Stentz, Don Payne, J. Michael Straczynski, Mark Protosevich, Stan Lee, Larry Lieber, Jack Kirby.
Ano de Lançamento: 2011.
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård, Kat Dennings, Clark Gregg.
Duração: 93 minutos.

Acho que todos já estão cansados de saber que eu nada sei das histórias em quadrinho da Marvel, contudo, sou fã dos filmes que são produzidos e baseados em suas histórias, pois sempre gostei de absorver longas que tratam de ficção e que envolva magia ou forças que normalmente não estão dispostas a um cidadão comum. Assim, Homem de Ferro, Hulk, Homem-Aranha, Batman e os demais sempre me deixaram fascinado ao conferir seus filmes (ok, nem todos conseguiram isso). E acho que, por nada saber de sua história, foi mais interessante ainda conferir Thor e sair creditando ao seu resultado o final foi positivo.

A história tem uma premissa super interessante somente quando o espectador se permite entrar no universo da história do super-herói. Vindo de outro planeta chamado Asgard, Thor (Chris Hemsworth – Star Trek) é exilado na Terra por ter desobedecido as ordens do rei (Anthony Hopkins – O Lobisomem), seu pai. Assim, ele foi expulso de seu mundo para que pudesse aprender com os seus próprios defeitos, muita coisa acontece nesse meio tempo, mais no seu mundo do que na Terra. Portanto, nota-se claramente que é um enredo bastante fantasioso e que necessita do espectador a tolerância para o que será abordado em tela.

O filme é repleto de efeitos que se mostram deveras convincente e são realmente bastante necessários para que possa dar total veracidade ao universo abordado pelo longa, aliado a isso tem uma computação gráfica conveniente que se mistura a uma maquiagem bem elaborada, especialmente em torno dos Jötunheim. O grande destaque de elenco vai para Antony Hopkins que corrobora seu talento de forma bastante significativa como um sábio rei. É uma história que consegue persuadir ainda que alguns aleguem a rapidez do roteiro (que ao meu ver, em sua dinamicidade, há uma leve confusão com a pressa) e a superficialidade na relação entre Jane e Thor (que penso ser algo pertinente, por ambos serem ‘criaturas’ de diferentes mundos). Vale conferir, então e assim tirar sua própria conclusão.

P.s.: Não deixe de assistir após os créditos finais (mas finais MESMO, quando você acha que não acaba mais) uma cena extra que, creio, terá forte impacto sobre o filme Os Vingadores.

≈ A Rosa Púrpura do Cairo ≈

de Woody Allen (1985)

Não tem jeito, o cinema quando pega uma pessoa de jeito, é paixão na certa. E isso é um fenômeno mundial que permite aos espectadores entrar na história que está a sua frente e desfrutar dela da melhor maneira possível, seja sorrindo com o protagonista ou compartilhando o sofrimento dele. Woody Allen, na sua extensa filmografia, tem um momento de pura homenagem à sétima arte, ele mistura seu roteiro, sempre muito inteligente e sagaz, com uma clara e bonita homenagem aqueles que são apaixonados pelo cinema, aliando-se a ficção para dar um gostinho próprio a trama.

Assim, A Rosa Púrpura do Cairo é um lindo tributo ao cinema. Allen realmente estava muito inspirado ao escrever e dirigir este longa que consegue envolver seu espectador completamente sem soar algo forçoso ou desnecessário. O simples ato de o personagem sair da tela, reconhecer o cinéfilo e daí em diante desenvolver uma história em torno disso é algo fabuloso e o mais curioso é que os demais personagens não vêem aquilo como normal, enxergam algo atípico, deixando, de certa forma, o longa mais real ainda. Isso porque todo cinéfilo que se preze, como Cecilia (Mia Farrow – Crimes e Pecados), tem seus sonhos com os filmes, situações e estrelas de cinema. Personificar isso numa película é melhor ainda. Obrigatório para todo e qualquer cinéfilo.

Elenco: Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello

Roteiro: Woody Allen

(Nota: 9,5)

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    Robson Saldanha é um cinéfilo que gostaria de assistir mais filmes do que o que consegue. Cursa Direito na UFRN e está atualmente no 6º Período. Mora em Natal/RN e tem 23 anos de idade. Pouco conhecedor do verdadeiro mundo do cinema, mas, ao mesmo tempo, sedento pela Sétima Arte, tanto os bastidores como a finalização da obra. Escreve textos por pura diversão e aprimoramento de suas técnicas de escrita. Curte cada blog de que se encontra no hall do Portal Cine e sente-se cada vez mais motivado com quaisquer que sejam os comentários no blog. As séries também são seu fascínio mas não acompanha todas que gostaria, estando vendo Game of Thrones, Grey's Anatomy, Dexter, The Good Wife, United States of Tara, The Big C e True Blood.

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